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09 janeiro 2016

O ataque de Lampião a Uiraúna: uma vitória da inteligência sobre a força


Há meses Lampião sumira dos noticiários dos jornais. O ano de 1926 encerra-se sem grandes novidades sobre a horda do famoso cangaceiro de Vila Bela. Bem instalado e seguro no ‘coito’ da Serra do Diamante, do poderoso Coronel Isaías Arruda, Lampião sai da aparente inatividade apenas em fins de abril de 1927. Naquele fim de mês, o bandoleiro deixa o refúgio e pratica assaltos em pequenos vilarejos situados na região noroeste da Paraíba, entre os municípios de Cajazeiras e São José de Piranhas. São ataques rápidos, com vistas apenas ao saque. A proximidade desta parte da Paraíba com o valhacouto do ‘dono’ de Missão Velha facilita sobremaneira a ação do bando.

De fato, no dia 15 de maio daquele ano, liderando uma falange de cerca de trinta e cinco homens, Lampião se prepara para tomar de assalto a Vila de Belém do Arrojado – atual cidade paraibana de Uiraúna. Há dias que ‘olheiros’ residentes em sítios da fronteira já haviam sondado o vilarejo e o cangaceiro – decerto bem ciente das condições do lugar – crê que tem plena chance de sucesso na empreitada que pretende levar avante.

o Arruado de Belém situa-se junto à fronteira do Rio Grande do Norte e é então inexpressivo. Ali não há mais que cento e trinta casas e uma igreja singela. Comércio pobre ou quase inexistente. Também ali não está destacado sequer um contingente policial para manutenção da ordem ou para oferecimento de uma defesa – mesmo que acanhada – no caso de um eventual ataque de cangaceiros. A ‘ordem’ no povoado é garantida somente por um Subdelegado civil, o potiguar Nelson Leite. Apesar de reiteradas notícias sobre incursões de cangaceiros naquela parte da Paraíba nos últimos dias, o Governo do Estado parece ignorar os eventos propalados pelos jornais e pela boca do povo. Apesar de vários reclamos por parte de proeminentes de Belém, o Estado não enviara tropa regular para a localidade.

O início da tarde daquele dia 15 de maio, no entanto, o sertanejo Leonardo Pinheiro percebe a marcha de cangaceiros em direção a Belém. Sem demora, espora o cavalo e entra no povoado em sonoro alarde:

-“Vem cangaceiro por aí! Vem cangaceiro por aí! Parece que é Lampião e não está a mais que umas duas léguas!”

Enquanto a horda marcha em busca do vilarejo, Nelson Leite se apressa em organizar uma defesa. Sangue quente, cioso de suas obrigações, Leite parece disposto a sacrificar a própria vida na defesa da comunidade que lhe fora confiada.

Abandonados à própria sorte, os habitantes de Belém – incentivados por Nelson Leite – tratam de se armar e garantir a resistência do lugar. Civis são convocados e há mesmo os que comparecem voluntariamente para pegar em armas. Ao final do rápido recrutamento, chega-se à desanimadora soma de onze homens apenas. Um contingente ínfimo que tentará rechaçar um bando com cerca de trinta e cinco cangaceiros. Uma luta desigual – se considerarmos a proporção de três bandoleiros para cada defensor e a falta de experiência de guerrilha dos citadinos. Por volta das dezessete horas, finalmente, Lampião avizinha-se da Vila. O frágil agrupamento de casas lhe parece excessivamente frágil e torna-se ainda mais amiudado pela sombra da serra de Luís Gomes, não muito distante dali. “Um alvo fácil”, provavelmente terá pensado o poderoso cangaceiro. O desenrolar dos fatos, porém, lhe revelará um grave erro de prognóstico.

