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01 janeiro 2016

COMO LAMPIÃO BOTOU O RABUDO PRA CORRER E RUMOU EM DIREÇÃO AO CÉU (UM PROSEADO MATUTO)

Por Rangel Alves da Costa

Lampião não era brincadeira não, assim começava um dos causos acerca do capitão cangaceiro entre tantos que já ouvi nas tardes de proseados sertanejos. Debaixo do pé de pau secular, amendoeira que derramava suas folhas largas pelo chão de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, velhos amigos se reuniam para falar da estiagem medonha, da coivara que quase incendeia todo o sertão, do coronel que acabou sendo chibatado pelo humilde escravizado. Mas quando o assunto era o Capitão Lampião o proseado chegava a entrar na boca da noite.

Zé Titonho era o mais sabichão, ou o mais loroteiro, como dizia o outro. E de sua matutação sempre surgia algum causo de amansar burro brabo. E foi dele que ouvi a história de como Lampião botou o rabudo pra correr e depois rumou em direção ao céu. Noutras palavras, quando Lampião renegou o caldeirão fervente e preferiu se acoitar prazerosamente às sombras do paraíso celestial. E uma história pra lá da gota serena de boa.

Segundo Zé Titonho, antes mesmo de morrer o Capitão Lampião já estava com destino certo. Por mais que se mostrasse devoto fervoroso de santos e anjos, por mais que sua fé fosse demonstrada a cada pausa na luta, por mais que vivesse levando patuás, rosários e rezas escritas em papel, ainda assim sua destinação já estava decidida: ia para os quintos. As ações violentas e as brutalidades praticadas pelos seus comandados, e até por mão própria, suplantavam em muito os limites do perdão na hora de bater as botas e procurar avistar uma fresta de luz lá em riba.

O Capitão Virgulino, temeroso como era das coisas sagradas, se afligia todo ao imaginar acerca de seu destino após se despedir dessa vida. Ora, sair de um fogo eterno e entrar em outro não era boa coisa não. Sair de um suplício a cada passo e amargar a aflição eterna não era coisa pra ninguém desejar. Por isso mesmo que se aperreava todo ao se imaginar sendo jogado no coito do sofrimento ao invés do repouso dos justos. Mesmo de fé abnegada, sabia que seus pecados já haviam chegado ao conhecimento do rabudo. E certamente este o esperava para o devido trato.

A não ser a Maria Bonita, a ninguém mais confessava suas preocupações. E também nunca espalhou o que planejava acaso não tivesse mesmo jeito. Ou seja, o que imaginava fazer quando fosse jogado perante os portais do fogo e do contínuo sofrimento. Mas tinha uma estratégia pronta para quando se deparasse com tal situação. Jurava a si mesmo se o rabudo não iria se arrepender em querer jogar no tacho ardente um homem como ele, católico, religioso fiel, honrado e filho de um pai maior.

E não deu outra. Quando o Capitão bateu as botas lá pelas bandas do Angico, todo o mundo da escuridão e do suplício entrou em festa. O coisa-ruim mandou abrir uma cachaça para comemorar, as fogueiras foram atiçadas, os caldeirões ficaram mais ferventes e as veredas do sofrimento devidamente renovadas. Tudo para receber o Capitão Lampião. E não demorou muito para que Caronte anunciasse a chegada do homem.

Matreiro como era, estrategista sem igual, Lampião fez toda a travessia do rio dos condenados sem demonstrar qualquer preocupação. Pelo contrário, quase fazia o feioso barqueiro perder as estribeiras e desistir de levá-lo depois de tanto fazer perguntas. Perguntava como era o chifrudo, se ele era fedorento mesmo, se por lá havia buchada, carne de bode, feijão de corda e farinha seca com rapadura. 

Assim que foi ordenado a descer, o Capitão logo avistou o coisa-feia à sua espera. Soltava tanto fogo pelas ventas que mais parecia um vulcão irrompendo. Acenou, cumprimentou sorrindo e até perguntou como o amigo suportava viver num lugar tão quente como aquele. Antes de entrar pediu licença para rezar e depois se ajoelhou. Lançou mão de um rosário, tirou uma reza do embornal, depois entoou em voz alta, quase gritando: Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome... Não pôde prosseguir ante o estrondo que ouviu: Pare com isso seu desgraçado, aqui é mundo da escuridão e não o que está pensando. Era o coisa-ruim em tempo de endoidar.

