Escritor do ano na Paraíba, homenageado pelo IFPB.
Nada é mais satisfatório do que obter o justo e merecido reconhecimento. E nada mais gratificante do que ver um grande homem sendo honrado, sobretudo um conterrâneo nosso. E se é pra ser louvado, que seja em vida para continuar o sendo também, sempre, pois todo reconhecimento é um ato de gratidão; e a gratidão é no dizer do poeta e filósofo picuiense Abílio César: “– traço nobilitante do homem de caráter!”
A verdade é que, no campo das Artes e das Letras nem todos são assim agraciados em vida pela dama fortuna ou pelos gênios do fado e do destino. Nesta parca lista inserem-se alguns como: Bernardo Guimarães, Machado de Assis, José de Alencar, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Patativa do Assaré, Antônio Francisco, Chico Pedrosa, Cecília Meireles, Auta de Souza, Zila Mamede, dentre outros.
Antônio Kydelmir Dantas de Oliveira é um paraibano que teve essa honra e felicidade, e merecidamente. Este ano, ele foi escolhido para ser homenageado pelo IFPB, em todo território paraibano e o 5º SELICULT – Seminário de Linguagens, Literatura e Culturas do IFPB – Campus de Picuí, o homenageou com uma programação especial, ampla, variada, rica e belíssima. Vieram prestigiá-lo de perto e de longe, da Paraíba e de fora dela. As homenagens ao poeta este ano por parte do IFPB de todo o estado abrangeram ainda o 4° Concurso Literário do IFPB e o 3° Festival de Arte e Cultura do IFPB - Campus de Cajazeiras.
O escritor destinatário desta láurea é um veterano, sertanejo “testado e aprovado” nas lides mais diversas dos chãos catingueiros que vão desde o Seridó e Curimataú e por toda a Paraíba, passando pelos chãos da terra potiguar, onde viveu por cerca de trinta anos, marcando-a e sendo marcado pelas águas, sol, sombras e poeiras de Mossoró, onde constituiu família e fez longa carreira. Daí que se designa de “paraiguar”, paraibano e potiguar este bardo, que é simultaneamente mestre e menestrel; poeta e cordelista, professor e pesquisador; cronista e ensaísta; agrônomo e escritor, em suma, um entusiasta das coisas nordestinas: de Lampião, rei do Cangaço a Luiz Gonzaga, rei do Baião; do Folclore de Câmara Cascudo à Ariano Suassuna; do Cinema, a Sétima Arte às culturas nordestinas em geral, como as coisas, as evocações dos humores, amores e reminiscências de sua grei, de sua terra, sua gente e de tudo o que emana de dona Angelita Dantas, sua querida mãe e de seu Né, seu dileto pai; sendo ambos: solo, húmus e semente do seu ser, constituindo-o nesta essência inspiradora e contagiante.
O evento durou três dias consecutivos, de 04 a 06 de dezembro do ano da graça de 2025, com a realização de minicursos, palestras, exposições, mesas-redondas, apresentações de trabalhos e oficinas, além de lançamento de livros. Teve, ainda, a presença de autores, poetas, estudantes, estudiosos e escritores picuienses, de outras cidades paraibanas e potiguares, que vieram abrilhantar o evento e prestigiar o homenageado. Vale salientar que, na Paraíba esta é a segunda grande homenagem feita por uma instituição pública, nesse caso, pelo IFPB a Kydelmir Dantas. A primeira foi realizada pela 4ª Gerência Regional de Educação – Cuité/PB, que o homenageou como o autor do ano de 2019 na I Festa Literária da Rede Estadual de Ensino (FLIREDE) e em 2021 ele foi eleito Poeta Destaque por uma agência de publicidade do estado do Rio Grande do Norte.
E assim, se me perguntas: – Quem é o homem? Eu te respondo parafraseando Nietzsche: – Ecce homo! ( – Eis o homem!)