Em que pese a correria desenfreada que se seguiu ao alarma dado por Leonardo Pinheiro, os homens de Nelson Leite aprestam munição e armas. Tudo é feito com rapidez e disciplina. Ao mesmo tempo, mulheres, velhos e crianças – a seguir igualmente os apelos do Subdelegado – buscam refúgio na caatinga ou em sítios de familiares fincados nos arredores de Belém. Pequenos “tesouros” são previamente enterrados em lugares seguros. Potes de barro, caixas de papelão, latas de querosene: qualquer coisa serve como invólucro para as ‘economias’ adquiridas ao longo de anos de trabalho.

Em pouco tempo, os defensores se organizam e estão posicionados em lugares previamente definidos pelo Subdelegado. Dedos nervosos aguardam o desfecho do ataque. Uma testemunha registra os momentos iniciais do entrave:

“O ‘delegado’ Nelson Leite distribuiu uns homens nos pontos mais altos da rua principal, dois outros guarnecendo as laterais e três instalados no teto da Igreja. Quando Lampião entrou com o bando, pela ‘rua velha’, começou a fuzilaria”. (Sinforosa Claudina de Galiza, entrevista).

Nelson Leite, de fato, engendrara bom plano. Distribuíra os poucos rifles e fuzis disponíveis com os onze defensores. Repartiu com irrepreensível parcimônia a rala munição que tinha ao seu dispor. Os melhores atiradores foram destacados para pontos estratégicos. No teto da igreja – prédio mais alto e com abrangente visão dos arredores – posicionaram-se Luís Rodrigues, Moisés Lauriano, José Teotônio e Joaquim Estevão. O tempo corre lento. Não há novidades. Até perto das oito horas nem sinal da sinistra patuléia de chapéu de couro. A espera alongada transforma as trincheiras em ninhos de ansiedade.

De súbito, Luís Rodrigues dá o alarma. Alguém se aproxima. O luar denuncia vultos sorrateiros. Homens armados aproximam-se do povoado pela ‘rua da Proa’. É o início da invasão. De pronto, grande incêndio ilumina a noite na pequena Belém. Grossas labaredas passam a consumir a casa de um agricultor e espalham-se rapidamente para um antigo curral e plantação de milho já há dias quebrado. O incêndio. Método infalível para incutir terror aos sitiados.

Josefa Augusta Fernandes, bem jovem à época do evento, anota a origem do fogaréu:

“Lampião começou destruindo a propriedade do finado João Gabriel, tendo em seguida tocado fogo nos currais e nas plantações de feijão e milho. O fogo serviu para alertar os homens da cidade, sendo que eles já estavam em posição nos principais pontos daqui”. (Maria do Socorro Fernandes, entrevista).

Não havia mais o que esperar. Ao primeiro grito de comando de Nelson Leite, trava-se pesado tiroteio. Lampião, decerto, não esperava semelhante reação. A fantástica fuzilaria oriunda da Vila lhe faz recuar. De efeito, os tiros vindos da rua da Proa tornam inviável uma entrada por aqueles lados.

Sem sucesso na primeira investida, o chefe de cangaço tenta confundir os defensores entrincheirados. Sob sua batuta, os bandoleiros passam a gritar, urrar como animais e a praguejar insultos e xingamentos aos defensores e suas famílias. A permear a gritaria, grossas baterias de tiros.
O rei-do-cangaço deseja tomar Belém. Tentará de todas as maneiras penetrar no vilarejo para vilipendiar suas casas e lhes extrair até o último ‘cobre’. Sem demora, ordena aos comandados a ‘abertura’ de uma linha de fogo pela lateral, com o fito de invadir a Vila pelo flanco oposto.

Nada, entretanto, parece gerar resultado prático. A posição privilegiada dos atiradores locados no telhado da igreja permite que tiros sejam disparados em todas as direções. A resistência agiganta-se com estrondos de repercussão fantástica e de curiosa origem. Nelson Leite improvisara – no pouco tempo que dispôs antes da consecução do ataque – algumas “ronqueiras” e logo começou a fazer uso dos artefatos. Os estrondos causados pelas bombas caseiras são assustadores e surpreendentemente surtem efeito. Um simples improviso que, ao que tudo faz crer, parece realmente ser a chave para uma vitória. (1)

Em pouco, qualquer objeto metálico em formato cilíndrico – e vazado pelo menos em um dos lados – torna-se invólucro para manufatura dos pesados rojões. Joel Vieira, com dezoito anos à época do fato, registrou em depoimento:

“Os que estavam no alto da Igreja, começaram a atirar de ponto e também para dentro da igreja, causando um eco que parecia canhão. O Subdelegado também tinha improvisado umas ‘ronqueiras’, feitas com pólvora socada dentro de latas, e de quando em quando estourava uma. Já estava escuro, e aqueles tiros davam a impressão que havia um canhão com a gente”.

