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12 março 2026

PRISÃO DE JOÃO FERREIRA: O EXPLOSIVO DEPOIMENTO DO IRMÃO DE LAMPIÃO.

 Por José Tavares de Araújo Neto.

Após ser expulso da Paraíba, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, passou a homiziar-se no Cariri cearense. Seu local de refúgio mais constante foi a Serra do Mato, sobretudo em terras pertencentes ao fazendeiro Antônio Joaquim de Santana, figura de reconhecida influência regional, comumente identificado como coronel Santana. 

Coronel Santana

Nesse espaço serrano, Lampião e seu bando estabeleceram sucessivos acampamentos, utilizando a geografia da serra como abrigo natural e como base de deslocamento entre os Estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

A permanência do grupo na Serra do Mato coincidiu com a intensificação da vigilância policial cearense sobre os vínculos de apoio logístico atribuídos ao cangaço. As autoridades passaram a investigar parentes próximos de Lampião, residentes em Juazeiro, apontados como intermediários na aquisição de armas e munições destinadas ao bando. Em janeiro de 1927, o delegado de Juazeiro efetuou a prisão de João Ferreira, irmão de Lampião, juntamente com José Dandão, Pedro Raimundo, Sebastião Paulo e João Marreco.

Logística para compra de munição e suprimentos

Segundo comunicação oficial encaminhada ao chefe de polícia, além de João Ferreira, José Dandão foi identificado, de forma equivocada, como irmão de Lampião, enquanto Pedro Raimundo figurava como cunhado. Todos foram acusados de atuar como agentes na compra de munições, ao passo que os demais presos respondiam a processos criminais em diferentes comarcas do sertão pernambucano.

A prisão desse grupo foi divulgada como parte de uma ofensiva mais ampla contra a rede de sustentação do cangaço, indicando a pressão exercida pelas forças policiais sobre os chamados lugares-tenentes e colaboradores do bando. Os registros da época destacam que tais detenções tinham como objetivo desarticular os canais de fornecimento de armamento, considerados essenciais para a continuidade das ações de Lampião e de seus homens, especialmente daqueles que operavam a partir da Serra do Mato.

Em e janeiro de 1930, a imprensa publicou um depoimento de João Ferreira, colhido em Vila Bela (atual Serra Talhada, Pernambuco), no contexto das investigações policiais então em curso sobre a atuação do cangaço no Cariri cearense. No relato, João Ferreira descreveu a atuação de Lampião e a utilização recorrente da Serra do Mato, no município de Missão Velha, como área de homizio e base de operações. Segundo declarou, Lampião acampou por diversas vezes em terras pertencentes ao Coronel Santana, utilizando a região como ponto de abrigo, reorganização e deslocamento para ações nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

No curso de suas declarações, João Ferreira afirmou que Lampião mantinha contatos regulares com o Coronel Santana, recebendo armas, munições e orientações para deslocamentos e ações em estados vizinhos. Relatou que, em diferentes ocasiões, Lampião saía reiteradamente da Serra do Mato para cumprir determinações atribuídas ao Coronel Santana, retornando posteriormente ao mesmo local.

Declarou ainda que, em uma das primeiras idas de Lampião a Juazeiro, este portava carta do Coronel Santana destinada a seu filho, Juvêncio de Santana, então juiz de direito, solicitando a obtenção de armamento e munições. Essa confidência indica que a presença de Lampião em Juazeiro não se restringiu ao episódio relacionado ao chamamento para o combate à Coluna Prestes.

João Ferreira irmão de Lampião.

João Ferreira declarou ter presenciado ou tomado conhecimento de remessas de munição destinadas a Lampião, transportadas até a Serra do Mato, inclusive por ocasião do fogo da Piçarra, no município de Porteiras. Segundo afirmou, essas cargas teriam sido encaminhadas por ordem do Coronel Santana, com o auxílio de intermediários que também atuaram como guias do bando até localidades como Brejinho, no município de Barbalha, de onde seguiram para Aurora e, posteriormente, para o ataque a Mossoró, no Rio Grande do Norte.