É o andarilho errante nas sendas das coisas boas, que por onde passa aspira e inspira benfazejas ações e impressões, colhendo os bons frutos e plantando a boa semente, dentre as sementes que a terra e cultura mãe nordestina e brasileira nos possam dar. Poço fundo e inesgotável da melhor aluvião que há, mitigando secas, transpondo cercas de lá e de cá, nele há um pouco de tudo que é cultural, pairando aí a essência armorial, que lhe plantou no espírito seu primo Ariano Suassuna. Seja em essência ou de fato, pelo que exala ou faz, é um epítome completo do autêntico nordestino reunindo em si todas as facetas de um genuíno sertanejo, pois nele há um pouco de tudo, do tudo que a terra catingueira dá: é cantador, é repentista ou rabequeiro; é o bardo, aedo, jogral ou trovador, herdeiro das baladas medievais e das trovas ibéricas; é o seresteiro ou boêmio das noites estreladas, o apoiador dos desertos da caatinga, bandoleiro das hostes lampiônicas, o violeiro em noites enluaradas; é o forrozeiro com o pé na gafieira, nos sambas às altas madrugadas, o vaqueiro nos campos da Petrobras; é o obstinado historiador do cangaço desde Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Lampião, Chico Pereira e todos os demais; também das mulheres cangaceiras, das cordelistas pioneiras; é o consultor histórico do espetacular Chuva de Bala no País de Mossoró que um dia aportou por uns tempos em Currais; é o humanista magnânimo, filantropo e altruísta, mão rápida em servir e ajudar, sem ser de julgar nem apedrejar, coroado dos mais nobres atos de profunda humanidade; cultor da Cultura, Letras e Artes brasileiras e locais; Dom Quixote nordestino, aguerrido, pelos nobres e elevados ideais; ser de vida rural e urbana, homem de fibra, de lealdade e de fé; grande na dignidade e na simplicidade, de sorriso farto e o coração mais grande ainda é para nós um baluarte, amante da equidade e da justiça; devoto, que nunca melindra e nunca de tão pouco se ufana, mas ama as coisas suas, da sua terra, da sua gente e aos seus infalivelmente. Atualmente com pouso em Nova Floresta, sua terra natal, eis, o poeta Kydelmir Dantas, pai de Joaquim Adelino e João Daniel, filho de Angelita e seu Né.
Viva Kyldemir Dantas, o bardo da nossa terra!
Damião Siridó
14 do12 do ano da graça de N. S. Jesus Cristo de 2025
Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.
Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito.
Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima.
As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado!
Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão.
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.
Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.
A História do Desastrado Casamento de Maria Bonita Com o Sapateiro Zé de Neném, Sua Fuga Com Lampião e as Perseguições Policiais a Sua Família.
Por Sálvio Siqueira
São José do Egito, Pernambuco
Maria Gomes de Oliveira, segunda filha do casal José Gomes de Oliveira, José Felipe e de dona Maria Joaquina Conceição de Oliveira, Maria Déa, como toda moça no desvirginar da adolescência, sonha em casar e ter seu ‘príncipe encantado’ ao seu lado por toda a vida.
Nos sertões nordestinos esses sonhos eram, na maioria das vezes, uma maneira de fugir, escapar, do modo, maneira, ao qual eram tratadas as meninas pelos pais.
A criação não era nada fácil para um casal de agricultores, vivendo exclusivamente do que a roça lhes oferecia. O maior temor de um pai, ou uma mãe de família, naquela época era ter sua filha vendendo seu corpo nos cabarés das cidades. Principalmente a mãe, pois o machismo reinante faziam-na exclusivamente culpada. Com esse receio, em vez de educar, mostrando o fato, como a coisa se dava, e assim ela própria teria tempo para construir uma forte ‘muralha’ como defesa, os pais faziam eram manter suas filhas como escravas, ensinando, quando ensinavam, como ser obedientes em tudo ao marido. Logicamente, como em toda regra tem exceção, nessa também teve a sua.
O Casório…
Como em toda adolescência faz-se os grupinhos de moças e rapazes, com particulares e ‘segredos’ entre eles, naquele tempo, também tinha. Nos anos que se seguiram, Maria foi ‘ganhando’ uma ruma de irmãos, e fazendo amizades com algumas primas e primos. Logicamente todo mundo teve sua, ou seu, confidente, e Maria Gomes, Maria de Déa, tinha sua prima Maria Rodrigues de Sá como tal. Nas festividades, sambas e forrós que tinham na região, nas cidades de Santa Brígida, Santo Antônio da Glória e Jeremoabo, todas no Estado baiano, as quais ficavam mais perto de seu lugarejo, Malhada da Caiçara, pelos cálculos da época, como suas primas e amigas, Maria de Déa arrumou namoricos com um ou outro rapaz. Quis o destino que Maria se apaixona pela primeira vez por um de seus primos chamado José Miguel da Silva, por todos conhecido como Zé de Neném, da mesma localidade em que nascera, na Malhada da Caiçara, tendo uma espécie de ‘atelier’, ou um quarto de trabalho, um local para trabalhar, em Santa Brígida, onde exercia sua profissão de sapateiro.