No alto da igreja, Luis Rodrigues – artilheiro mais aguerrido – resolve acrescentar estrondos adicionais aos estampidos das ‘ronqueiras’ improvisadas pelo Subdelegado. Dessa forma, com o intuito de causar impacto ainda maior, começa a atirar quase em paralelo à lateral da nave do prédio sagrado. Estrondos fantásticos, causados pelo eco do salão quase vazio, dão ainda mais ânimo aos outros defensores entrincheirados no teto da igreja. Decide-se que alguns deles, alternadamente, passarão a atirar também para dentro da nave.

A estratégia funciona. Os estrondos se multiplicam. De fato, para quem está do lado de fora, resta a impressão de que algum tipo de canhão está sendo utilizado. Os cangaceiros, atarantados, mantém posição de cautela e não avançam. O escuro da noite enevoada pela fumaça dos disparos os impedem de enxergar, na verdade, o tipo de “arma” adicional que ora se usa na defesa do arruado. O engodo paulatinamente funciona.

No calor da peleja, porém, passos apressados denunciam silhueta humana esgueirando-se próximo à igreja. A escuridão da noite não permite distingui-la com precisão. Da torre principal um defensor atira. O civil Antônio Correia é atingido. Confundiram-no com um cangaceiro. Correia morre pouco tempo depois em razão do profundo ferimento à altura do pulmão. É a única baixa durante o combate.

Os cangaceiros não desistem e tornam a investir contra o território inimigo por uma ruela lateral à igreja. Lampião brada ordens aos seus homens. Todos, contudo, parecem hesitar em razão dos estrondos que continuam a reverberar entre as casas da pequena Belém.

Do lado dos defensores, um voluntário prontifica-se para preparar novas ronqueiras, de forma ininterrupta, servindo-se como espécie de municiador.

Dominado pela ira, Lampião manda reacender o fogo que arde tênue na propriedade de João Gabriel. O vento rapidamente espalha as labaredas em espantosa velocidade. As chamas consomem vacas e bezerros cativos no cercado contíguo a casa. Urros de dor de animais engolidos pelas chamas desenham dantesco suplício. Poucos escapam ao bizarro holocausto.

A derradeira tentativa de conquista do povoado fracassa. Com pesar, os cangaceiros reconhecem que não conseguirão penetrar em Belém.

O desconhecimento dos pontos de defesa, o espocar das “ronqueiras”, o ribombar de tiros reverberados pelo salão da igreja, a configuração física da vila, o cansaço da longa marcha até ali. Tudo parece sugerir uma retirada. Lampião não demora em perceber o malogro da empreitada:

– Vamos sair para economizar munição! – grita furioso.

Ainda se ouvem tiros por mais um quarto de hora. Aos poucos os cangaceiros se retiram do campo de luta. Disparos tornam-se esparsos. Ao compasso da retirada, a fuzilaria regride até reinar o mais absoluto silêncio. Lampião e seus homens deixam Belém em definitivo. É ainda Joel Vieira quem destaca:

“Eles tentaram muito, mas não conseguiram entrar. Antes das sete horas da noite, já tinham ido embora. No dia seguinte, o festejo foi grande, pois todos pensavam que ia morrer muita gente, mas não. Apenas um rapaz morreu vítima de uma ‘bala doida’ e caiu ali perto da Igreja. Tirando o incêndio na propriedade de João Gabriel, o prejuízo aqui foi pouco. Com pouco recurso, a gente botou Lampião prá correr!”.

