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05 fevereiro 2016

POR QUE ACABARAM COM OS PASTORIS DE BAIRROS?

Por José Mendes Pereira

Pastoril era uma dança que acontecia em todas as cidades do Brasil, formado por um pequeno palco, com espaço para abrigar de seis a oito moças, conhecidas por pastoras ou pastorinhas, as quais dançavam com cavalheiros que pagavam o espetáculo.

Geralmente, o palco era montado sobre a calçada ou em frente a casa do encarregado (dono), feito com tábuas e bem protegido com cordas enfeitadas, e nele, estava o apresentador, mais as pastorinhas, que apareciam ao público com roupas curtas e enfeitadas com brilhos, deixando-as bem à vontade e sensuais, e algumas delas, via-se um pouco das suas nádegas.


sipealpenedo.wordpress.com 

As realizações dos shows eram bem animadas, através de um bom sanfoneiro, um triângulo e um pandeiro. E ali, os jovens ou mesmo senhores de idades avançadas, formavam grupos de três ou quatro amigos, no intuito de concorrerem com outros grupos de homens, os aconchegos das pastorinhas sobre o palco, e serem admirados pelos os olhares dos que apreciavam de fora o espetáculo. E o grupo de cavalheiros  que oferecesse mais dinheiro para dançar uma música tocada pelo sanfoneiro, iria dançar com as pastorinhas. 

Confirmado o valor que os dançadores pagariam por uma rodada sobre o palco, com as pastorinhas, o sanfoneiro puxava o fole do acordeom, e os homens balançavam os seus esqueletos sobre o enfeitado palco. O balanço poderia ser com uma só dançarina. Mas no decorrer da música que estava sendo tocada, eles podiam trocar de pastorinhas entre si, ou ainda usar as que ficavam paradas, por falta de dançadores.

Em anos remotos era comum os pastoris pelos bairros de Mossoró, como: Alto de São Manoel, Bom Jardim, Pereiros, Alto da Conceição, Santo Antonio, Bairro do Alto do Xerém, etc. E quem mais se destacou em Mossoró como proprietário de pastoril, foi um senhor conhecido por Juarez do Xerém, que desde muito jovem criara o seu grupo de pastorinhas, para animar as noitadas do seu bairro Alto do Xerém.

Fotos do acervo do Lindomarcos Faustino

Já em São Miguel, no Rio Grande do Norte, segundo o historiógrafo e pesquisador do cangaço, o Rostand Medeiros, quem mais se destacou no pastoril foi a Dona Sofia, grande incentivadora do pastoril de São Miguel, quando levava outros grupos para animarem mais ainda os participantes e  os que apreciavam este divertimento.

Dona Sofia - foto do acervo Rostand Medeiros - http://tokdehistoria.wordpress.com/   

Mas com o passar dos anos, os pastoris foram desaparecendo dos bairros de Mossoró, devido a grande mudança que aconteceu com a juventude, quando muitas moças enfrentaram os seus carrascos pais, e adquiriram liberdade, e passaram a dançar em clubes, em casas noturnas, etc.

Nos dias de hoje, este divertimento não mais se ver pelos bairros de Mossoró, e nem em cidade nenhuma do Brasil. Infelizmente o pastoril foi desativado de uma vez por toda, apenas memorizado nas mentes de quem participou ou presenciou este divertido mundo que era pastoril.

Será que o pastoril voltará algum dia a animar os bairros de Mossoró, ou de outras cidades brasileiras, apresentando novas pastoras? Certamente que não. O pastoril teve a sua fase e viveu por muito e muitos anos. Mas a evolução e a explosão da juventude, fizeram com que este espetáculo passasse a ser apenas adormecido. Já foi ou já era.

Mas quem sabe, algum dia, alguém possa acordá-lo do seu profundo sono, e levá-lo a viver novamente em todas as cidades do Brasil. 

Minhas simples histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

 Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com.br/2014/03/por-que-os-pastoris-dos-bairros-se.html

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O EX-CANGACEIRO ANTONIO SILVINO RIFLE DE OURO

Por Semira Adler Vainsencher

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

Antônio Silvino passou vinte e três anos, 2 meses e 18 dias recluso. Mas, após esse período, recebeu um indulto do Presidente Getúlio Vargas. Na época, ele declarou:

"Minha vida todo mundo conhece. Vinte e três anos de reclusão alteraram o meu destino. Mas, diga lá fora, que eu nunca roubei, nem desonrei ninguém, e, se matei alguma pessoa, foi em defesa própria, evitando cair nas mãos de inimigos".