Zé de Neném
“(…) Zé de Neném era filho de Pedro Miguel da silva conhecido por todos na região pela alcunha de Pedro Brabo e Maria Conceição Oliveira, apelidada de Neném. O parentesco do sapateiro com Maria de Déa vinha por parte da sua avó, Generosa Maria da Conceição, uma senhora que era conhecida pelo apelido de Juriti e que era irmã de Zé Felipe, pai de Maria (…).” (“A trajetória guerreira de Maria Bonita – A Rainha do Cangaço” –LIMA, João de Sousa. 2ª Edição. Paulo Afonso, BA, 2011)
Foto da casa dos pais de Maria Bonita.
Como a família de Maria Gomes, a família de Zé de Neném era bastante grande. Naquela época não havia os meios contraceptivos atuais e, com toda certeza, fazer, fecundar, filho era como se fosse um investimento para o futuro, erroneamente pensavam assim os catingueiros. No futuro eles iriam ajudar os pais nas lidas diárias das fazendas, essa, e simplesmente essa, era a razão. Dentre as irmãs do sapateiro, destacamos Mariquinha Miguel da Silva, que, em determinada época, deixa seu marido, Elizeu, que era proprietário da fazenda Ingazeira onde moravam, e dana-se no mundo sombrio e incerto do cangaço com o bandoleiro Ângelo Roque, chefe de um dos subgrupos do bando de Lampião, que tinha a alcunha de ‘Labareda’.
Maria e José casam-se.
Não demoraria muito para que se começassem as incompatibilidades.
A Separação…
Maria era por demais ciumenta e seu esposo, Zé de Neném, um verdadeiro ‘pé de forró, não saindo dos sambas.
Certa feita, estando Zé em um dos vários botecos, bebendo com alguns conhecidos, chega Maria e arma o maior escarcéu. Zé se defendia das acusações de Maria até quando pode, porém, a baiana encontra em um de seus bolsos uma lembrança de uma ‘amiga’, um pente com o nome da mesma. Nisso o pau quebrou pra valer. E a já conturbada vida a dois entre Zé e Maria, pelo fato de Maria não engravidar, desmorona-se de vez.
“(…) Maria encontrou um pente em um dos bolsos do marido, com o nome de uma moça gravado no objeto (…). Este tipo de discussão e separação tornou-se uma constante e marcou significativamente o relacionamento dos dois (…). O casal não chegou a ter filhos. Alguns amigos confirmam a esterilidade do sapateiro Zé de Neném, que não chegou a engravidar nenhuma das mulheres com quem viveu (…).” (Ob. Ct.)
Pois bem, nessa, como em tantas outras ‘separações’, Maria Gomes correia a procura dos braços acalorados e protetores de seus familiares, apesar de seu pai, Zé Felipe, não concordar com tais separações, ela assim procedeu por várias vezes.
E Chega Lampião!!!
Em uma dessas separações, já se indo alguns dias, mais ou menos quinze dias de Maria estar na casa de Déa, sua mãe, ela, por um acaso conhece o “Rei dos Cangaceiros”. Achamos, particularmente, que num ímpeto, Maria deixa aflorar seu ego, e permitiu que se falasse o cupido. Tanto Maria, quanto Lampião sente alguma coisa dentro deles de cara. A atração foi dupla e contagiante. Lampião, que tanto fez arapuca, tanta emboscada aprontou, caiu de quatro pela armadilha que o destino lhe fez. A morena da Malhada da Caiçara acabou de domar uma fera nascida e criada na região pernambucana do Pajeú das Flores. Não podendo mais esconder sua paixão, Lampião inventa de inventar uma encomenda, vários bordados em lenços de seda, simplesmente para ter a desculpa, de vindo ver se tinha algum lenço pronto, vir mesmo era Maria. Sabedora dos planos de Virgolino, Maria, logicamente aceita a encomenda e trata de, também, curtir aqueles raros momentos.
“(…) Era uma sexta-feira, Lampião pisou o batente da casa de Zé Felipe e Maria Déa. Odilon Café apresentou ao cangaceiro uma das filhas daquele casal, que no momento se encontrava ali, por estar separada do marido.