E Lampião, de fato, jamais voltou a Uiraúna. Nos dias seguintes, um telegrama é enviado para as principais cidades do sertão do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Anunciava-se a vitória de um povo contra o poderoso rei do cangaço. O Intendente local assinou o comunicado:

“Fomos atacados dia 15 famigerado Lampião. Resistimos cerrado fogo, bandoleiros recuaram. Vítima tiroteio Antônio”. (a) José Caboclo.

É a vitória inconteste de um sumário grupo de cidadãos contra quase quarenta cangaceiros. Uma vitória nascida da confiança de homens do povo; sertanejos comuns. Não houve – como aconteceu em Mossoró – um grande lapso de tempo para a preparação de uma defesa. Não houve reuniões; não se teve tempo para comprar armas modernas. Não havia sequer uma torre na igrejinha da cidade. Existia, apenas, a vontade de preservar os próprios lares.

Uiraúna se defendeu heroicamente, a exemplo da resistência mostrada pela pequena Nazaré, em Pernambuco, quatro anos antes. Uiraúna impediu a entrada dos cangaceiros de Lampião como faria a população sergipana de Capela, liderada pelo destemido Mano Rocha, três anos mais tarde.
A vitória do povo de Uiraúna foi obtida sem recursos, sem alarde e sem exploração midiática posterior. Vitória conseguida sem um ‘notável planejamento prévio’ e sem colóquios barulhentos. Vitória de um pequeno grupo de homens pegos de surpresa pelo maioral do cangaço. Vitória, porém, recheada de atos do mais real e verdadeiro heroísmo. Vitória, enfim, da inteligência sobre a força.

Sérgio Dantas
Sérgio Augusto S. Dantas é autor dos livros “Lampião no Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada” (2005), “Antônio Silvino – O Cangaceiro, o Homem, o Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008).
NOTA:
(1) s.f. – Ronqueira: “Cano de ferro, preso a uma tora de madeira e cheio de pólvora, o qual produz grande detonação quando se lhe inflama a escorva”. (Aurélio). As ronqueiras já haviam sido largamente usadas em revoltas populares, como na guerra de Canudos. N do A.
FONTES UTILIZADAS:
A União, edições de 17 e 18 de maio de 1927.
DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE – A HISTÓRIA DA GRANDE JORNADA. Editora Cartgraf, Natal/RN. 2005. 452 pgs.
SOUZA, Tânia Maria de. UIRAÚNA NO ROTEIRO DE LAMPIÃO, in Revista Polígono, 1997, 158 pgs.

Entrevistas concedidas ao autor por Maria do Socorro Fernandes (2003), Joel Vieira da Silva (2001), Josefa Augusta Fernandes (2000) e Sinforoza Claudina de Galiza (2000).

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08 janeiro 2016

MANOEL CAMELO, ALTIVO E PAPÃO.

Por José Mendes Pereira

Para a criação de uma cidade tem que ter de tudo. Em primeiro indispensável, um mercado público, uma capela para os fiéis ajoelharem-se diante da estátua e fazerem os seus pedidos; bares, mercearias, escolas, um posto de saúde, um posto policial, mesmo que não resolva nada, mas é necessário. Mas uma das coisas que não precisa ninguém construir ou fabricar são os tipos populares, alguns com problemas mentais, outros se declaram que são incapazes para o trabalho, e assim vão levando a vida como Deus consente, os quais aparecem de montão, e cada um tem o seu estilo de vida. Alguns são agressivos, exigindo o respeito sobre a sua loucura, enquanto outros servem de graça para a população. 