Saiu feliz da vida da prisão, como um passarinho que escapou da gaiola. Tinha 62 anos de idade.

Liberto, ele decidiu andar pela rua Nova, olhar as vitrines, ir até à Sorveteria Pilar, conhecer a praia de Boa Viagem, admirar Recife e Olinda. Chegou, inclusive, a conhecer o Rio de Janeiro e o Presidente Vargas.

Desejando se estabelecer no interior do Estado, Antônio Silvino resolveu mandar uma carta para José Américo de Almeida, um político de renome na Paraíba, solicitando-lhe um emprego, por conta dos "seus serviços prestados ao Nordeste". Mas, o escritor e político jamais lhe respondeu a carta.

O ex-detento viaja para o sertão da Paraíba. Ficou vagando de cidade em cidade, se hospedando nas casas de alguns amigos antigos, porém jamais obteve recursos financeiros para comprar a tão sonhada pequena propriedade e dedicar-se de corpo e alma à agricultura.

Terminou indo viver com uma prima, Teodulina Alves Cavalcanti, que morava com o seu esposo em uma casa modesta na rua Arrojado Lisboa, em Campina Grande, na Paraíba.

Considerando-se que Antônio Silvino permaneceu vinte anos arriscando a vida e enfrentando o perigo no cotidiano, é possível afirmar que o ex-cangaceiro teve uma vida longa. Lampião, por exemplo, foi morto em Sergipe no ano de 1938, aos 41 anos de idade. Na ocasião de sua morte, Antônio Silvino estava cumprindo a sua pena e, quando indagado acerca do ocorrido, ele declarou:

"Não me causou admiração porque a vida é incerta, mas a morte é certa. Não me interessam mais esses assuntos de cangaço, pois sou um homem regenerado. Só quero, agora, descanso na minha velhice".

Do perigoso cangaceiro que fora no passado, ele era hoje um homem idoso, mas que possuía uma mente esclarecida e respondia bem à todas as perguntas que lhe faziam. Dele, foi esse depoimento:

"Nunca tive medo de morrer em pé, quando campeava pelo Nordeste, mas, agora, deitado, não quero morrer, se bem que não tenha medo do inferno, pois se para lá for, disputarei um lugar de chefe, um posto de comando qualquer. Pro céu é que eu não quero ir, pois, ao que me consta, lá não há campo pra luta, nem lugar para Capitão de mato como sempre fui. Quero viver mais um pouco, mesmo com esta agonia que estou sentindo, com esta falta de ar, com esta falta de conforto".

E acrescentou:

"A justiça dos homens me condenou. A justiça da Revolução de 30 me absolveu, dando-me liberdade. A doença agora me prende e eu tenho que aguardar o pronunciamento da justiça de Deus. É ela maior de que todas as justiças da terra".

http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=329

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04 fevereiro 2016

JOÃO BOSCO, FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE CULTURA DE PAULO AFONSO SERÁ UMA DAS ATRAÇÕES DA NOVA NOVELA DA GLOBO - VELHO CHICO

Por João de Sousa Lima

João Bosco Gomes da Silva conhecido comediante de Paulo Afonso e funcionário do Departamento de Cultura, é um dos contratados pela Rede Globo de televisão, para atuar como Elenco de Apoio na nova novela "Velho Chico".

A equipe já realizou filmagens mostrando as paisagens naturais de Paulo Afonso e região, estiveram no povoado Juá e no Raso da Catarina.
Bosco é filho de Santina Gomes da Silva e reside no Bairro Mulungu (BTN).
Tem uma trajetória artística bem conceituada  em Paulo Afonso, sendo sempre convidado para abrilhantar festas, eventos educacionais e culturais. Já gravou um DVD (Surra que é Bom) e trabalhou como ator no filme " Cangaceiro Gato: Um Rastro de Ódio e Sangue".

Escritor, pesquisador, autor de 09 livros. Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. Telefones para contato: 75-8807-4138 9101-2501 email: joaoarquivo44@bol.com.br joao.sousalima@bol.com.br 

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SOU MULHER, SOU NEGRA, SOU DA FAVELA E HOJE SOU MÉDICA


Ariana Reis, 32 anos, chegou ao fim de 14 anos dedicados à universidade: três de preparação para as provas de acesso, cinco do curso de Pedagogia, seis do de Medicina. 

No convite para a cerimônia de formatura, terminava com o seguinte: “Sou mulher, sou negra, sou da favela e hoje sou médica.” Porque “é difícil”.