Novos sentimentos renasceram naqueles minutos seguintes. Depois de uma rápida conversa, lampião pergunta a Maria:
– Você sabe bordar?
– Sei!
– Vou deixa uns lenços pra você bordar e volto daqui a duas semanas pra buscar!
Este foi o primeiro diálogo realizado entre Lampião e aquela que seria a sua grande companheira e eterna paixão, até o fim da vida (…).” (Ob. Ct.)
A partir de determinado tempo, ou de um dos encontros entre eles, não teve mais volta. O pai de Maria Gomes, Zé Felipe, não aprovava o namora entre ela e Lampião. Já por outro lado, sua mãe, Maria Déa, parece que até ‘cortar jaca’, cortou, para que eles se encontrassem.
Violência Policial Contra A Família De Maria Bonita
Naquele tempo, a casa que recebesse com maior constância visita de cangaceiro, com toda certeza, logo, logo receberia a visita de alguma das volantes que caçavam os grupos. Então, rastejando os vestígios dos cangaceiros, as volantes terminaram fazendo, também, várias ‘visitas’ a casa da fazenda do pai de Maria Gomes, Zé Felipe. Com o aperto que deram no velho patriarca, cacete nele e sua família, até Zé de Neném foi pra debaixo da madeira, Zé Felipe resolve mandar sua filha para casa de um parente na fazenda Malhada, nas Alagoas. Para que assim, as volantes os deixassem em paz. Ao saber disso Lampião vai e dá um ultimato para Zé Felipe, ou ele manda buscar sua Filha em terras alagoanas ou ele destrói a fazenda com tudo que nela existia. Sem ter, novamente, uma saída, Zé Felipe manda alguém buscar Maria, sua filha.
Maria Bonita – Fonte – blogs.ne10.uol.com.br
Ao retornar, Maria Gomes percebe o quanto sua família estava envolvida numa encrenca desgraçada por seu romance com o ‘Rei do Cangaço’. Nesse momento, ela toma uma decisão importante que mudaria a vida de muita gente, principalmente a do pernambucano fora-da-Lei, para que a Força Publica deixasse seus familiares em paz. Quanto da localidade de onde Maria Gomes resolvera seguir com Lampião, não fora na fazenda onde nascera, a Malhada da Caiçara, e sim, numa outra localidade, onde cuidava de sua avó materna, Ana Maria, que estava enferma, denominada Rio do Sal.
Ao contrário do que pensou, planejou Maria de Déa, a Força Pública não se afastou da casa de seus familiares, pelo contrário, as visitas tornaram-se mais constantes e violentas, tendo como alvo principal o velho Zé Felipe, seu pai.
Estando já a não aguentar mais tanta pressão e cacete, Zé Felipe recebe a visita de um dos soldados da volante, que era seu amigo Antônio Calunga, dizendo-lhe que o comandante da volante recebera ordens superioras de acabar totalmente com a fazenda Malhada da Caiçara, matando todos que naquela ribeira moravam.
Zé Felipe, pai de Maria Bonita.
Zé Felipe agradece ao amigo, junta sua família, desce rumo às águas do “Velho Chico” aluga uma embarcação, coloca todos dentro e passa para o solo alagoano. Vai montar residência no sítio chamado ‘Salgado’, no município de Água Branca. Porém, sua estada nele é curta. Pega suas trouxas novamente, levanta acampamento, junta seus familiares e parte rumo ao local denominado ‘Salomé’, o qual, hoje é a cidade de São Sebastião.
Nessa agonia, tendo de deixar suas terras por serem perseguidos e maltratados, constantemente, pela volante, um de seus filhos, conhecido como Zé de Déa, resolve juntar-se ao cunhado, Lampião. Lá estando, conta por tudo que seu pai, sua mãe, seus irmãos e irmãs passam. Lampião ordena que se façam as vestes, bornais, cartucheiras, em fim, toda a tralha de um cangaceiro para seu ‘cunhado’, e separar-se, também, as armas para o mesmo usar. No entanto, Maria sua irmã, não permiti que ele use armas. Mesmo estando por mais ou menos oito dias no acampamento, Zé de Déa e sempre aconselhado pela irmã para não fazer parte daquela vida em que ela metera-se. Termina o irmão por ceder aos conselhos da irmã.
O “Rei dos Cangaceiros”, através da sua malha de informantes, sabe da fuga do sogro e sua família, assim como tem o conhecimento da ordem e do nome do policial comandante incumbido da tarefa de matar toda a família de Maria, sua amada, que seria o tenente Liberato de Carvalho.
