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13 fevereiro 2016

A VIDA DEPOIS DO CANGAÇO - PARTE II


Lampião, o justiceiro

Zé Sereno, Antonio Ribeiro na pia de batismo, guarda por Lampião um respeito quase religioso. Ainda se refere a como "o capitão", patente com que o "Rei do Cangaço contemplou a si mesmo. 


— Ele era corajoso e ajudava os pobres. Gostava muito das coisas justas e respeitava quem merecia respeito.

Uma vez. no sertão baiano - conta Zé Sereno, o grupo de Lampião encontrou um rapazinho que queria falar com o ''Capitão". Estava desesperado, porque o dono da fazenda não queria pagar aos homens direito.

 — Nós trabalhamos e ele não paga. Dinheiro ele tem; o que não tem é vergonha na cara.

Lampião mandou um recado:

— Você não fala pra ninguém que nós vamos lá.

No dia seguinte — relembra Zé Sereno — nós fomos na fazenda. O Capitão, chamou o fazendeiro, mandou reunir os empregados e obrigou ele a pagar todo mundo. Quando nós íamos saindo, o Capitão falou pro fazendeiro:

— Vou sair e não quero saber que mandou um empregado desses embora; Se mandar, eu volto aqui.

Ao falar da "volante'', Zé Sereno se exalta. Como Adriano, também ele conservou seu ódio.

— Eles perseguiam muita gente inocente. Matavam em nome da lei. Chiquinho de Imbuzeiro, um volante, pegou meu tio Firmino, que era vaqueiro, amarrou as pernas e os braços, acendeu uma caieira de fogo e jogou ele dentro, vivo. Só porque ele tinha os parentes no Cangaço. O Tenente Soares também matou dois primos meus, um a bala e outro queimado.

Antes de chegar a São Paulo Zé Sereno passou pelo município de Rio Novo Camamu na Bahia e Jordânia em Minas Gerais. Dali chegou a Martinópolis no norte de São Paulo. Em Rio Novo Camamu, trabalhou em uma fazenda administrada pelo Sargento Cardoso, que pertencera a "volante", mas também empregava ex-cangaceiros. No sertão, cangaceiro era profissão. Zé Sereno trabalhou dois anos e meio na fazenda, nunca conseguiu receber o dinheiro do salário. Teve então a última aventura de violência de sua vida.

— Eu disse pros meninos: "guenta ai com os capangas do Sargento que eu vou falar com ele". Os meninos deitaram no chão, cada um com sua peixeira de uns 75 centímetros e ficaram cortando a grama, rindo do que estava acontecendo lá dentro. Eu cheguei pro sargento e falei: "Vai pagar e é hoje", ele respondeu que não tinha dinheiro. "Não quero saber" eu disse. Fiquei firme. ele teve de pagar mesmo. No dia .seguinte, eu já estava no meio da estrada. Sabia que vinha bala atrás. 

Um filho no mato 

Aos 45 anos Sila ainda é uma mulher bonita. Tipo sertanejo, concorreu em beleza com Maria Bonita e Dadá. Tem uma expressão meiga, a voz pausada, mansa. O olhar é triste. Sorri apenas quando olha para os filhos.

Suzi Ribeiro e Wilson Ribeiro filho dos cangaceiro Sila e Zé Sereno

— Não é bonito o Wilson?


Aos catorze anos, Sila teve o primeiro contato direto com os cangaceiros. Sabia costurar qualquer tipo de roupa, deparou um dia com dois homens que lhe pediram para coser algumas peças. Eram Zé Baiano e Zé Sereno com o qual passou a viver. Nunca atirou. mas não deixou o companheiro em suas andanças. A persiga — a perseguição das "volantes" — era implacável.

— Nós não tínhamos nem água nem comida quando a persiga era muita. Às vezes, viajávamos três dias sem parar, sem dormir, sem comer, sem sossego, num calor horrível, pelo mato da caatinga. Já imaginou ter um filho no mato? Foi o que aconteceu comigo  quando tinha quinze anos. Nós estávamos acampados perto do Canindé em Sergipe. Nasceu um menino, que levou o nome de João. Como eu não podia ficar com ele mandei levar pra família de Galdino Leite, cunhado do Tenente Literato. Os outros só nasceram quando deixei esta correria.