Porque Ariana é a grande exceção num Brasil onde é raro encontrarem-se médicos negros nos hospitais. A “caçula” de 12 irmãos foi a primeira a ir para a universidade. Era a única mulher negra da sua turma na Faculdade de Tecnologia e Ciências da Bahia. Em seis anos a estudar Medicina, cruzou-se com apenas duas estudantes negras de outros anos. “Nos hospitais sempre me confundem com a menina que limpa o chão. Se cai qualquer coisa: ‘Você vem aqui, pega o pano, limpa.’ Quantas vezes eu já ouvi isso? Muitas vezes. ‘Ah, é a enfermeira, a técnica.’ Se estou sentada lá na mesa — sabem que é um médico que está ali na mesa — ‘É você? Ah…’” E Ariana responde: “Vou chamar a pessoa responsável por isso.” Ou então mostra o distintivo na bata: “Está aqui, sou médica.”

Isto acontece com pacientes brancos e negros: “Na verdade, os brancos ficam mais impressionados. Os negros me abordam mais porque não estão acostumados a ver na sua comunidade pessoas em cargos assim de mais prestígio.” Ariana tenta mudar o olhar de quem a ofendeu: um negro não faz só limpezas, é possível que uma médica seja negra.

De facto, ela raramente se cruza com médicas negras — médicos ainda vai vendo, mas poucos. Cresceu a ouvir: “Negro não presta.” E por isso: “Cresci dizendo: ‘Meu Deus, eu sou negra e negro não presta.’ Não tinha orgulho de ser negra. Meu pai era o primeiro a dizer que negro não presta, que negro faz sempre coisa ruim e que não é para ter orgulho de ser negro — ele sendo negro.”

Mas o pai, pedreiro, morreu com orgulho da filha negra. Estava bastante doente, com Alzheimer, quando Ariana soube que tinha conseguido a bolsa para entrar em Medicina — cancelando assim o curso de Pedagogia que estava quase no fim. Chegou a casa, e contou: “Pai, passei em Medicina. Eu acho que ele entendeu. No outro dia faleceu. Isso é uma dor para mim. Ironia do destino, né? Filha passando em Medicina, pai falecendo no outro dia.”

Apesar de tudo, quando pedia dinheiro para livros, para a escola, ele dava. “Era o maior sacrifício.” Mas ele dava. Na época de aulas, tinha o costume de a esperar à noite nas paragens de autocarro, porque o bairro era perigoso e “tem que ficar olhando”. “Sempre me incentivou. Sempre.”

Ela cresceu a ouvir que negro não presta, mas cresceu também a dizer que queria ser médica. Aos 15 anos, estava num hospital com o sobrinho que tinha caído. Virou-se para o médico, até ali brincalhão, “dando risada”, e disse: “Olha, eu estudo muito para ser médica como você.’ Houve um silêncio da parte dele. Aquele que estava brincando, sorrindo, conversando com a gente se fechou. E aí, como eu falo muito baixo, [pensei] que ele não ouviu, falei mais alto: ‘Olha eu estudo muito porque quero ser médica como você, como o senhor.’ Aí ele virou, olhou para mim como se dissesse: ‘Ponha-se no seu lugar, você não vai conseguir.’ Saí dali arrasada. Arrasada.”

Tinha levado “um balde de água fria”. “Mas não desisti por isso, não.” Afinal, Ariana é conhecida por ser “do contra”: “Se tinha aquilo para fazer e ninguém conseguia, eu ficava, ficava, ficava até conseguir.”

Tentou Medicina, antes de entrar em Pedagogia, por três vezes. Numa delas, em que “não passou”, chegou a casa, à varanda de um apartamento numa favela, e “chorou, chorou, chorou”, lembra a mãe, no mesmo sítio, agora numa noite de Fevereiro, já com a filha formada. E o irmão a dizer-lhe: “Você vai alcançar, vai alcançar.” O irmão não está em casa da mãe na noite em que lá vamos, mas estão algumas das irmãs, sobrinhas e sobrinhos. Os jovens sentam-se na sala, logo à entrada, agarrados aos telemóveis e a olhar para o ecrã da enorme televisão. Vê-se logo a fotografia da cerimónia de formatura de Ariana, em formato gigante: ela de bata, cabelo arranjado, maquilhada. Morro acima, vivem as irmãs, noutras casas. Foi naquela sala que ela estudou e continua a estudar Medicina, com gente a entrar e a sair. No edifício ao lado, fiéis de uma Igreja Evangélica cantam alto, batem palmas.