Recado De Capitão Para Capitão…
Maria Bonita cangaceira
Certo dia chega a casa onde moravam Zé Felipe e sua família, uma volante policial. Começam a destruir as coisas, matam alguns animais que estavam soltos, mas, próximos a casa. Sem ninguém da família na casa para saciar a ira dos volantes, sobra para um morador das redondezas, que seria, segundo indicaram, um coiteiro, o qual é colocado debaixo de cacete e depois assassinado pela tropa.
“(…) Uma volante visitou a casa de Zé Felipe e não encontrando ninguém, quebraram as madeiras dos currais, destelharam e quebraram parte do telhado da residência, matando alguns animais. Menos sorte teve o coiteiro Manuel Pereira, conhecido como Manuel Tabó, que por não ter fugido acabou sendo espancado e morto pelos soldados (…).” (Ob. Ct.)
Lampião, sempre ardiloso, sabia que partir para enfrentar de cara a volante, indo a desforra, pelo que fizera nas terras da Malhada da Caiçara, usa de outra artimanha. Ordena a um de seus ‘cabras’’ que vá em determinado lugar, e peça a determinada pessoa para vir vê-lo. Essa pessoa já havia, em outras oportunidades, feito o mesmo que ele o enviaria para que fizesse.
Essa pessoa era conhecida pelo apelido de Tonico, e era irmão de Zé de Neném, ex marido de sua companheira Maria de Déa.
Atual Delegacia de Polícia Civil de Jeremoabo, o antigo aquartelamento dos tempos do Cangaço – Fonte – Rostand Medeiros
Lampião escreveu uma missiva e determina que o jovem a leve ao Capitão João Miguel, em Jeremoabo, BA. Assim, o jovem após dar voltas e ter a certeza de não estar sendo seguido, parte rumo ao destino determinado. Lá chegando, procura o oficial no QG.
“(…) Tonico seguiu em direção ao quartel, sendo recebido por um sargento que fazia a guarnição e lhe perguntou:
-O sinhô qué fala cum quem?
-Com o Capitão João Miguel!
-Eu posso resolver?
-Não, tem que ser com o Capitão!
O sargento foi até a sala do capitão, retornou alguns minutos depois e pediu para que Tonico o seguisse até a sala do oficial (…).” (Ob. Ct.)
Tonico era frio, Lampião sabia escolher a pessoa certa para cada missão específica. E essa era bem difícil de ser cumprida, pois tinha que o colaborador entrar em um quartel militar. Chegando diante do capitão, esse dispensa o sargento e recebe o papel que lhe é entregue pelo portador.
“(…) O Capitão João Miguel, depois que leu o bilhete, falou: “Se você está numa missa dessa, não é preciso pedir segredo, pois você deve ser da confiança de Lampião”.
Os dois conversaram secretamente, trancados dentro da saleta. O Capitão João Miguel mandou a resposta: diga ao Capitão que pode mandar o sogro dele voltar, pois a partir de hoje não passará mais nenhum soldado na sua porta.
Na manhã seguinte, ao despertar, Tonico regressou da sua missão, trazendo consigo, a promessa positiva de que nenhuma volante iria mais importunar aquele pedaço de chão e sua gente V…).” (Ob. Ct.)
Vejam que Virgolino não só sabia manejar as alavancas das armas que usou, mas, também, com tinta, pena e papel, fazia suas defesas diante de uma guerra particular, imposta por ele mesmo, contra seus inimigos.
Uma das coisas que mais ocorreu no cangaço foi à traição, tanto do lado dos cangaceiros e coiteiros, como mesmo do lado daqueles que os davam combates. E essas atitudes, tomadas por dinheiro ou ‘favores’, foram mais um motivo para que Lampião prolongasse por quase vinte longos anos, seu reinado de sangue, lágrimas e mortes nas entranhas do sertão nordestino.
Fonte “A trajetória guerreira de Maria Bonita – A Rainha do Cangaço” – LIMA, João de Sousa. 2ª Edição. Paulo Afonso, BA, 2011.
Foto Ob. Ct.
Benjamin Abrahão
https://www.facebook.com/groups/545584095605711/
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Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito.
Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.
Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima.
As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado!
Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão.
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.
Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.