Mas o pior veio depois. Lampião puxou um punhal e saiu riscando cruzes por todo lugar. Tirou uma arma da cintura e mirou no meio do rio. Caronte desabou na água fervente pra não mais subir. E ao mirar nas ventas do coisa-feia, este logo bradou: tanto faz um foguinho a mais ou a menos. Mas não esperava a saraivada de balas que recebeu. Espantado com a valentia do homem, recuou para chamar ajuda do cachorro de quatro cabeças. Mas quando retornou o canto estava mais limpo.

Vendo a coragem de Lampião, lá do alto foi-lhe concedido perdão imediato. E anjos cuidaram de levá-lo à presença do Senhor. Salvo estava, mas não sem antes ouvir umas poucas e boas. E foi assim que Zé Titonho terminou seu proseado.


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31 dezembro 2015

NO TEMPO DO TINTEIRO E DA PENA

Por José Mendes Pereira

Até a década de 60, do século XX, a criação de canetas modernas ainda não havia chegado no Brasil, isto é, uma maneira mais simples para estudantes, principalmente aqueles que residiam nas pequenas cidade, vilarejos e campos. Até as carteiras escolares dessa época, tinham nelas, orifícios onde se colocavam os tinteiros que eram cilíndricos, espécie de um pequenino jarro, fabricado de vidro, porcelana, prata, latão ou outro material semelhante, e que servia como recipiente de tinta para a pessoa que estava escrevendo. O usuário mergulhava o bico da pena no tinteiro, quando sentia que a tinta estivesse acabando na ponta da pena. Esta invenção foi criada no ano de 1884.
  
www.geralforum.com

Se algum dos alunos sentisse que a tinta do seu tinteiro havia se acabado, solicitava que a professora fizesse o abastecimento de mais tintas, para que ele continuasse a sua obrigação escolar. Existiam vários modelos de carteiras, mas a que era mais usada nas escolas era carteira individual, isto é, apenas para acomodar um aluno.

  www.patriamineira.com.br

Atualmente a pena é mais utilizada por artistas, devido ao seu formato especial, que permite usufruírem facilmente do chamado "efeito fino-grosso" do traço. Esse efeito costuma ser usado para dar volume aos desenhos, mas poderá ser feito também com simples pincéis.

Se você deseja adquirir picos de pena para colecionar, ou até mesmo para relembrar o seu tempo de escola, quando ainda era pena e tinteiro, entre na Internet que você encontrará vários modelos de penas.
  
tutorialhouse.deviantart.com

Lembro-me bem do tempo da pena e do tinteiro, porque nessa década, eu era aluno da professora Ediesse Rodrigues, na "Escola Isolada de Barrinha", na Fazenda Barrinha, de propriedade da viúva Francisca Rodrigues Duarte, conhecida em toda região por dona Chiquinha Duarte. 
  
worldpel.com

Mas lembrando ao leitor que a caneta esferográfica foi criada em 27 de Dezembro de 1950, pelo inventor húngaro e naturalizado argentino Lárszio Biró. Achando que tinha criado uma excelente invenção, chamou o seu invento de “BIC”. Mas para muitos brasileiros, só conheceram a caneta Bic já no final dos anos 50, e olha lá, muitos conheceram esta invenção, somente nos anos 60. A invenção foi tão admirada, que as vendas ultrapassaram as expectativas do inventor.

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ROUBAM TUDO QUANTO DESEJAM

Por José Mendes Pereira
antigolandia.com.br

Ser honesto é uma das virtudes mais importante para o ser humano, não querer nada de ninguém, não desejar o que é dos outros, não misturar dinheiro alheio e depois não saber separar o do outro do seu dinheiro. Mas nem todo mundo quer ser honesto, alguns dizem que são, mas na verdade, é apenas uma forma de exigir do outro sobre si, respeito. E ainda bate forte no peito dizendo: "- Eu me orgulho em ser honesto. Ninguém um dia há de pegar em minha mão".