Quando entrou em Medicina, pagava três mil reais por mês (cerca de 920 euros) — mas tinha uma bolsa do ProUni, um programa do Ministério da Educação que paga 50% da mensalidade a alunos em instituições privadas. Quando estudou Pedagogia, fê-lo ao abrigo das cotas raciais.

As cotas raciais é uma das políticas de ação afirmativa no Governo da Presidenta Dilma que pretendem aumentar a percentagem de população negra nas universidades.


No segundo país com a maior população negra do mundo a seguir à Nigéria, ser negro é pertencer a uma maioria de 51% da população de 200 milhões. Mas o último Censos, de 2010, mostrava que apenas 26% dos universitários eram negros; e apenas 2,66% dos alunos que terminaram o curso de Medicina eram negros, num estudo feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais para o canal UOL. Estes números explicam-se, em parte, com a despesa da educação no Brasil: quem estuda em escolas privadas até ao fim do secundário tem mais hipóteses de entrar nas universidades públicas, as melhores. Para conseguir pagar a universidade privada, Ariana fez uns trabalhos avulsos, como limpar a casa da irmã ou ajudar alguns colegas na faculdade. “É muito difícil. Consegui entrar na universidade porque cheguei num tempo em que meus irmãos já estavam trabalhando e puderam me ajudar também. As cotas ajudam e muito. Como é que a gente que vem da escola pública vai concorrer com esse pessoal da escola privada que não passou por greves de professores e de funcionários? É-lhes cobrado desde que nascem: ‘Vocês têm que ter um nível superior.’ Têm espelhos na família: médicos, engenheiros, professores. Nas famílias pobres, a maioria negras, a mãe é dona de casa, o pai é pedreiro, o pai está desempregado, o pai é bandido, o pai é ladrão.”

Ela estava entre os melhores da turma, diz. Em cirurgia, foi considerada a aluna-padrão. A diferença em relação aos outros é que tudo custava muito mais: saía de casa de madrugada para não apanhar engarrafamentos e garantir que estava nas aulas a tempo e horas, fazia “ginástica” ao dinheiro porque tinha de passar um dia inteiro fora de casa, tinha de comprar livros caríssimos, alguns a “mil, dois mil reais”…

Voltamos à história do convite. Queremos saber o significado daquela frase que ela colocou no final: “Mulher já é discriminada por si só, tem salários inferiores aos dos homens, se for negra ainda pior. Da favela, o pessoal acha que é ladrão. Virei médica: isso é possível.”

Para se ter uma ideia do que diz: com o mesmo nível de escolaridade, as mulheres brancas ganham 68,7% do salário dos homens brancos, enquanto os homens negros ganham metade e as mulheres negras menos ainda, 38,5% (dados retirados do estudo Igualdade Racial no Brasil: reflexões no Ano Internacional dos Afrodescendentes, 2013, IPEA).

Ariana está num hospital militar como voluntária (mas tem um salário). Quer fazer bancos em hospitais do interior para ganhar algum dinheiro e estudar para fazer a prova de cirurgia geral. “Vou cursar dois anos de cirurgia geral em hospitais e terminando os dois anos vou prestar novamente prova para fazer residência em cirurgia pediátrica durante três anos.” Cirurgia porquê? “Gosto de resolver. E cirurgião resolve muito.”

Geledes.org.br


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MARIA BONITA, A RAINHA DO CANGAÇO.

Por João de Sousa Lima

Maria Bonita, A Rainha do cangaço, em breve histórico do escritor João de Sousa Lima
MARIA BONITA
"A RAINHA DO CANGAÇO"

Dia 08 de março de 1911, o dia amanhece nublado e apesar da aparente calma que cerca o Sítio Malhada da Caiçara, município de Paulo Afonso, Bahia, no casebre do casal José Gomes de Oliveira (conhecido como Zé, de Filipe) e Maria Joaquina Conceição Oliveira (dona Déa), uma forte tensão ronda um dos quartos da casa. Mais alguns minutos e ouve-se um choro de uma criança que acabara de nascer. Era a segunda filha do casal, a primogênita chamava-se Benedita Gomes de Oliveira.

A parteira levou a criança até a sala onde o pai e a mãe aguardavam a nova vida. No calor dos braços paterno a criança foi acalentada e admirada. Nos mesmos braços ela receberia o nome: Maria Gomes de Oliveira. Um nome que na adolescência seria reduzido para Maria de Déa e alguns anos mais tarde, já no cangaço, passariam a se chamar Maria de Lampião ou Maria do Capitão, até tombar morta, em 28 de julho de 1938 e ter o nome de Maria Bonita, imortalizado, propagando-se e ganhando fama através das violas dos ágeis improvisos dos poetas repentistas, sendo tema de livros, filmes, teses e estudos sociológicos.