De acordo com o depoimento, propriedades pertencentes a parentes e aliados do Coronel Santana eram utilizadas como pontos de apoio, abrigo temporário e locais de reunião de cangaceiros. João Ferreira citou Antônio Francisco, genro do Coronel Santana, cuja casa serviu como ponto de passagem e reunião, bem como Cícero Santana, destinatário de recursos arrecadados por meio de cobranças realizadas pelo bando. Relatou que Manoel Marcelino (Bom-de-Veras) esteve na residência de Antônio Francisco trazendo dinheiro e uma mulher capturada às margens do rio São Francisco, entregando ao referido aliado a quantia de dezoito contos de réis.

O depoimento registrou a atuação de outros integrantes do cangaço, entre eles Vinte e Dois (irmão de Bo-de-Veras), Sabino e Bem-te-vi, com referência a encontros, fornecimento de armas, entrega de valores em dinheiro e ordens para ataques contra adversários locais. João Ferreira mencionou ainda a cobrança de quantias em dinheiro a fazendeiros da região, realizada por intermédio de emissários do bando, bem como a destinação desses recursos a interesses atribuídos a aliados do grupo.

João Ferreira afirmou ainda que, no início de 1926, quando o sargento Firmino Zeferino da Rocha, conhecido por Firmino Gago, o escoltava de Juazeiro para Salgueiro, tomou-lhe um relógio e uma burra com sela e demais arreios, bens que somente lhe foram restituídos cerca de um ano depois, por determinação do Major Moura Brasil.

Disse que na ocasião em que o sargento Firmino Gago indo deixá-los, ele João Ferreira e os seus parentes na cadeia de Salgueiro, no Estado de Pernambuco, tratou de intimidá-los dizendo trazer ordens para assassiná-los, o que não faria mediante um resgate de cinco contos de réis, o que ele aceitou, mas não tendo dinheiro escreveu ao seu irmão Lampião pedindo-lhe esta importância, o que ele fez, vindo até o sítio Silvério distante da Serra do Mato dois quilômetros, de onde mandou a referida importância para o Gago e que dessa data em diante Lampião e o sargento ficaram se comunicando por seu intermédio, pois recebia e enviava cartas de um para o outro.

Relatou também que, por duas vezes, emissários vindos da região do Pajeú procuraram Lampião, a mando do dr. Juvêncio de Santana, com o objetivo de levá-lo a Santana do Cariri para interromper a eleição que se realizava no mês de fevereiro de 1926, proposta que, segundo declarou, Lampião recusou-se a aceitar.

Ainda segundo o depoente, em certa noite os grupos chefiados por Sabino e por Manoel Marcelino, o Bom-de-Veras, reuniram-se na residência do Coronel Santana, seguindo em seguida para a casa de Antônio Francisco, de onde partiram para assediar a cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba (28 de setembro de 1926).

O deslocamento contou com a atuação de guias identificados como o próprio Coronel Santana, Antônio Francisco, Chico Chicote e seu guarda-costas Pedro Severino, este último posteriormente assassinado por um soldado sob o comando do sargento Firmino Gago, após haver revelado informações atribuídas a seus patrões.

João Ferreira afirmou que, por ocasião do ataque a Cajazeiras, Manoel Marcelino, o Bom-de-Veras, tomou um anel de um engenheiro, fazendo presente do objeto a Antônio Francisco, genro do Coronel Santana.

João Ferreira afirmou também que alguns cangaceiros abandonaram o bando, entre eles Português, José Lúcio, Moreno e Ricardo, passando a homiziar-se em propriedades ligadas a Cícero Santana, na Serra do Mato. Relatou que Moreno teria emprestado quinze contos de réis a esse aliado, sem posterior restituição. Citou ainda Coqueiro, que seguiu para o Piauí, foi preso em Picos, evadiu-se e retornou à Serra do Mato, onde passou a contar com proteção policial.

No âmbito das autoridades, João Ferreira mencionou Manuel de Santana, filho do coronel Santana, promotor em Barbalha, e seu cunhado Antônio Coelho, apontados como protetores de cangaceiros, bem como José Francisco, neto do Coronel Santana, acusado de ordenar ações armadas. Que o dr. Manuel de Santana quando sabia de diligências para a Serra do Mato escrevia ao seu pai mandando ocultar os bandidos.

O conjunto dessas declarações foi incorporado aos autos policiais como elemento destinado a demonstrar a existência de uma ampla rede de apoio ao cangaço no Cariri cearense, envolvendo parentes, fazendeiros, cangaceiros, intermediários e agentes armados, tendo a Serra do Mato como núcleo central das operações atribuídas a Lampião.