Sila ficou apenas dois anos no cangaço. O ofício que aprendeu em menina ajudou-a a se adaptar em São Paulo, onde sempre teve muito serviço, muita costura encomendada. Entre suas freguesas estava Dona Luisinha, tia de Hebe Camargo. Dona Luisinha sempre a procurava, tratava-a pelo nome de batismo, Hilda — Hilda Gomes de Souza. Sila trabalha como dama de companhia de uma senhora. Em breve, vai passar um mês na Europa com a patroa.

Toda a família de Sila sofreu por causa do cangaço.


— Quando saí de Poço Redondo, em Sergipe, as volantes começaram a perseguir meus pais. Daí para cá, nunca mais vi eles. Por minha causa era tanta a persiga naquela região  que meus irmãos resolveram entrar no bando de Lampião. Mergulhão, que morreu no cangaço; Novo Tempo, que vive em Montes Claros, Minas Gerais, e Marinheiro, que tinha apenas treze anos. Hoje estamos aqui, numa vida nova, vendo crescer nossos filhos e esperando netos.

Sila tem do cangaço uma memória amarga. Só morte, fuga, sacrifício.

— Vi coisas horríveis. Tinha uma arma pequena só pra me defender se fosse preciso, mas não houve necessidade, nem mesmo no cerco do Angico. Pra nós mulheres, nessa hora não dava pra enganar a volante e dizer que era amigo. A polícia não levava mulher. Se nos pegasse era um horror. Matava logo. Enedina morreu ao meu lado. Fugi com Criança e só depois encontrei Zé Sereno.

"É companheiro!"

Criança confessa que não foi fácil romper o cerco em Angico, com Sila e Marinheiro. 



— Nunca vi tanta volante na nossa frente. Era tiro pra tudo quanto é lado. Enedina caiu morta aos meus pés. A gente Saía correndo, ouvindo tiro e dando tiro. O que salvou é que as volantes usavam a mesma roupa que nós e isso confundia. Nós passávamos perto dos "macacos" como a gente chamava os soldados, e dizia fingindo que também, era da volante: "É companheiro!"

Criança, ou Vítor Rodrigues Lima, é muito calmo, os olhos se mexem devagar, a voz também é lenta, arrastada. É casado há 22 anos com Dona Ana Caetano Lima, filha de um ex-polícia na época da Coluna Prestes. Baiana de Barra. Ela é costureira profissional. O casal tem três filhos. Aduíse, já casada, Vicentina e Adenilson e agora adotou uma menina, Edna Márcia. Quando os dois se casaram, Dona Ana conhecia o passado de Criança:

— Sabia que tinha sido cangaceiro, mas isso não me assustou. Não tive tempo para saber tudo antes, porque nos conhecemos num dia e dezessete dias depois já estávamos na igreja.

Criança tem uma quitanda e casa própria. Gosta muito de São Paulo, onde o "homem que trabalha não morre de fome". Com Zé Sereno, Marinheiro e mais seis, trabalhou na fazenda Maralina dois anos e meio, foi para Martinópolis em 1942. Quatro anos depois, no dia de Natal, casou-se com Dona Ana. Foi cangaceiro como podia ter sido polícia.

— Eu nasci em Bonfim e estava em Jeremoabo onde a coisa estava danada lá pra 1930. Um dia a volante me pegou pra Cristo, queria que eu dissesse o que não sabia. Eles me ameaçaram e prometeram voltar. Antes que voltassem, entrei no bando de Mariano. Estava com dezessete anos incompleto. Depois de sua morte, fiquei com Zé Sereno. Conheci Lampião logo que entrei no cangaço. Antes tinha medo dele. Depois, vi que era um homem que não tinha nada daquilo que falavam. Falavam que o Capitão matava crianças. Era tudo mentira. Ele não gostava de matar ninguém a toa, matava só pra se defender. Naquele tempo, quem tivesse dezesseis, dezessete ou dezoito anos tinha de se alistar no cangaço ou na volante, ou então ficava à mercê dos dois.

Criança se habituou à ideia de que poderia ser morto de um tiro.