MORENA BONITA E FACEIRA
DOS LÁBIOS BELOS ROSADOS
FLOR QUE A DOCE BRISA CHEIRA
NOS RAMALHETES SAGRADOS

CABOCLA COR DE CANELA
QUE ATÉ O VENTO PALPITA
SENTINDO OS OLHOS DA BELA
DA RAINHA MARIA BONITA
  
João de Sousa Lima
Escritor.

Para conhecer mais:

A TRAJETÓRIA GUERREIRA DE MARIA BONITA, A RAINHA DO CANGAÇO.
75-98807-4138
WWW.joaodesousalima.blogspot.com
joaoarquivo44@bol.com.br 










Escritor, pesquisador, autor de 09 livros. Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. Telefones para contato: 75-8807-4138 9101-2501 email: joaoarquivo44@bol.com.br joao.sousalima@bol.com.br

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LAMPIÃO - Herói de Cinema

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Quando pesquisamos o cangaço, chegam em nossas mãos muitos artigos e livros, fora os e-mails de confrades. Como se diz, é a perder de vista. São um universo de escritores, jornalistas, pesquisadores, historiadores e amantes do assunto, que alimentam esse formidável veio aurífero onde encontramos aproximadamente 477.000 resultados para a palavra no site de buscas do google. Para a busca "Lampião e Maria Bonita" temos aproximadamente 276.000 resultados. Para "Lampião" temos aproximadamente 545.000 resultados. Para "Lampião em Sergipe temos aproximadamente 136.000 resultados.

Sim, é um assunto eloquente e viciante ao ponto de anualmente diversas sociedades voltadas para o mesmo, reunir seus associados para trocarem conhecimento. Trago hoje para os amigos, uma matéria da revista Fatos e Fotos, da coleção particular que pertence a nosso amigo e pesquisador Geziel Moura, que reside em Belém do Pará e que a enviou para o grupo Luar de Prata (clique) que é uma página no Facebook direcionada para a cultura de modo geral e arquivos compartilhados de livros e publicações de assuntos diversos. Vamos então a essa reportagem:


DEZEMBRO de 1932. A seca castigava implacável o sertão e o agreste baiano, mas a perseguição a Lampião continuava. Foi instituído, pelo chefe de polícia da Bahia, um prêmio de dez contos de réis pela captura do cego, vivo ou morto. (Cego era o tratamento dado pe-la polícia para Lampião.) Os interventores da Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco, firmaram um convênio no sentido de empregar todos os recursos possíveis contra o cangaceiro, que permanecia no Raso da Catarina como um desafio a toda e qualquer estratégia militar. Com o auxilio de coiteiros de Lampião, presos e seviciados pela policia, foi feito um levantamento do Raso. Tropas baianas, pernambucanas, sergipanas e alagoanas foram entregues ao comando de oficiais do Exército; entre eles, os Tenentes Ladislau, Liberato, Manuel Arruda, Filadelfo Neves, Campos de Meneses, Luís Mariano, Arsênio de Sousa e Osório Cordeiro. Cada tropa era formada por cinquenta homens. 


As tropas saíram de Jeremoabo, abrindo picadas a facão-de-mato, e cruzaram por Bebedouro, Abobreira, Rosário, chegando à boca do Raso. Alguns positivos de Lampião (que eram os coiteiros de absoluta confiança) correram a avisar o cangaceiro que a macacada estava na sua rabeira, tal qual onça no rasto de quati, disposta, dessa vez, a entrar no Raso, de qualquer maneira. 

No dia 7 de dezembro de 1932, por volta das 10 horas da manhã, as fôrças volantes dos quatro Estados surpreenderam Lampião numa caverna na Serra do Chico, em pleno Raso da Catarina.

Os cangaceiros brigavam de faz-de-conta para serem filmados. Lampião fazia poses especiais para o filme. Os homens, cantando, tiravam água dos crauás e dos gravatas para preparar o de comer, e as mulheres cuidavam de arrumar as tacurubas para o fogão. Rajadas de metralhadoras varreram o coito e os cangaceiros, atarantados, não puderam oferecer resistência. 