A honestidade depende muito da convivência. Quem vive no meio dos desonestos, não todos, mas quase todos serão desonestos, porque começam desviando o "pouco" e posteriormente perdem o medo, e roubam o "muito". Quem desvia o "pouco" geralmente diz que não rouba. Mas se engana! É através do furto "pouco" que o sujeito se torna ladrão fino, porque tudo que se tira escondido de alguém é "roubo".

Fazem poucos meses que eu fui enganado por um sujeito que eu nunca antes tinha o visto. Chegou e me ludibriou de olhos arregalados, como se estivesse me dizendo que não me roubaria, eu iria entregar com as minhas próprias mãos, o que ele desejava me roubar.

Eu me encontrava sobre uma laje que nela eu iria concluir um banheiro. O certo é que eu havia comprado para o serviço: um carro de mão, uma enxada, uma pá, arame..., e enquanto eu permanecia sobre a placa, o sujeito a tempo que observava os equipamentos que estavam lá embaixo, sobre a calçada da minha casa. E creio que ele não se apossara antes porque a rua estava movimentada com pessoas do lugar. 


O esperto sujeito encostado a um muro, colocou apenas a sua cara lisa em minha direção, e perguntou-me:

- O senhor vai precisar deste carro de mão agora?

- Agora mesmo não. Mas já, já irei usá-lo.

- Dá para o senhor emprestar-me para eu levar três carradas desta areia lá para dentro daquela casa?  - Perguntou-me ele apontando com o dedo indicador arruma de areia que existia sobre a calçada de outra casa.

- Se o senhor não demorar muito...

- Não. É rápido. Só são três carradas de areia.

O certo é que esqueci-me, e quando me lembrei do carro, desci e não vi mais o sujeito. Fui até à casa do meu vizinho, sendo esta que supostamente seria colocada a areia, segundo o esperto me dissera.

- Souza, cadê o rapaz que está carregando a areia para dentro?

- Aqui não tem ninguém carregando areia não. - Respondeu-me o meu vizinho.

Sem os equipamentos, peguei o carro (automóvel) e fui ver se localizava o suposto ladrão em algumas ruas. Apenas fui informado por alguns conhecidos que passara um sujeito tentando vender um carro de mão e algumas ferramentas. Perdi tudo que comprei para um malandro que não trabalha para sustentar a si mesmo.

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QUEM FALOU A VERDADE, VILA NOVA OU O CANGACEIRO BALÃO?

Por José Mendes Pereira

No dia 14 de novembro de 1938 Iziano Ferreira Lima, o afamado cangaceiro VILA NOVA, afirmou ao “Jornal A Noite”, que estava na Grota de Angico no momento do ataque das volantes ao grupo de Lampião, na madrugada de 28 de julho de 1938. Vejam o que ele fala:


“ – Escapei pela misericórdia de Deus, afirma. Vi quando o CHEFE (o chefe que ele se refere é Lampião) caiu se estrebuchando pelas forças do tenente Ferreira (ele fala no tenente Ferreira, nas ele quis se referi ao tenente Bezerra). 

Tenente João Bezerra

Meu padrinho Luiz Pedro caiu ferido nos meus pés. Pediu que o matasse, logo. O que fiz, foi apanhar o seu mosquetão e fugir para as bandas do riacho onde o fogo era menor. 

O cangaceiro Zé Sereno

Depois da fuga fui me esconder na Fazenda Cuiabá, onde me encontrei com ZÉ SERENO, e outros que puderam fugir do cerco. Ali soubemos que junto com o capitão tinha morrido mais 11 cabras, inclusive D. Maria Bonita”. 

Ele fala que junto com o capitão haviam morrido mais 11 cabras. Verdade, lógico que lá morreram contando com Lampião 12. 11 cangaceiros e o volante Adrião Pedro de Souza.
  
O cangaceiro Balão - fonte pesquisada - http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2009/08/cangaceiro-balao-sensacional-entrevista.html

Já o cangaceiro Balão afirmou à “Revista Realidade” em novembro de 1973 sobre Luiz Pedro o seguinte:

Luís Pedro ainda gritou: "Vamos pegar o dinheiro e o ouro na barraca de Lampião". Não conseguiu, caiu atingido por uma rajada. Corri até ele, peguei seu mosquetão e, com Zé Sereno, consegui furar o cerco. Tive a impressão de que a metralhadora enguiçou no momento exato. Para mim foi Deus.