— Quando a gente está na luta, nem tem medo de nada. A gente até se esquece. A pólvora dá fogo à pessoa, que nem se lembra se vai morrer. Quando a morte está por perto, a gente tem que lutar pra não morrer. 

CONTINUA...

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CONVITES


Amigos, observei agora que o dia 26 de março faz parte da Semana Santa. Irei antecipar a data da visita ao Museu do Sertão para o dia 12 de março (sábado) do corrente ano, das 7 às 12 horas. Sejam bem-vindos.

No próximo dia 18 de março (sexta-feira), às 19:30 horas, no auditório da OAB-Mossoró irei fazer o Elogio ao Patrono da minha Cadeira na ACJUS-Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró. Será um prazer contar com a sua valiosa presença neste momento tão especial para mim.

Proprietário e diretor do Museu do Sertão Benedito Vasconcelos Mendes

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CANGAÇO - Cangaceirismo LAMPIÃO E OUTROS CANGACEIROS EM MANAÍRA - O MENSAGEIRO DE LAMPIÃO, A CANA DE MIGUEL SATURNINO, O RECADO DE CÍCERO BEZERRA E O OLHO VESGO DE LAMPIÃO - PARTE VII


O cangaceiro tinha esse ponto de apoio seguro no Baixio, mas “atuava” nas proximidades onde buscava “ajuda” financeira para suas necessidades.

Certo dia Lampião escreveu umas cartas pedindo “ajuda” a alguns fazendeiros “mais bem de vida” e mandou “Antôilóia” entregar as missivas, devidamente assinadas. O fato mais curioso é que uma dessas cartas era destinada ao próprio Antônio. Ele levantou seu chapéu de couro – era dos pequenos, quase sem aba – coçou a cabeça, matutou e partiu para a difícil missão. Ao voltar, fez sua prestação de contas e disse: 

- Entreguei tudo. O meu eu num tenho, mas tem meu cumpade fulano que vou pedi emprestado. 

No dia combinado com os fazendeiros foi fazer o recebimento das “ajudas”. Antônio era matreiro, sabido, que ninguém desconfiava. Ao voltar, novamente fez sua prestação de contas e disse: 

- Recebi de todo mundo, mas ficou tarde e não deu tempo de ir na casa de meu cumpade  prá pedir o meu emprestado, mas amanhã eu vou”. 

Lampião, reconhecendo que Antônio já tinha ajudado bastante, dispensou a contribuição dele.

A CANA DE MIGUEL SATURNINO

Um desses fazendeiros, Nenem Migué da Travessia (Miguel Saturnino), tinha um bom partido de cana, uma bolandeira em seu engenho e fabricava boa cachaça. Em seu bilhete, entre as doações que deveria fazer, estavam umas ancoretas de cana. No dia e local combinados, chega Nenem com os burros e quatro ancoretas cheias de cachaça. Entrega a encomenda, se despede, mas, quando vai saindo, Lampião o chama, manda destampar um dos barris, bota uma dose em um copo e dá para Nenem beber. Nenem diz: 

- Mas, amigo, acontece que eu não bebo, não tenho o costume de beber. 

Lampião disse: 

- Hoje você bebe. 

Nenem suou frio, bebeu e já ia saindo novamente, quando Lampião encheu o copo com a cana de outra ancoreta. O Miguel, novamente, foi constrangido a beber, e novamente bebeu da terceira e da quarta ancoretas. Desconfiado como sempre, Lampião queria assegurar-se de que a bebida não estava envenenada. E Nenem Migué, homem que não bebia, naquele dia chegou a Travessia puxando fogo.

O RECADO DE CÍCERO BEZERRA

Com o final da Guerra de Princesa, as tropas fiéis ao coronel José Pereira se dispersaram e muitos voltaram às suas atividades tradicionais. Cícero Bezerra Leite, um dos chefes do Coronel, ficou famoso pela bravura nas lutas, principalmente na defesa de Alagoa Nova. Ali, ele tinha casa de comércio e sua fazenda estava no sítio Mulungu, próximo ao Cajueiro e Riacho do Meio.