Uns caíam feridos, outros mortos. Lampião colocou Maria Bonita às costas e fugiu pelos fundos da caverna. Com ele, fugiram Corisco, Volta Seca e mais uns dez cabras. Na fuga, levaram apenas a roupa do corpo. Os soldados penetraram na caverna e recolheram armas, munição, chapéus de couro, bogós, alpercatas de rabicho, perfumes, moedas de ouro e o livro "A Vida de Cristo", de Papini, que Lampião havia ganho em Capela. 

Quebrou-se assim o encanto de Lampião no Raso da Catarina, onde êle nunca mais botou o pé. Dessa estirada do Raso, o cangaceiro foi bater em Itapecuru, onde só não matou o Dr. João da Costa Pinto Dantas, filho do Barão de Jeremoabo, que era um dos seus coiteiros, porque ele foi avisado a tempo e fugiu para Salvador. 


O árabe cinegrafista estava em todas ao lado das cangaceiros; fazia questão de aparecer na fita.

Lampião atribuía ao Dr. Pinto Dantas a denúncia do local em que se encontrava no Raso da Catarina. 

Após assaltar um armazém em Itapecuru, de onde carregou bastante munição de boca, todas as armas de fogo e até as faquinhas canindé de cabo de chifre, Lampião foi seguindo no rumo de Massaracá, onde encontrou uma fôrça de contratados (famintos, como chamava), comandada pelo sargento José Joaquim de Miranda, a quem apelidara de Bigode de Ouro. 

Na luta que então se travou, o sargento foi morto por Lampião com uma punhalada no peito. Entre os anos de 1932 e 34, Lampião viveu num corre-corre incessante. Trajados à moda do cangaço, os soldados batiam pelos sertões e pelas caatingas dia e noite, quase sem descanso, e Lampião furava num vaivém entre a Bahia e Alagoas. Dividiu o bando em três grupos, entregou a chefia de um a Corisco e de outro, a Virgúrio, apelidado de Moderno, que era seu cunhado (fora casado com Angélica, a irmã mais moça de Lampião e que já era morta). 

Enquanto um grupo invadia Canindé, em Sergipe, outro atacava Bonfim ou Pombal, na Bahia, e Lampião chegava de surpresa, chefiando dez cabras, a Pão de Açúcar, Alagoas. Esses ataques, feitos quase ao mesmo tempo, na zona do São Francisco, desorientavam a polícia. Havia um ponto convencionado para o encontro dos três grupos em dia determinado. 

Para desnortear os rastejadores, que tinham faro de onça parida e curavam bicheira no rasto, os cangaceiros andavam léguas e léguas a pé, a um de fundo, todos a pisar, cuidadosamente, a mesma pegada, dando a ideia de um só caminheiro. Quando as volantes estavam pega-não-pega, os cangaceiros subiam às céreas de pau-a-pique e andavam, como macacos de verdade, agarrando-se aos moirões.


Foi no ano de 1934 que o bando de Lampião caiu, perto da fazenda Touro, em Macambira, na Sabiá, numa tocaia armada pelo Tenente Arsênio de Sousa com um grupo de contratados. O bando vinha de assaltar as vilas de Arrasta-Pé e Ana Bebé, quando foi tocaiado numa garganta de serrote. Ezequiel, Ponto Fino foi atingido por uma descarga de metralhadora, que lhe rasgou a barriga, e ficou com as tripas na mão. Como não era possível carregá-lo para longe, tal a fuzilaria, que não deixava sequer alguém aproximar-se do seu corpo, Lampião, compreendendo que o irmão não sobreviveria, dormiu o olho esquerdo na mira do fuzil e amolegou o dedo no gatilho: deu o tiro de misericórdia em Ezequiel, Ponto Fino, e bateu em retirada. 

Lampião dizia sempre aos seus cabras que era preferível matá-lo, caso o vissem ferido irremediavelmente num combate, do que o deixarem agonizante para cair em poder dos macacos. Ezequiel era o terceiro e último irmão que Lampião perdia no cangaço. Restavam-lhe apenas as irmãs Anália (que ainda vive na Várzea do Pico, em Agua Branca, Alagoas) e Maria, chamada Mocinha, além de João, o único irmão que não o acompanhou na vida criminosa e que reside atualmente em Propriá, Sergipe. (Mocinha é viva também e mora em companhia de João.) A esta altura, Lampião estava totalmente cego do ôlho direito. Esse fato e mais a morte de Ezequiel Ponto Fino, que era o irmão a quem mais estimava, por ser o caçula, e ainda por insistência de Maria Bonita, que vivia então a lhe pedir para ver se conseguia o perdão das autoridades, a fim de comprarem uma fazenda e viverem em paz, entregou praticamente a chefia do bando a Corisco e aquietou-se nas ribas do São Francisco, entre Alagoas e Sergipe. 