As duas entrevistas destes dois cangaceiros cedidas ao Jornal A Noite e à Revista Realidade ficam meio confusas, que cabe aqui esta pergunta? 


O cangaceiro Luís Pedro carregava dois mosquetões no momento em que tentava fugir do cerco policial? 

O cangaceiro Vila Nova disse que pegou o mosquetão do Luís Pedro e deu no pé. O Balão também afirma a mesma coisa.

Também as duas afirmativas deles deixam a gente novamente confuso sobre a morte de Luís Pedro. Por quê?


O volante Mané Veio disse aos pesquisadores e repórteres que foi ele quem assassinou o cangaceiro Luís Pedro, e pelo que ele diz, levou um bom tempo para matá-lo, saiu perseguindo, perseguindo entre pedras e ele tentando salvar a sua vida, mas finalmente o assassinou.


Sobre a morte do cangaceiro Luís Pedro você poderá ler em ”Lampião Além da Versão Mentiras e Mistério de Angico”, escrito por Alcino Alves Costa.

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DESPEDIDA DO ÚLTIMO TREM DE PASSAGEIROS QUE ATUAVA EM MOSSORÓ

Por José Mendes Pereira

Quem passeou de trem indo para Governador Dix-sept Rosado, Caraúbas e outras cidades do Rio Grande do Norte, com certeza ainda sente saudades do balanço e da descontrolada zoada que fazia o velho transporte.

O último trem com passageiros que ainda permanecia rodando sobre os trilhos, foi desativado de uma vez por toda, em um sábado, às 15:30, do dia 30 de Janeiro de 1988, ordem federal, e que muito fez falta às cidades do médio e Alto Oeste do Rio Grande do Norte.

Em 30 de janeiro de 1988 o último trem de passageiro saía da Estação Ferroviária de Mossoró (atualmente Estação das Artes Eliseu Ventania) com destino ao Estado da Paraíba; era um dia de sábado, o relógio marcava 15h30min, e até hoje nunca mais retornou.

A sua desativação, deixou muita saudade encravada no coração de cada mossoroense, ao saber que aquele trem que tanto colaborou pelo desenvolvimento de Mossoró, fora condenado a não mais pisar nas terras mossoroenses, e nunca mais colocaria as suas rodas sobre os trilhos.

Já bem próximo da sua ida sem volta, na Rua Melo Franco, muitos mossoroenses estavam atentos em suas casas, esperando o trem segui, e para verem-no pela última vez.
  

Os que trabalhavam na linha férrea das cidades como: Mossoró, Governador Dix-sept Rosado, Caraúbas, Jordão, Patu, Almino Afono, Mumbaça Demétrio Lemos Ulrick Graff, Alexandria, Santa Cruz, São Pedro, Sousa, sentiam um incômodo dentro do peito, em saber que durante muitos anos viveram em prol daquela máquina, e por último, só restava saber para onde iriam, já que o trem, infelizmente seguia para um lugar que nunca mais sairia de lá.

https://www.youtube.com/watch?v=zF-tA1tQe9s

Faltavam poucos minutos para que o condutor levantasse a bandeira verde, ordenando que o maquinista partisse com o trem para o destino combinado pelos superiores da rede ferroviária; talvez iria gozar de sua aposentadoria em Sousa, na Paraíba; e os corações humanos aumentavam as suas batidas. Alguns deles nervosos, encostados às portas das suas casas, aguardavam-no, para levantarem as mãos e dizerem: "-Adeus nosso trem querido! Você muito nos serviu por várias décadas, agora chegou a vez de ir embora para nunca mais voltar!".

Pouco tempo, o trem foi ligado a sua máquina. Os vagões encarrilhados, um a um, também estavam proibidos de voltarem a esta terra que tanto os acolheu por anos e anos.


O maquinista posicionado à cabine, não dava nenhuma palavra, apenas olhava firme em direção aos trilhos à sua frente. O seu ajudante permanecia ao seu lado com o olhar ao piso da máquina. O mecânico aproximou-se com uma mala cheia de chaves, e lá, a agasalhou em um vagão. E antes que descesse, bateu-lhe uma crise de choro. Os companheiros de trabalho acalentavam-no, pedindo-lhe que tentasse controlar a sua emoção. Mas o mecânico chorava descontrolado.