Foto do blog: http://www.azougue.org/conteudo/desabonitado13.html 

Manoel Camelo era um desse tipo que vivia perambulando pelas ruas do centro da cidade de Mossoró. Era baixo, moreno, com uma escoliose ao lado esquerdo do ombro, e conversava muito pouco. Mas mesmo tendo um parafuso a menos, quando decidia falar, dizia tudo direitinho, na sequência, com sentido e tudo mais. Era um torcedor do time Baraúna, e não admitia que ninguém tentasse denegrir a imagem do seu time.

cacellain.com.br 

Dois rivais do Manoel Camelo, um deles era Altivo, também deficiente físico (andava quase nu), era torcedor do Potiguar, e o outro que tinha o apelido Papão, apaixonado pelo o  Potiguar, também era deficiente físico. Se acontecessem encontros deles três, em qualquer avenida da cidade, a confusão começava, e geralmente, ela partia de alguém que os incentivava para uma guerra verbalmente, e muitas das vezes, chegando às agressões físicas.

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Não tenho certeza se o Manoel Camelo, Altivo e o Papão já faleceram. Mas é provável que sim, porque faz mais de 20 anos que eu nunca mais os vi perambulando pelas ruas de Mossoró. Os três eram pessoas que não agrediam ninguém, e geralmente, as confusões criadas, eram entre si.

Estes são mais três tipos populares de Mossoró do século XX, e não podemos dizer que eles não eram pessoas boas, apenas se desentendiam quando se encontravam, cada um tentando manter a paixão pelo seu time.

Minhas simples histórias

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Fonte: 
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O FISCAL AFERIDOR DE BALANÇAS

Por: José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Chegou na cidadezinha pela manhã numa caminhonete novinha em folha, vestido com uniforme do Instituto Nacional de Pesos e Medidas. Foi direto ao Mercado Público Central. Entrou, e em uma banca de carne, bateu o martelo sobre um balcão, identificando-se: 
 
- Sou Pedro Carrasco, fiscal do Instituto Nacional de Pesos e Medidas. Qualquer comprovação de irregularidade em balanças neste mercado – dizia o fiscal irritadíssimo -  além da multa aplicada correspondente a dois salários mínimos, irá preso.

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Os marchantes estavam diante de uma autoridade federal, e que Deus os acudisse. Alguns deles não valiam um tiquinho da consciência dos honestos. E havia até boatos que ali existiam marchantes de confiança mesmo, mas uma boa parte  alterava a sua balança, colocando pesos de duzentos gramas sob o prato que colocavam as mercadorias para pesar.

www.geocities.ws
  
Os fregueses que no momento viam de perto um fiscal de consumo estavam felissíssimos. Finalmente chegara um filho de Deus para fiscalizar a roubalheira de comerciantes safados, malandros, oportunistas, que além de enganarem os seus fregueses, não tinham o mínimo respeito por eles.

O seu Thomaz nem batia a passarinha. Se falassem em homens honestos ele estava naquele rol. Sua balança era aferida de seis em seis meses no próprio Instituto Nacional de Pesos e Medidas, lá na capital do Estado.

O fiscal além de nervoso cuidadosamente examinava todas as  Balanças.

- Esta - dizia o nervoso fiscal ao seu ajudante – leva-a e ponha na caminhonete.

E voltando-se para o marchante disse:

- A multa é referente a dois salários mínimos.

- Mas seu fiscal, é isso tudo que tenho que pagar?

- Que seu fiscal que nada, seu covarde! Enganando à sua  clientela, e ainda quer ter razão, não é, seu descarado?

E arrastando o talão, fez a multa, e em seguida entregou-a dizendo-lhe:

- Passa para cá o dinheiro da multa! Eu espero que na próxima vez que eu passar por aqui, sua balança esteja perfeita, aferida e com o selo do "INPM". Do contrário você irá ver o sol nascer pontudo.

E caminhou o fiscal em gritos, ordenando que ninguém escondesse a sua balança, e a colocasse sobre o balcão para facilitar o seu trabalho.

No café da Corina os seus fregueses assistiam de perto aquela humilhação feita pelo fiscal, e estavam de peitos lavados.

- Assim, sim! – Fazia o Josué, um dos ajudantes no café da Corina - Com esta pressão toda do fiscal do "INPM", nenhum comerciante terá coragem de fazer alterações em sua balança, roubando-nos.

