Acervo de Edna Araújo.
Em Monte Alegre, Sergipe...
Existiu um rapaz de longilínea estatura. Seu nome era Olímpio Grande.
Era ainda um rapazinho recém-saído da puberdade. Amava morar no pequeno sítio da família. As caatingas eram a sua felicidade.
Até que, um dia, seus pais decidiram abandonar de vez a vida no campo, por medo da insegurança, dos ataques dos cangaceiros ou da ira das volantes.
Mudaram-se para um povoado distante.
O rapaz não se acostumava com a ausência daquela vida de liberdade que as caatingas lhe proporcionavam. Sentia falta de tudo aquilo que, para ele, era sinônimo de felicidade. Até que, um dia, caiu no mundo.
Para sua infelicidade, procurou o cangaço e dele passou a fazer parte.
Lá, ganharia a alcunha de Velocípede.
Dali em diante, sua vida seria marcada por riscos constantes. Pegara caminhos errantes, e o que antes lhe parecia uma aventura logo se transformaria em dias de tormento.
Poucos meses no cangaço, e veio-lhe o arrependimento.
Percebeu que agora estava preso nas caatingas. Onde antes encontrava sua liberdade, passava a viver quase como num cárcere privado.
Se fugisse dali, teria de acertar as contas com Lampião. Se encontrasse a volante, seu destino também poderia ser a morte.
No cangaço, encontrou companheiros de jornada. Tinha seus amigos: Zabelê, Beija-Flor, Passarinho e Correnteza.
Juntos, entoavam um verso inspirado na imensa tristeza que consumia o jovem:
“Óia, digam ao pai José que estou chorando de arrependimento.
Em Monte Alegre, eu era chamado de Olímpio Grande... agora me chamo Velocípede.”
E assim seguiam seus dias, entre o arrependimento e a tristeza.
Até que, um dia, o cangaceiro conseguiu fugir.
Por ingenuidade ou inexperiência, não foi para muito longe. Saiu do cangaço, mas não saiu da cidade que tanto amava.
Voltou para Monte Alegre.
Lá, pediu ajuda a um caboclo chamado José Rodrigues, homem muito conceituado naquelas redondezas, que, mais tarde, viria a ser prefeito.
José Rodrigues aconselhou o jovem a se entregar à Justiça. Acreditava que esse seria o caminho certo.
Só assim poderia livrar aquele pobre rapaz das mãos do temido Cabo Nicolau ou da vingança de Lampião.
O Cabo Nicolau era perverso, de uma crueldade assustadora.
No dia em que Olímpio tentaria se entregar, o sádico cabo ficou sabendo dos planos.
Saiu em sua perseguição, como um cão raivoso, sedento por sangue.
Ainda era madrugada quando, acompanhado de seus homens, alcançou e cercou os viajantes que seguiam em direção a Itabaiana.
Zé da Silva tentou interceder pela vida de seu protegido. Ali mesmo, fez sua defesa.
Explicou que se tratava de um jovem rapaz que havia entrado para o cangaço, mas estava arrependido e desejava se entregar à Justiça.
Como se nada tivesse ouvido, como se nenhuma palavra lhe tivesse sido dirigida, o Cabo Nicolau, que parecia sentir prazer na dor e no sofrimento alheios, ordenou que Olímpio Grande se ajoelhasse.
Em seguida, disparou três tiros contra o rapaz e desferiu-lhe duas punhaladas que lhe atravessaram o peito.
Velocípede caiu ao chão, sem vida.
Mas a crueldade não terminou ali.
O cabo ordenou que lhe cortassem a cabeça. Depois, ela foi levada para o quartel.
Lá, seria exposta em frente à igreja, juntamente com seus pertences, na cidade de Glória.
E assim terminou a história de mais um jovem sertanejo que, naqueles anos, se encantou com as ilusões do cangaço e, ainda muito jovem, padeceu sob o peso de suas escolhas.
Todos pagaram muito caro pelo destino que escolheram.
Nasceu livre... morreu sem nome e sem sobrenome.
Fonte de pesquisa: Lampião em Sergipe, de Alcino Alves Costa.
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ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!
Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C.
"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte pergunta:
- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?
E o mestre lhe respondeu:
- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".
Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.
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