Finalmente, o trem que tanto rodou, deu o primeiro deslocamento sobre os trilhos, e partiu vagarosamente, recebendo o adeus de todos que ao lado dos trilhos esperavam a sua partida, e que nunca mais voltaria a esta terra.

 A ponte da estrada de ferro no Rio Mossoró-RN, foi concluída no dia 7 de fevereiro de 1915, um dia de domingo e oficialmente em 19 de março de 1915 (sexta-feira), idealizada pelo suíço JOHAN ULRICH GRAFF. Comerciante que fixou-se em Mossoró, em 1866, com seus companheiros Henrique Burly, Rodolfo Guyane e Conrado Meyer, este, também, suíço. Em 1868, Johan Ulrich abriu, na praça mossoroense, a Casa Graff, voltada ao comércio de importação e exportação. Na época da inauguração o prefeito de Mossoró era FRANCISCO VICENTE CUNHA DA MOTA (1914 - 1916)http://joatamaria-mossorovenezarn.blogspot.com.br/ 

O trem foi desaparecendo, e apenas se ouvia o seu apito sanfonado, como um choro de quem está partindo para bem distante de seus familiares. E a fumaça cobria um pouco a visão de quem o olhava.

Os que permaneciam ao lado da linha férrea, baixaram os seus olhares, como se tivessem perdidos um dos seus entes queridos. Mas mesmo assim, não paravam de acenar para ele.
  

O trem seguia lentamente, porque era um desejo do maquinista, demorar mais um pouco, já que nunca mais iria manobrar aquela máquina tão importante na sua vida. As lágrimas deslizavam sobre a sua face magra e quente, provocadas pelo calor da temperatura da máquina.

Em um momento, o ajudante percebeu que o maquinista lacrimejava, e perguntou-lhe:

- Você Está chorando?

- Um pouco. Sinto um forte arrocho no meu coração, devido a saudade que já estou sentindo, por quem não voltará comigo, deixou-me doente. Foram décadas que passamos juntos. Mais momentos bons do que ruins.

Infelizmente, o trem que tanto rodou sobre o chão de nossa cidade, que a engrandeceu, prestando os seus serviços, desapareceu dos trilhos e dos olhares mossoroenses. E alguns que haviam acompanhado a sua partida, no silêncio, também lacrimejavam.
  
http://www.blogdogemaia.com/geral.php?id=146 

O trem se foi. Em todos os momentos de metros rodados, os olhares dos sertanejos que residiam próximo à linha férrea, acompanhavam-no. Animais, pássaros, árvores, todos estavam com os seus holofotes virados em sua direção, para despedirem-se do trem que nunca mais voltará a nossa querida Mossoró.

O adeus dos mossoroenses dirigido a você, trem, ficou registrado na mente de cada um. Você se foi, e com certeza, está guardado sob um galpão, sujo, empoeirado e coberto por malditas crostas ferrugentas.

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Fonte:
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com.br/2014/02/despedida-do-ultimo-trem-de-passageiro.html

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CHINELOS DE BORRACHA (HAVAIANAS)

Por José Mendes Pereira


Em 8 de junho de 1962 foram lançadas as sandálias brasileiras feitas de borracha, e como modelo principal, foi o branco, com tiras e laterais da base azuis. Mas ainda não possuía um atrativo visual, porém, eram baratas, e que logo foi considerada pela população como “chinelo de pobre”.

Mas assim que este chinelo foi lançado em todas as lojas do Brasil, muitos pais de famílias não queriam que os seus filhos usassem este tipo de “sandália”, achando que era de uso para homens afeminados, e somente as filhas poderiam usar e abusar desta nova invenção para os pés.

Lembro que o meu pai Pedro Nél Pereira não deixava que nós filhos, calçássemos este tipo de “chinelo”, e que teríamos que manter o antigo e desajeitado chinelo fabricado pelo sapateiro, ou pelos aprendizes nesta profissão. Mas posteriormente os pais resolveram admitir que, não só as suas filhas, como também os filhos usassem o chinelo, vez que o preço era do tamanho dos seus bolsos.

Com o passar do tempo este “chinelo” começou a fazer parte da vida de quase todos os brasileiros, quando sabemos que: de três canarinhos do Brasil, dois usam o “chinelo” conhecido “havaiana”, muito embora sabemos que existem dezenas de fabricantes e modelos, mas o que mais tem se destacado no comércio, é mesmo o “chinelo” chamado “havaiana”.