Todos presentes, menos os marchantes,  já se orgulhavam, dizendo que a cidade estava se desenvolvendo. Nunca havia chegado tal fiscal, agora aparecera um protetor para a população.

O fiscal caminhava mantendo a sua autoridade. E ao ver a balança do Demétrius suja, imunda, virando-a, viu um peso de duzentos gramas amarrado com cordão na parte inferior. E  já saiu cobrindo o marchante com braceadas e pontapés.

 alcoutimlivre.blogspot.com

Após o grande castigo obrigou-o a levar uma balança romana com pesos e tudo sobre a cabeça. O marchante reclamava, alegando que não tinha forças para pegar aquele peso. Mas tinha que levar, afinal estava diante de uma autoridade. E ele estava usando um grande desrespeito  contra os seus fregueses.

Quando o fiscal terminou as aferições nas balanças dos marchantes, os seus bolsos vomitavam dinheiro. Também pudera! Eram muitas balanças, e apenas duas estavam de acordo com as suas exigências.

extra.globo.com
  
Mas o fiscal estava prestes a se atrapalhar. De imediato a polícia cercou o mercado, e com poucos minutos o suposto fiscal e seu ajudante estavam dentro do camburão da polícia. Ambos haviam tomado de assalto todos os equipamentos dos fiscais do "INPM", inclusive fardas e a caminhonete Ford.

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PONTE FÉRREA SOBRE O RIO MOSSORÓ.


Inaugurada no ano de 1923, contando com a presença de autoridades locais e o povo em geral, ela foi suspensa sobre o Rio Mossoró com o objetivo de facilitar a passagem do trem sobre as águas do citadino rio, quando de suas viagens e tráfegos entre as cidades de Mossoró – Estado do Rio Grande do Norte / Souza - Estado da Paraíba e vice-versa, passando por várias cidades do nosso Estado e da Paraíba, tais como: São Sebastião, atual Governador Dix-sept Rosado; Caraúbas, Jordão, Patu, Almino Afonso, Mumbaça, atual Frutuoso Gomes; Demétrius Lemos, Ulrich Graf, Alexandria (Rio Grande do Norte); Santa Cruz, São Pedro e Souza (Paraíba); depois, fazia o mesmo percurso voltando pelas mesmas cidades.

Atualmente esta ponte é muito visitada por turistas e curiosos, quando veem de perto onde Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e o seu bando estiveram acampados, antes de invadirem o centro deste município e cidade de Mossoró; além de ser um dos pontos turísticos local, está tombada pelo patrimônio público mossoroense.

Fonte: facebook

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O SUJEITO, 1948. MOSSORÓ-RN. Inauguração da Churrascaria

Por Lindomarcos Faustino

Este espaço expressa o cotidiano cultural de uma sociedade, numa época que era de suma importância a presença dos representantes da Igreja Católica em eventos diversos de inauguração, fossem estes de caráter público ou privado, a presença do clero era imprescindível. Diferentes motivos poderiam ser a causa desta presença -, superstição, respeito ou a necessidade da anuência de uma entidade que detinha o grande poder deformar opinião. O último motivo dava o respaldo social necessário ao objetivo do empreendimento, o que atualmente, este respaldo foi substituído pelo poder midiático.

A imagem abaixo retrata os momentos da inauguração da Churrascaria O Sujeito, em 08 de junho de 1958, na cidade Mossoró-RN. Presentes figuras importantes da sociedade local, políticos, empresários e religiosos. Identificados: 1. João Newton da Escóssia, (1926), ex-prefeito municipal, período de 1977-1982; 2. Vingt Rosado, (13/01/1918-02/02/1995), ex-prefeito, deputado estadual e federal, 3. Antonio Rodrigues de Carvalho, (13/06/1927-03/12/2009), ex-prefeito municipal nos períodos de 1958-1963, e 1969-1973, 4. Monsenhor Raimundo Gurgel, (1916-1974); 5. Boanerges Perdigão, (1909-1971), Paulo Gutemberg, (1906-1987), um dos pioneiros da radiofonia mossoroense, Mota Neto, conhecido como Motinha, (1914-1981), ex-prefeito e deputado estadual e federal, Mário Moraes e outros não identificados.