Numa das suas andanças pelo sertão de Sergipe, bateu um dia na fazenda do Dr. Bragança, que era oculista e tinha consultório em Aracaju. Pediu que lhe examinasse o olho esquerdo, cuja visão começava a falhar. Apesar das versões de que ele ficara cego do olho direito por ter sido atingido por uns galho de jurema ou por um tiro, o certo é que o Dr. Bragança (cujo filho, padre Francisco Bragança, conhecido como padre Bragancinha, é o atual diretor do Instituto de Química Parreiras Hortas, em Aracaju) diagnosticou um glaucoma congênito, que já estava provocando a perda da vista esquerda do cangaceiro.

Em janeiro de 1935, Lampião prendeu em Forquilha, Alagoas, o promotor Manuel Cândido, de Água Branca, por ter sido informado que ele havia escrito um livro cheio de mentiras sobre os cangaceiros. O promotor começou então a contar uma história triste, disse que só tinha medo de morrer porque deixaria ao desamparo a sua filhinha de seis anos de idade.

— Virgulino, agaranta o doutô — disse Maria Bonita ao ouvir falar na menina, e o promotor foi posto em liberdade. Como a de Manuel Cândido, muitas vidas foram poupadas pela intercessão de Maria Bonita. 

O prefeito da cidade alagoana de Pão de Açúcar, Joaquim Resende, recebeu, em agosto de 1935, um bilhete de Lampião, pedindo-lhe quatro contos de réis, com a promessa de tornar-se seu amigo. Mandou dizer, em resposta, que só entregaria o dinheiro pessoalmente. Três dias depois, novo bilhete: que fosse então sozinho à fazenda Floresta, em Porto da Folha, e o esperasse a um hora da madrugada. Foi e levou alguns litros de conhaque. Encontraram-se, beberam cordialmente. Perguntou:

— Quanto quer em dinheiro? 

Lampião respondeu: 

— O doutô dá quanto quizé. Eu dou mais por um amigo de que pulo dinhero. 

Tornaram-se amigos. Lampião deu-lhe um cartão, onde escreveu: "Au Amo. Joaquim Rezendis como prova di amizadi e garantia perante os Cangaceiro. Oferci C. Lampeão." Esse cartão (igual a tantos outras que valiam como salvo-conduto na região dominada pelos cangaceiros) está atualmente em poder do jornalista Melquíades da Rocha, chefe de reportagem de "A Noite", do Rio. 


Foi em 1936 que Lampião entrou para o cinema, como herói, apesar de o Cinema Parisiense, no Rio (onde hoje é o Teatro Nacional de Comédia, na Avenida Rio Branco) ter exibido, de 27 de julho a 2 de agôsto de 1931, um filme-documentário sobre a chacina do Rio do Peixe, na Bahia, com o título de "Lampião, o Terror do Nordeste". Esse filme, montado com fotos de vários fatos da vida do cangaceiro, foi o ponto de partida da filmografia de Lampião. 

Um árabe chamado Abraão Benjamim, que era cinegrafista e morava no Juazeiro do Norte, onde fez vários documentários sobre a vida e os milagres do padre Cícero para a Aba Filme, de Fortaleza, juntou-se aos irmãos José (conhecido por Zé da Bodega) e Noel Cassis, que viviam mascateando no Juazeiro, e com eles saiu pelos sertões à procura de Lampião, levando filmes e uma máquina de filmar Rimam), de 35 milímetros. As façanhas de Lampião abalavam o País e filmar os seus movimentos era desejo, inclusive, de cinegrafistas alemães, norte-americanos e franceses, que vinham ao Brasil com esse objetivo, mas não se arriscavam à aventura. 

Depois de três meses de procura, o árabe e os irmãos Cassis encontraram Lampião na divisa de Alagoas com Sergipe. Como já eram conhecidos do cangaceiro e porque levavam um bilhete do padre Cícero pedindo que os atendesse, Lampião não se recusou a ser filmado com o bando. Pensou apenas, de início, que a máquina de filmar fosse uma bordadeira, que é como chamava metralhadora. 

Abraão Benjamim passou seis meses em companhia de Lampião. Para documentar a sua proeza — que foi, sem dúvida, maior façanha de reportagem feita até hoje no Brasil — armava a máquina, em certas tomadas de cena, e posava ao lado de Lampião, Maria Bonita, do bando todo, enfim. 