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30 dezembro 2015

ESPEDITO SELEIRO, FILHO DO CRIADOR DA SANDÁLIA DE LAMPIÃO, VIROU GRIFE VALORIZADA NO MUNDO DA MODA E DO DESIGN

 FERNANDA DA ESCÓSSIA DE NOVA OLINDA (CE) PARA A BBC BRASIL

"O cabra chegou para meu pai e disse que queria uma sandália diferente, de solado quadrado, sem marca da curva da sola do pé. Mostrou um modelo desenhado. Meu pai disse que fazia. Dias depois o cabra veio buscar a encomenda e perguntou a meu pai se ele sabia para quem era a sandália. 'Não é para você?', meu pai perguntou. 'Não, é para o Capitão Virgulino'. 'Pois leve a sandália e nem precisa pagar'".

É assim que Espedito Velozo de Carvalho, o Mestre Espedito Seleiro, 77 anos, resume como surgiu a sandália mais famosa de tantas de seu ateliê em Nova Olinda, cidade do interior do Ceará, a 500 km de Fortaleza.

A sandália de solado quadrado era mesmo para o Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião, chefe do bando de cangaceiros que impunha medo, respeito e fascínio no interior do Nordeste nos anos 1930.

O solado quadrado, sem indicar qual era a frente da sandália, tinha um propósito: despistar as volantes, como eram chamadas as equipes policiais que caçavam os cangaceiros pelo sertão. "O solado quadrado deixava uma pegada quadrada, de modo que a volante não conseguia saber para que lado Lampião tinha ido, se estava indo ou voltando", explica Espedito Seleiro.

O filho do criador da sandália de Lampião se transformou, nos últimos anos, em uma assinatura valorizada no mundo da moda, do cinema e do design. Espedito (assim mesmo com S) Seleiro fez peças para marcas como Farm, Cavallera e Cantão.

Em 2006, participou da São Paulo Fashion Week. Sua obra foi tema da exposição "Da Sela à Passarela", que passou por São Paulo e Rio de Janeiro. É criação de Espedito Seleiro o gibão colorido de couro usado pelo personagem do ator Marcos Palmeira no filme O Homem que Desafiou o Diabo (2007).


Seleiro apareceu no programa da global Regina Casé, cliente de suas sandálias. Recebeu em 2011 a Ordem do Mérito, concedida pelo Ministério da Cultura a personalidades do setor. Seu trabalho cheio de referências do sertão, com couro colorido e enfeitado, atraiu os designers Humberto e Fernando Campana, que fizeram em 2015 uma parceria com Seleiro para uma linha de móveis intitulada Coleção Cangaço, juntando madeira, palhinha e couro, e os móveis são a novidade em seu trabalho.

"É bom variar, fazer coisas novas", filosofa o artesão.

TALENTO E APRENDIZADO

Ainda menino, Espedito aprendeu com o pai, Raimundo Seleiro, que aprendeu com o pai dele, Gonçalves Seleiro, filho de Antônio Seleiro, a arte de tratar e transformar o couro de boi e de cabra em peças usadas pelos vaqueiros, como selas, cintos e chicotes.

Para vaqueiro, mesmo, ele nunca teve talento: no primeiro dia em que montou no cavalo para laçar um boi levou uma queda tão feia que desistiu da profissão.

Quando ele ainda era criança, sua família fugiu da seca e trocou o sertão dos Inhamuns, área mais árida do Ceará, pelo quase sempre verde Cariri, na região sul do Estado, divisa com Pernambuco. Aos 16 anos, em busca de uma vida melhor, Espedito foi embora para o Paraná. Ficou três anos, sempre trabalhando com couro, e voltou para o Cariri.

Um dia, cansado de tantas peças parecidas - sandálias de couro são uma tradição no interior do Ceará, vendidas em cada esquina e cada mercado popular-, viu que precisava inovar. Usando produtos naturais, como a tintura da casca do angico, árvore comum na região, tingiu o couro.