O depoimento de João Ferreira evidencia que ele mantinha vínculo direto e permanente com o irmão, acompanhando suas atividades, intermediando comunicações, participando de tratativas logísticas e atuando de modo efetivo em ações relacionadas à manutenção, ao financiamento e ao funcionamento do bando.

#José Tavares é historiador e pesquisador do Cangaço.

Imagem ilustrativa IA

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 ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.

https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

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11 março 2026

O REI...

  Por Abdias Filho

O REI

Lampião ouviu Zé Sereno "dando um sabão" em Pedro de Cândido e veio perguntar o que foi:

- Ele tava perguntando quantos nóis era. Pra quê que ele quer saber?

- Pedro é meu amigo, Zé.

Sereno voltou a dizer que não gostava daquele lugar, que também não confiava naquele coiteiro nem no coiteiro de Corisco.

- É cisma sua, cumpade... Vá beber uns tragos com os homens...aproveite.

Zé Sereno sugere ao chefe de irem embora daquele lugar no outro dia de manhã cedo. Lampião disse que só vai sair quando Corisco chegar. Além disso está esperando um sobrinho que vai entrar no bando e ainda não chegou também.

José Ferreira filho de Virtuosa que era irmã de Lampião.
- Quem é?

- José de Virtuosa! - respondeu o chefe.

- Aí, meu Deus... Um menino, - respondeu Sereno limpando o suor da testa.

- É escolha dele, não consegui convencer.

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10 março 2026

PROBLEMA...

  Por José Mendes Pereira



Internet lenta.


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09 março 2026

CANGAÇO - A MORTE DOS COITEIROS, POR PEDRO DE TERCILA.

 Por Aderbal Nogueira

 https://www.youtube.com/watch?v=MZpXA_Mhr-g&t=66s

Cangaço - A morte dos coiteiros, por Pedro de Tercila Pedro de Tercila narra a morte dos coiteiros e o gado morto por Lampião. Link desse vídeo:    • Cangaço - A morte dos coiteiros, por Pedro...  

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08 março 2026

LIVRO GUERREIROS DO SOL - Frederico Pernambucano de Melo.

  Por José Mendes Pereira



Esta obra é do escritor e pesquisador do cangaço Frederico Pernambucano de Melo, um dos maiores no que se refere ao estudo cangaceiro. 

Se tiver interesse de adquiri-lo, entre em contato com o professor Pereira através deste endereço eletrônico:

franpelima@bol.com.br

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07 março 2026

NOVA LUZ SOBRE DELMIRO GOUVEIA POR:WAGNER SARMENTO.

  

Gilmar Teixeira

Quase um século após o misterioso crime, pesquisador apresenta em livro versão inédita para a morte do homem que revolucionou a indústria no Nordeste. A história não é produto acabado. Está sempre sujeita a revisões, releituras, reviravoltas. A morte do empresário Delmiro Gouveia, pioneiro da industrialização do Nordeste e construtor da primeira usina hidrelétrica brasileira, assassinado em 10 de outubro de 1917, nunca foi ponto final. Reza a tradição popular que, após ser alvejado na cadeira de balanço do alpendre de seu chalé, Delmiro indagou, antes de morrer: ”Quem foi o cabra que me matou?”.

 Delmiro em clássica fotografia......"lendo jornal em sua cadeira, tal qual quando foi morto"

A pergunta atravessou décadas sem resposta. Entre silêncios e murmúrios, um crime sem solução, mais um, retrato de um país onde a injustiça é, muitas vezes, o único elemento indubitável. Mas o manto do mistério pode ter sido desvelado 94 anos depois. É o que garante o historiador baiano Gilmar Teixeira Santos, que mergulhou no intrigante crime e lançou à luz fatos ocultados pelas biografias anteriores. A investigação feita pelo pesquisador revela que o homicídio foi uma grande trama arquitetada por falsos amigos e rivais do homem que anteviu o Nordeste do futuro. 