A churrascaria localizava-se à margem esquerda do rio Mossoró, na Av. Cunha da Mota. O proprietário do estabelecimento, Boanerges Perdigão, natural de Fortaleza-CE e radicado em Mossoró desde 1948, era familiarmente chamado por amigos e conhecidos de O Sujeito, daí, a o origem do nome da churrascaria.

Sobre este local, como era e o que representou para muitas gerações locais, Ricardo Borges apresenta a seguinte descrição: "Um recanto aprazível mossoroense localizado na margem do Rio Mossoró, precisamente na Rua Cunha da Mota, Centro, que por muito tempo foi o “point” querido da minha geração nos anos 60 e 70. Construído por Boanerges Perdigão, genitor dos meus amigos Marcos e Ronaldo Perdigão, a Churrascaria “O Sujeito” embalou muitas festas de sucessos na minha amada e querida Mossoró-RN. Atualmente funciona o Clube Carcará. Bela época, bons tempos e muitas saudades."

Fonte: facebook
Página: Lindomarcos Faustino

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DALVA STELLA NOGUEIRA FREIRE


EM 08 DE JANEIRO DE 1924 - Nascia a artista Dalva Stella Nogueira Freire nasceu no dia 08 de janeiro de 1924, na cidade de Jaguaruana-CE; filha do maestro Joaquim Ribeiro Freire e Adelaide Nogueira Freire. Quando estava com seus três anos de idade veio para o município de Mossoró, acompanhada dos seus pais, em 1927, por motivo que seu pai foi convidado pelo prefeito municipal para reger a Banda de Música desta cidade, cinco meses depois trazia toda família, sendo oito filhos. 

Seus estudos foram realizados em Mossoró, no Grupo Escolar 30 de Setembro, onde cursou o primário, neste tempo teve como uma das professoras a inesquecível Maria Sylvia de Vasconcelos; o ginásio foi cursado no Ginásio da Escola Normal de Mossoró, também neste último estabelecimento realizou o curso pedagógico e posteriormente cursou Pós-graduação em Música, no Instituto Villas Lobos do Rio de Janeiro, entre 1960 a 1961; ainda para se aperfeiçoar mais em música, estudou no Instituto Superior de Educação Musical, em João Pessoa, Estado da Paraíba.

Ela foi uma grande professora em terras mossoroense, lecionou nos seguintes estabelecimentos escolares: Escola Técnica de Comércio, onde lecionou português e francês; Escola Normal de Mossoró, professora de música e no Colégio Diocesano Santa Luzia, onde lecionou português, francês, espanhol e música.




Na cidade de Santa Luzia esta grande mulher participou da formação da Orquestra Feminina de Mossoró, juntamente com Alcina Miranda, Silveirinha e Mércia, sendo organizada em 1957; foi fundadora da Sociedade Lítero-Musical, junto à Juventude Independente Católica – JIC, com atuação de Palmira Aires, Terezinha Duarte, Maria Gomes de Oliveira, Elza Fernandes e outras; uma das fundadoras do Instituto Cultural do Oeste Potiguar – ICOP; é uma das integrantes da Academia Mossoroense de Letras, onde ocupa a cadeira N° 15, que tem como patrono seu genitor; foi agraciada com o título de Cidadã Mossoroense, outorgado pela Câmara Municipal de Mossoró, em 20 de fevereiro de 1981. Dona Dalva Stella foi embora de Mossoró em 1960, quando estava com seus 36 anos de idade. Ela possui um trabalho publicado “A História da Arte Musical em Mossoró”, uma rara obra editada em 1957. Há alguns anos, quando a música clássica, em Mossoró, ainda era utopia, já Dalva Stella despertava a cidade para os seus primeiros rudimentos dos recitais, entre nós. Ela participava de festas organizadas por clubes e por damas da sociedade, atravessava barreiras, tocava piano e cantava suas primeiras óperas. Ela fez parte do elenco da Rádio Difusora de Mossoró em duas modalidades: como cantora solista e fazia parte do Trio Três Garotas, que era composta por Daisy Melo, Maria Laura e ela. Atualmente mora em Fortaleza-CE.