O criador das sandálias coloridas ganhou a admiração da então secretária de Cultura do Ceará Violeta Arraes - de uma família tradicional do Cariri e irmã de Miguel Arraes, cearense que fez carreira política em Pernambuco, Estado que governou três vezes.Fez sandálias vermelhas, azuis, amarelas e roxas, cheias de desenhos. Levou para um conhecido no mercado vender. No outro dia vieram pedir mais, e as sandálias coloridas abriram caminho para que ele se diferenciasse dos demais artesãos.

O diretor de TV e cinema Guel Arraes, filho de Miguel Arraes, também se tornou cliente das sandálias de couro de Seleiro, e a fama do artesão foi se espalhando.

Um dia, o educador Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, premiada organização de Nova Olinda que capacita crianças e jovens para as artes, pediu a Seleiro que fizesse uma sandália igual à de Lampião para uma exposição sobre o Cariri.

Seleiro tinha guardado os desenhos do pai e reproduziu a sandália "cobertão", de solado quadrado. "Mudei o nome para sandália Lampião. E quando me pediram um modelo para mulher, fiz a sandália Maria Bonita", explica o artesão.

TRADIÇÃO E INOVAÇÃO

Do Cariri para o Brasil, aos poucos o E.S. de Espedito Seleiro, numa letra bem desenhada, foi marcando sandálias, bolsas e mochilas em couro que se espalharam no circuito fashion.

O trabalho atraiu também a atenção da pesquisadora Heloisa Bueno Rodrigues, que fez de Seleiro personagem principal de sua dissertação de mestrado defendida em outubro de 2015 no Programa de Cultura e Territorialidades da UFF (Universidade Federal Fluminense) e intitulada Espedito Seleiro: filho dos Inhamuns, mestre do Cariri e artista do Brasil.


Num estudo sobre economia criativa e cultura, apresentado num seminário na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, a pesquisadora analisa como Seleiro se diferenciou dos demais artesãos ao inovar dentro da tradição popular, mantendo sua identidade. Ao mesmo tempo, explica que o trabalho de Seleiro não é só produto de sua sensibilidade individual de artista, mas resultado de um conjunto de conhecimentos, histórias e tradições.

"O Ceará é muito marcado pelo que historiadores como Capistrano de Abreu chamam de civilização do couro, um ciclo econômico baseado na criação de gado. A obra de Espedito Seleiro traduz essas tradições dos vaqueiros, dos cangaceiros, dos ciganos, desses homens que se espalharam pelo interior do Nordeste. E ele conseguiu manter sua originalidade dentro dessa tradição, conseguiu se diferenciar", afirma a pesquisadora.

Assim como aprendeu o ofício em família, Seleiro ensina o que sabe aos filhos, netos e sobrinhos, e juntos eles mantêm a cooperativa Associação Familiar Espedito Seleiro, que reúne 22 profissionais.

Mestre Seleiro é um professor exigente, que acorda de madrugada, cobra qualidade em cada passo do trabalho e manda recomeçar tudo se achar algo errado. "Eu ensino, eles fazem, eu vejo se ficou bom. Se estiver boa, assino a sandália. Se estiver ruim, desmancho e mando fazer de novo".

Em sua oficina, entre aprendizes e cortes de couro, Seleiro recebe quem chega e tem sempre tempo para um dedo de prosa. Ao lado da oficina criou o Museu do Couro, que conta a história de sua obra e também a saga dos vaqueiros no sertão.

Seleiro sabe que é imitado por muitos, mas não liga. Às vezes pensa em registrar sua marca, às vezes não. De olho nas novidades, investe em capas para celulares e tablets e selas de moto. Comprada na lojinha de Seleiro em Nova Olinda, a sandália Maria Bonita custa R$ 80.

Entre bolsas, mochilas, carteiras e sandálias, as peças trazem tons e desenhos inusitados. Lembram vestidos coloridos numa quadrilha, disputas de vaquejadas, cangaceiros em luta, leques ciganos, flores brotando - e todas as cores do sertão em dias de chuva depois dos meses de seca.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/12/1724368-filho-do-criador-da-sandalia-de-lampiao-vira-icone-do-mundo-fashion.shtml?cmpid=compfb

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O INFELIZ CANGACEIRO CHICO PEREIRA.

  Por José Mendes Pereira Colorizado pelo saudoso professor e pesquisador do cangaço Rubens Antônio. Diz o pesquisador e colecionador do can...