Os operários Róseo Morais do Nascimento e José Inácio Pia, conhecido como Jacaré, haviam sido demitidos de uma das fábricas de Delmiro duas semanas antes do crime. Pobres, foram presos e acabaram condenados pelo homicídio à pena máxima de 30 anos. Jacaré fugiu duas vezes da cadeia e foi morto em 1924 pelo coronel José Lucena, mesmo homem que matou o pai de Lampião. Róseo cumpriu 15 anos de pena, foi solto por bom comportamento e morreu de velhice em 1979. Em vida, nunca conseguiu se desfazer da pecha de assassino. Uma revisão processual, porém, inocentou a dupla mais de meio século depois, em 1983, após acreditar um álibi desprezado na época e segundo o qual ambos estavam em Sergipe no dia em que Delmiro foi eliminado. Enterrava-se. Ali, naquela absolvição póstuma, a principal versão sobre o crime.

Róseo e Jacaré, acusados e condenados...inocentes???

Outra hipótese difundida alardeava que o assassinato teria sido demandado pela Machine Cotton, empresa escocesa que havia perdido mercado com a ascensão da Companhia Agro-Fabril Mercantil, criada em 1914 por Delmiro Gouveia, a primeira na América do Sul a fabricar linhas para costura e fios para malharia. O que reforçou a possibilidade foi o fato de a Machine ter comprado a fábrica do empresário após sua morte e atirado todo o seu maquinário de um penhasco no Rio São Francisco.

“Todos os biógrafos compraram essas ideias ventiladas logo após o assassinato e ficaram repetindo isso. Ignoraram inclusive a revisão penal que inocentou antigos culpados. Na verdade, essas falsas versões foram difundidas pelos verdadeiros culpados para desviar o foco”, explica Teixeira, em entrevista por telefone ao Jornal do Commercio. O pesquisador começou a se debruçar sobre o crime sem resposta em 2008, quando realizava um documentário sobre a Usina Hidrelétrica de Angiquinho, na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso, na Bahia, inaugurada por Delmiro em 1913 e que servia para fornecer energia elétrica à fábrica de linha do industrial e à vila erguida por ele na Pedra (AL), município hoje denominado Delmiro Gouveia, em homenagem ao cearense. O trabalho fora encomendado pela Fundação Delmiro Gouveia, que administra o sítio histórico. Ao cascavilhar o acervo histórico sobre o personagem, Gilmar Teixeira encontrou informações até então ignoradas pela historiografia de Delmiro. Fotos, vídeos, cartas, inquéritos, livros, documentos, pertences e reportagens antigas de quatro revistas e 14 jornais, incluindo o Jornal do Commercio, com cerca de 30 matérias sobre o assunto. A pesquisa resultou no livro Quem matou Delmiro Gouveia?, Obra que leva o leitor de volta à cena do crime e ao jogo de interesses que levou à morte do pioneiro nordestino. Em 153 páginas, o autor garante ter descascado uma dúvida secular.

 Lionello Iona, teria sido o principal mentor da trama?

O mentor do homicídio seria o italiano Lionello Iona, sócio e administrador das empresas de Delmiro. Pouco antes de sua morte, o cearense fez um testamento que colocava Iona como tutor da herança de seus três filhos, até que eles completassem a maioridade. O europeu, que teria redigido o documento, estava enfurecido com a recusa de Delmiro à proposta de compra da fábrica de linhas feita pela Machine Cotton e estaria cansado das humilhações impostas pelo sócio. “Delmiro era um homem à frente do seu tempo, muito inteligente, mas não lia um documento. A família dele fez um escândalo na época, pois não aceitava que Iona ficasse como tutor. Noé, o filho mais velho de Delmiro, só conseguiu retomar o dinheiro aos 21 anos. Iona, então, voltou para a Itália rico. Foi tanto recurso desviado que o contador do italiano abriu um banco logo depois”, diz o historiador.
 
A gana pela vantagem financeira, segundo ele, colocou o sócio como autor intelectual de um complô que envolveu cerca de dez pessoas, entre personagens influentes e cangaceiros. Teixeira cita como partícipe a influente família Torres, liderada pela baronesa Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres, que se via ameaçada pelo poder econômico e crescente influência política de Delmiro. “Inclusive o juiz do caso era membro desta família e facilitou para que Róseo e Jacaré levassem a culpa em vez dos verdadeiros responsáveis”, afirma. O político José Gomes de Sá teria entrado na trama pelo fato de o empresário apoiar seu maior inimigo, o coronel Aureliano Lero, que ganharia a eleição para prefeito de Jatobá de Tacaratu, atual Petrolândia. “Além disso, Zé Gomes trabalhava como fiscal de renda e foi delatado por Delmiro às autoridades por receber suborno”, observa Teixeira. Outro cúmplice seria o coronel José Rodrigues, de Piranhas (AL), latifundiário que se sentia desconfortável com a presença de Delmiro, o qual atuava também na pecuária e vendia produtos agrícolas a preços mais baixos que os convencionais.