Após ser expulso da Paraíba, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, passou a homiziar-se no Cariri cearense. Seu local de refúgio mais constante foi a Serra do Mato, sobretudo em terras pertencentes ao fazendeiro Antônio Joaquim de Santana, figura de reconhecida influência regional, comumente identificado como coronel Santana.
Coronel Santana
Nesse espaço serrano, Lampião e seu bando estabeleceram sucessivos acampamentos, utilizando a geografia da serra como abrigo natural e como base de deslocamento entre os Estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
A permanência do grupo na Serra do Mato coincidiu com a intensificação da vigilância policial cearense sobre os vínculos de apoio logístico atribuídos ao cangaço. As autoridades passaram a investigar parentes próximos de Lampião, residentes em Juazeiro, apontados como intermediários na aquisição de armas e munições destinadas ao bando. Em janeiro de 1927, o delegado de Juazeiro efetuou a prisão de João Ferreira, irmão de Lampião, juntamente com José Dandão, Pedro Raimundo, Sebastião Paulo e João Marreco.
Logística para compra de munição e suprimentos
Segundo comunicação oficial encaminhada ao chefe de polícia, além de João Ferreira, José Dandão foi identificado, de forma equivocada, como irmão de Lampião, enquanto Pedro Raimundo figurava como cunhado. Todos foram acusados de atuar como agentes na compra de munições, ao passo que os demais presos respondiam a processos criminais em diferentes comarcas do sertão pernambucano.
A prisão desse grupo foi divulgada como parte de uma ofensiva mais ampla contra a rede de sustentação do cangaço, indicando a pressão exercida pelas forças policiais sobre os chamados lugares-tenentes e colaboradores do bando. Os registros da época destacam que tais detenções tinham como objetivo desarticular os canais de fornecimento de armamento, considerados essenciais para a continuidade das ações de Lampião e de seus homens, especialmente daqueles que operavam a partir da Serra do Mato.
Em e janeiro de 1930, a imprensa publicou um depoimento de João Ferreira, colhido em Vila Bela (atual Serra Talhada, Pernambuco), no contexto das investigações policiais então em curso sobre a atuação do cangaço no Cariri cearense. No relato, João Ferreira descreveu a atuação de Lampião e a utilização recorrente da Serra do Mato, no município de Missão Velha, como área de homizio e base de operações. Segundo declarou, Lampião acampou por diversas vezes em terras pertencentes ao Coronel Santana, utilizando a região como ponto de abrigo, reorganização e deslocamento para ações nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
No curso de suas declarações, João Ferreira afirmou que Lampião mantinha contatos regulares com o Coronel Santana, recebendo armas, munições e orientações para deslocamentos e ações em estados vizinhos. Relatou que, em diferentes ocasiões, Lampião saía reiteradamente da Serra do Mato para cumprir determinações atribuídas ao Coronel Santana, retornando posteriormente ao mesmo local.
Declarou ainda que, em uma das primeiras idas de Lampião a Juazeiro, este portava carta do Coronel Santana destinada a seu filho, Juvêncio de Santana, então juiz de direito, solicitando a obtenção de armamento e munições. Essa confidência indica que a presença de Lampião em Juazeiro não se restringiu ao episódio relacionado ao chamamento para o combate à Coluna Prestes.
João Ferreira irmão de Lampião.
João Ferreira declarou ter presenciado ou tomado conhecimento de remessas de munição destinadas a Lampião, transportadas até a Serra do Mato, inclusive por ocasião do fogo da Piçarra, no município de Porteiras. Segundo afirmou, essas cargas teriam sido encaminhadas por ordem do Coronel Santana, com o auxílio de intermediários que também atuaram como guias do bando até localidades como Brejinho, no município de Barbalha, de onde seguiram para Aurora e, posteriormente, para o ataque a Mossoró, no Rio Grande do Norte.
De acordo com o depoimento, propriedades pertencentes a parentes e aliados do Coronel Santana eram utilizadas como pontos de apoio, abrigo temporário e locais de reunião de cangaceiros. João Ferreira citou Antônio Francisco, genro do Coronel Santana, cuja casa serviu como ponto de passagem e reunião, bem como Cícero Santana, destinatário de recursos arrecadados por meio de cobranças realizadas pelo bando. Relatou que Manoel Marcelino (Bom-de-Veras) esteve na residência de Antônio Francisco trazendo dinheiro e uma mulher capturada às margens do rio São Francisco, entregando ao referido aliado a quantia de dezoito contos de réis.