Cícero Bezerra contava causos das batalhas, quando se lembrou de um fato que envolvia os cangaceiros. Contou que certo dia recebeu um porta-voz de Lampião com um recado para enviar determinada quantidade em dinheiro, mantimentos e armas. Como resposta Cícero mandou o recado: “Diga ao Major que as armas estão guardadas e os celeiros do antigo Engenho, apinhadas de alimentos. Aproveito você, como portador, para dizer que ele mesmo venha buscar, a qualquer hora do dia ou da noite. Todo armamento lhe será dado desde que passe primeiro por cima da minha vontade e disposição em arrancar-lhe o pescoço, depois de batê-lo com o meu chicote de couro cru”.

Foi, sem dúvida, o recado mais desaforado destinado ao lendário e temível Lampião, cuja crueldade ganhou fama em todo país.

A vizinhança, tomada pelo medo, cuidara em fechar suas portas. A chegada dos cangaceiros seria uma questão de horas, e a previsão era de densas trevas para a minúscula comunidade e adjacências.

Como todo bom comandante, Cícero sabia que enfrentar Virgulino carecia de um bom reforço. Espalhou a notícia e, na mesma noite, dezenas de cabras armados “até os dentes” aguardavam a chegada do bando. Após duas semanas de espera, como Lampião não apareceu, todos voltaram aos seus afazeres. (Narrativa contada por Cleodom Bezerra Leite, neto do lendário Cícero Bezerra).

O OLHO VESGO DE LAMPIÃO

Segundo a escritora Vera Ferreira, em seu livro O Espinho do Quipá, Lampião teve seu olho atingido por um espinho de cacto com esse nome. Em um tiroteio, uma bala teria acertado a planta e um de seus espinhos projetou-se, ferindo o olho do cangaceiro, já bastante afetado com o glaucoma que ele sofria.

O Cel. João Bezerra da Nóbrega cita, na página 40, do seu livro Lampião e o Cangaço na Paraíba, o seguinte: “E tem mais, foi na localidade Pelo Sinal, atual cidade de Manaíra, fronteira com Pernambuco, que Lampião teve o seu olho direito atingido por um galho da espinhenta jurema preta, tornando-o o rei cego do cangaço para o resto da vida.”

Em um encontro do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, em julho de 2013, conversando com o escritor - coronel João Bezerra - sobre essas duas versões, ele afirmou que existem outros escritores que se referem ao episódio do espinho da jurema, ocorrido na Paraíba em 1923, como sendo um agravador do estado de cegueira do “Rei Vesgo”.

Passadas a dor e a raiva, sentidas pelo ferimento, Lampião teria dito uma frase em tom de galhofa, afirmando que o olho não fazia falta, pois só usava um para fazer pontaria...

Quipá ou palmatória é um cacto comum na caatinga nordestina. Seu caule possui muitos espinhos.
Jurema ou jurema preta, resistente à seca e abundante nas caatingas. Possui fortes espinhos em suas ramificações.

Independentemente de uma versão ou de outra, nada impede, também, que as duas situações tenham acontecido.

Os óculos de Lampião: O Cangaceiro os usava para esconder a cegueira em um dos olhos.

Nos primeiros dias de agosto de 1925, o bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1898-1938), fazia uma de suas muitas incursões pelo sertão pernambucano. Os cangaceiros foram surpreendidos por agentes do governo e começou um tiroteio. Um dos membros, Livino – o irmão mais novo de Lampião –, foi atingido. O líder reagiu. No confronto, um soldado atirou em um cacto e a bala da escopeta fez com que um espinho fosse parar no olho direito de Lampião.

Livino acabou morrendo. Lampião, levado à cidade de Triunfo, perto do campo de batalha, foi atendido por um médico que retirou o espinho, mas não conseguiu salvar o olho do cangaceiro. Resultado: ele ficou cego de um olho. “O bom humor o impedia de esconder o problema, e ele brincava dizendo que não adiantava nada ter dois olhos, pois é preciso fechar um deles para atirar”, diz o pesquisador Antonio Amaury Correa de Araújo, autor de dez livros sobre a história do cangaço. O incidente transformou o cangaceiro em canhoto – ao menos na hora de atirar –, mas não atrapalhou sua fama de justiceiro. E o levou a usar óculos até o fim da vida. “Os óculos, que aparecem em quase todas as fotos, escondiam a deficiência de quem não a conhecia e protegiam os olhos do sol escaldante do sertão”, diz Antonio.