Dois meses após ter deixado Lampião, o árabe foi assassinado, com cerca de cinquenta facadas, em Pau dos Ferros, perto de Vila Bela, Pernambuco. O capião do filme, que foi apreendido pela policia de Fortaleza, por ordem do DIP, sob a alegação de que a sua exibição dificultaria a captura do cangaceiro, foi recolhido à Secretaria de Segurança do Ceará, onde ficou esquecido até 1957, quando o cinegrafista Ale-xandre Wulfes o descobriu. 

Por ter sido atirado ao chão, guardado em latas que enferrujaram, vários pedaços do filme não puderam ser aproveitados. Depois dos cortes, ficou resumido a apenas quinze minutos de projeção. No começo de 1937 houve um desentendimento entre Corisco e Lampião na partilha do dinheiro de um assalto. Corisco decidiu passar a agir por conta própria, internando-se no sertão de Alagoas, e Lampião passou a Sergipe, onde havia feito amizade com o coronel Antônio Caixeiro, dono de uma fazenda em Angico, perto de Porto da Folha. 

Lampião, em junho de 37, tentou invadir Serrinha, a cinco léguas de Garanhuns, Pernambuco, e foi rechaçado pelas fôrças comandadas pelo Tenente Manuel Neto e Capitão Miguel Calmon. Nesse combate, Maria Bonita foi atingida na coxa esquerda por uma bala de fuzil. 

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EXPEDITA FERREIRA FILHA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA


Expedita de Oliveira Ferreira Nunes (Porto da Folha13 de setembro de 1932) é a filha mais velha de Virgulino Ferreira da Silva e de Maria Gomes de Oliveira, respectivamente, Lampião e Maria Bonita.

Expedita nasceu em Porto da FolhaSergipe, em 1932. Filha de Lampião e Maria Bonita, seus pais faleceram quando Expedita tinha apenas 5 anos. Ela foi criada pelos vaqueiros Severo e Aurora desde seus 21 dias de idade até seus 8 anos, já que seus pais viviam na luta do cangaço e não puderam criá-la. Só viu seus pais biológicos por três vezes na vida e os pais adotivos nunca esconderam dela a verdade. Expedita também conviveu com 11 irmãos de criação, todos filhos legítimos do casal de vaqueiros, no qual ela os considerava de fato irmãos. Aos 8 anos foi morar na cidade de Propriá (SE), na casa do tio paterno, chamado João Ferreira, o único que não seguiu o cangaço.

Continuou os estudos e ao terminar o primário passa a querer trabalhar, mas o tio a impede, por ela ser mulher e jovem demais. Revoltada, querendo sua independência, ela sai de casa com 14 anos. Ela vai morar com os pais adotivos em Aracaju. Lá ela passa a trabalhar no comércio, tendo trabalhado em diversas lojas e fez muitas amizades. No começo sentia vergonha por ser filha de cangaceiros e evitava comentar, todos sempre a aceitaram, mas ela nunca entendeu bem se o cangaço era bom ou mau.

Em Aracaju reencontrou seu melhor amigo de infância, Manoel Messias Nunes Neto. Eles se conheceram aos 6 anos de idade e ficaram amiguinhos como toda criança. Quando fez 10 anos o tio a prometeu a ele, pois na época o parente mais próximo escolhia logo um menino para casar a menina no futuro, e o mais cedo possível. Após meses de amizade, começaram a namorar. Os pais foram contra por ela ser muito jovem, e com raiva, ela saiu de casa e alugou um quarto numa pensão. O namoro prosseguiu. Manoel foi o primeiro e único namorado de Expedita. Com um ano de namoro, aos quinze anos, a jovem descobriu estar grávida, ficando muito assustada. Manoel, com 20 anos, não a deixou por isso, e a chamou para morar com ele na casa de seus pais.

Ao completar 18 anos e já com dois filhos, Manoel, com 23, a pediu em casamento, por ela já ser maior de idade e ele já ter juntado dinheiro para casar. A união foi feita em um cartório, com uma festa muito bonita, onde compareceram todos seus irmãos adotivos, o tio e os pais adotivos. A noiva passou a assinar Expedita de Oliveira Ferreira Nunes.

O casal teve 4 filhos: Dejair, Vera, Gleuse e Iza. Expedita também é avó de três netas: Karla, Gleusa e Luana.

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  Por José Mendes Pereira Até sábado próximo vindouro eu irei parar uns dias as postagens, mas não pensem que eu estou desistindo do cangaço...