O depoimento registrou a atuação de outros integrantes do cangaço, entre eles Vinte e Dois (irmão de Bo-de-Veras), Sabino e Bem-te-vi, com referência a encontros, fornecimento de armas, entrega de valores em dinheiro e ordens para ataques contra adversários locais. João Ferreira mencionou ainda a cobrança de quantias em dinheiro a fazendeiros da região, realizada por intermédio de emissários do bando, bem como a destinação desses recursos a interesses atribuídos a aliados do grupo.
João Ferreira afirmou ainda que, no início de 1926, quando o sargento Firmino Zeferino da Rocha, conhecido por Firmino Gago, o escoltava de Juazeiro para Salgueiro, tomou-lhe um relógio e uma burra com sela e demais arreios, bens que somente lhe foram restituídos cerca de um ano depois, por determinação do Major Moura Brasil.
Disse que na ocasião em que o sargento Firmino Gago indo deixá-los, ele João Ferreira e os seus parentes na cadeia de Salgueiro, no Estado de Pernambuco, tratou de intimidá-los dizendo trazer ordens para assassiná-los, o que não faria mediante um resgate de cinco contos de réis, o que ele aceitou, mas não tendo dinheiro escreveu ao seu irmão Lampião pedindo-lhe esta importância, o que ele fez, vindo até o sítio Silvério distante da Serra do Mato dois quilômetros, de onde mandou a referida importância para o Gago e que dessa data em diante Lampião e o sargento ficaram se comunicando por seu intermédio, pois recebia e enviava cartas de um para o outro.
Relatou também que, por duas vezes, emissários vindos da região do Pajeú procuraram Lampião, a mando do dr. Juvêncio de Santana, com o objetivo de levá-lo a Santana do Cariri para interromper a eleição que se realizava no mês de fevereiro de 1926, proposta que, segundo declarou, Lampião recusou-se a aceitar.
Ainda segundo o depoente, em certa noite os grupos chefiados por Sabino e por Manoel Marcelino, o Bom-de-Veras, reuniram-se na residência do Coronel Santana, seguindo em seguida para a casa de Antônio Francisco, de onde partiram para assediar a cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba (28 de setembro de 1926).
O deslocamento contou com a atuação de guias identificados como o próprio Coronel Santana, Antônio Francisco, Chico Chicote e seu guarda-costas Pedro Severino, este último posteriormente assassinado por um soldado sob o comando do sargento Firmino Gago, após haver revelado informações atribuídas a seus patrões.
João Ferreira afirmou que, por ocasião do ataque a Cajazeiras, Manoel Marcelino, o Bom-de-Veras, tomou um anel de um engenheiro, fazendo presente do objeto a Antônio Francisco, genro do Coronel Santana.
João Ferreira afirmou também que alguns cangaceiros abandonaram o bando, entre eles Português, José Lúcio, Moreno e Ricardo, passando a homiziar-se em propriedades ligadas a Cícero Santana, na Serra do Mato. Relatou que Moreno teria emprestado quinze contos de réis a esse aliado, sem posterior restituição. Citou ainda Coqueiro, que seguiu para o Piauí, foi preso em Picos, evadiu-se e retornou à Serra do Mato, onde passou a contar com proteção policial.
No âmbito das autoridades, João Ferreira mencionou Manuel de Santana, filho do coronel Santana, promotor em Barbalha, e seu cunhado Antônio Coelho, apontados como protetores de cangaceiros, bem como José Francisco, neto do Coronel Santana, acusado de ordenar ações armadas. Que o dr. Manuel de Santana quando sabia de diligências para a Serra do Mato escrevia ao seu pai mandando ocultar os bandidos.
O conjunto dessas declarações foi incorporado aos autos policiais como elemento destinado a demonstrar a existência de uma ampla rede de apoio ao cangaço no Cariri cearense, envolvendo parentes, fazendeiros, cangaceiros, intermediários e agentes armados, tendo a Serra do Mato como núcleo central das operações atribuídas a Lampião.
O depoimento de João Ferreira evidencia que ele mantinha vínculo direto e permanente com o irmão, acompanhando suas atividades, intermediando comunicações, participando de tratativas logísticas e atuando de modo efetivo em ações relacionadas à manutenção, ao financiamento e ao funcionamento do bando.
#José Tavares é historiador e pesquisador do Cangaço.
Imagem ilustrativa IA
https://blogdojoaocosta.com.br/?p=3355
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