Fonte: facebook

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07 janeiro 2016

FALECIMENTO DO SEGUNDO BISPO DE MOSSORÓ JOÃO BATISTA PORTOCARRERO COSTA

Por Lindomarcos Faustino

EM 06 DE JANEIRO DE 1959 - Falecia o segundo bispo de Mossoró João Batista Portocarrero Costa, na cidade de Recife-PE, pelo seu falecimento o saudoso jornalista Jaime Hipólito Dantas registrou numa crônica que diariamente sai na Rádio Tapuyo de Mossoró, com o tema de “O Prato do Dia”, dizendo as seguintes palavras: “Dom Costa foi um dos eleitos de Deus e as luzes da sua alma não se apagarão jamais dos céus que cobrem Mossoró. As ovelhas do pastor aqui continuarão, reverenciarão, pelos tempos e fora, a memória daquele que mesmo na terra, parecia não pisar no chão.”

O seu nome ficou registrado na história de Mossoró, sendo patrono de um Instituto, uma das escolas que é ligada à nossa Diocese, inaugurada no dia 06 de junho de 1956. Também uma Praça recebeu o seu nome, uma justa homenagem a este grande pastor. Durante o seu governo episcopal, aconteceu na cidade de Mossoró, o primeiro Congresso Eucarístico, realizado durante 28 de setembro a 03 de outubro de 1946, foi uma iniciativa de Dom Jaime Câmara, antes de sua ida para a cidade de Belém-PA, esse congresso foi realizado para comemorar os dez anos da Diocese, dom Jaime Câmara veio participar chegando na cidade de avião, ás 21 horas do dia 30 de setembro de 1946, uma multidão lhe esperava e quando desceu do avião, disse: “...aqui estou. Vim para matar as saudades mútuas”. 

Ele nasceu no dia 07 de junho de 1904, na cidade de Vitória de Santo Antão-PE, filho de João Batista Costa e de dona Maria Augusta da Silva Costa. 

Dom João Costa foi eleito bispo, no dia 31 de julho de 1943, depois recebeu a ordenação episcopal, no dia 07 de novembro do mesmo ano, na Catedral de Olinda, pelo então bispo Dom Miguel Valverde. Sua posse na Diocese de Mossoró ocorreu em 08 de dezembro de 1943, em substituição do então bispo, Dom Jaime de Barros Câmara.

Dom João Costa chegou de avião no Aeroporto Dix-sept Rosado, pelas 16 horas e 30 minutos e foi primeiramente para a Igreja de São Vicente, na Avenida Alberto Maranhão, onde haveria uma procissão até a Catedral de Santa Luzia, junto com os fiéis. No patamar da igreja foi saudado pelo Dr. Abel Freire Coelho, em nome da cidade, em seguida foi lida a bula pelo Cônego Jorge O’Grady de Paiva, recebendo das mãos do monsenhor Júlio Alves Bezerra, a ata de posse que foi lida pelo padre Miguel Nunes. Em seguida foi feita uma oração pelo padre Huberto Bruening, dando as boas-vindas ao novo bispo. O novo bispo Dom João Costa trouxe do clero de Pernambuco o então padre Gentil Diniz Barreto, que foi nomeado secretário do bispado e também diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, vindo a assumir logo os cargos. Quando chegou a noite houve um grande jantar onde o novo bispo participou, no Seminário Santa Terezinha. Seu lema era: “É preciso que ele cresça e que eu diminua”.

Fonte: facebook

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MORRE LINDOMAR CASTILHO, REI DO BOLERO CONDENADO POR FEMINICÍDIO.

  Por Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil Publicado em 20/12/2025 - 12:10 Rio de Janeiro Morreu neste sábado (20), aos 85 anos, o can...