Até Firmino Pereira, compadre de longa data de Delmiro Gouveia, é listado pelo biógrafo Gilmar Teixeira como um dos envolvidos no crime. A filha de capitão Firmino, como era conhecido na região, estaria difamada após ser seduzida por Delmiro em uma viagem ao Recife? Seu genro lhe dizia que só se casaria com a moça se o industrial fosse morto, e assim fez. De acordo com a versão do pesquisador, é Firmino, cunhado de Zé Gomes, quem contrata os cangaceiros que matarão seu amigo: Luís Padre e Sinhô Pereira, que foi o precursor de Lampião no cangaço.

 Sinhô Pereira e o primo Luis Padre em foto tirada em Pedra de Delmiro em 1917

Dois outros homens teriam dado cobertura à dupla no dia do homicídio a mando de capitão Firmino. Seriam eles o fazendeiro Herculano Soares, que havia jurado vingança depois de apanhar do empresário no meio da rua, e seu cunhado Luiz dos Anjos. “Juntei as peças do quebra-cabeça. Delmiro tinha muitos inimigos. O sucesso dele incomodava muita gente. Havia um barril de pólvora pronto para explodir. Lionello Iona, seu sócio, só atiçou as outras pessoas. Foi ele quem arquitetou o plano. Existiam muitos interesses em jogo. Fizeram reuniões para definir como tudo seria”, explana o historiador.

Na noite de 10 de outubro de 1917, Delmiro Gouveia fez o que costumava fazer. Sentou-se no alpendre de seu chalé em Água Branca (AL) para ler jornal. Foi acertado por dois tiros: um no braço e o outro certeiro, no peito, varando o coração. Um terceiro disparo deixou na parede a marca da violência. Róseo e Jacaré haviam sido mandados pelos próprios mandantes do assassinato para Sergipe, sob a alegação de que fariam um serviço para o coronel Neco de Propriá. Ao chegar lá, o trabalho foi suspenso. Quando voltaram, ambos foram acusados do crime.

Entre as mais de cem fotos pesquisadas por Teixeira, está uma de Luís Padre e Sinhô Pereira, tirada em 1917, na Vila da Pedra. “O que eles estavam fazendo lá?”, indaga. Numa entrevista em 1951, detalhada no livro, Róseo revelou a história de que foi chamado à mansão da família Torres poucos dias antes da morte de Delmiro e lá viu dois homens, chamados “Luís Pedro e Sebastião Pereira”, recebendo ordens. “Basta ligar os fatos para chegar aos nomes de Luís Padre e Sinhô Pereira como os executores de Delmiro”, assinala Teixeira, que diz não ser dono da verdade. Frisa que seu livro é, antes de tudo, uma interrogação a mais. Talvez um ponto final.

Wagner SarmentoEdição de Segunda-Feira 17 de Outubro de 2011
Jornal do Commercio

Também postado em www.lampiaoaceso.blogspot.com

Contato: gilmar.ts@hotmail.com ou graf.tec@yahoo.com.br Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 de Frete

NOTA RECEBIDA DO AUTOR: Amigo Severo, saiu matéria comigo no Jornal do Comércio, Recife, falando do nosso livro, inclusive dedicando duas páginas ao assunto, por isso Severo, quero agradecer de coração o apoio a mim dado por você em relação ao nosso livro, sem o Cariri Cangaço nada disso seria possível, pois foi aí, instigado por vocês e com espaço aberto no evento, que o livro fluiu. Ficam meus agradecimentos e estarei sempre a disposição para novas empreitadas, abraços do amigo Gilmar.

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PRISÃO DE JOÃO FERREIRA: O EXPLOSIVO DEPOIMENTO DO IRMÃO DE LAMPIÃO.

  Por José Tavares de Araújo Neto. Após ser expulso da Paraíba, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, passou a homiziar-se no...