(Fonte: 
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/oculos-lampiao-435175.shtml)

CONTINUA...

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12 fevereiro 2016

CURIOSIDADES SOBRE O REI DO CANGAÇO


Virgulino distinguia-se dos demais rapazes em muitas coisas Tudo o que se metia a fazer fazia bem feito. Muitos estudiosos consideram que o bandido, nele, foi apenas um acidente, motivado pelas condições do meio e do seu tempo.

Era um hábil artesão – confeccionava artigos de couro, tais como cordas, cabrestos, rédeas, chibatas, peitorais, gibões, perneiras, alforjes, bornais, alpercatas e outros utensílios de couro. Gostava de participar de vaquejadas, tornando-se um dos cavaleiros mais hábeis da região. Ganhava algum dinheiro como amansador de burro brabo. Tocava harmônica, uma sanfona de oito baixos que o povo chamava pé de bode ou fole. Fazia versos, tinha jeito para repentista. Virgulino meteu-se até a pedreiro – rebocou uma parede da casa do Poço do Negro. Dançava muito bem, principalmente xote, mazurca, coco, pisada e xaxado. Era um rapaz bonito, de fala macia, boa estatura, moreno-claro, cabelos lisos. Um tanto vaidoso, chamava atenção nas festas, com suas camisas engomadas, calças de vinco, cabelo preto e fino bem penteado, untado de brilhantina.

Começava a chamar atenção o interesse especial de Virgulino e seu irmão Antônio pelas primas Gertrudes e Maria Licor. As duas jovens eram primas deles duplamente: Gertrudes e Licor eram filhas de Joana Lopes (Nanã, Joaninha Ferreira) irmã de Maria Lopes, mãe dos rapazes; o pai delas era Ferreira Catendo, primo carnal de José Ferreira.

Consta que Virgulino teria namorado também outra prima chamada Santina Lopes da Silva, filha de sua tia Maria José, (Dedé).

A primeira experiência de Virgulino com mulher ocorreu quando ele tinha 14 anos de idade: em companhia de outro adolescente e mais tarde também cangaceiro, chamado José Pereira da Cunha (vulgo Ventania), foi a ‘zona’ de Vila Bela e se engalfinhou com uma madame de nome Penha.

Tem-se notícia de que Virgulino, entre os 17 e 18 anos, teria tido um filho com uma moça chamada Alvinha, de 19 anos que “caíra na vida” depois de ser renegada pela família por ter sido “ofendida” por um caixeiro de loja.

Ele teria deitado os olhos também sobre uma morena chamada Rosa, que conheceu em Nazaré.

Fonte: Livro Lampião - a raposa das Caatingas, página 75
Autor José Bezerra Lima Irmão
Na foto: Virgulino, aos 10 e aos 20 anos de idade.
Fotos obtidas na obra de Optato Gueiros, Lampeão

Fonte: facebook
Página: Agente Carvalho
Grupo: O Cangaço

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LIVROS À VENDA... O INCRÍVEL MUNDO DO CANGAÇO – VOLUMES I E II.


De: Antonio Vilela (Garanhuns/PE)
Para adquirir entrem em contato diretamente com o autor através do e-mail incrivelmundo@hotmail.com ou com o Professor Pereira (Cajazeiras/PB) através do e-mail franpelima@bol.com.br.
Os livros custam R$ 35,00 (Cada) com frete incluso para qualquer localidade do país.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza
Grupo: O cangaço 

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ÍNDIOS PANKARARÉS


Habitantes do Raso da Catarina no estado da Bahia. Essa tribo no passado reforçou as fileiras do Rei do Cangaço com vários de seus membros, entre eles: Gato, Inacinha, Antônia (Primeira companheira de Gato, Balão, Assúcar (Açúcar), Mourão, entre outros.

Ainda hoje alguns descendentes da tribo Pankararés habitam a região inóspita.

O tempo passou, mas os mesmos problemas do passado ainda existem no presente dessa gente. A verdade é que pouca coisa mudou e se depender da boa vontade da maioria dos nossos “governantes” jamais irá mudar, pois sabem que um povo submisso e sem acesso à educação é mais fácil de ser controlado e consequentemente... enganado.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

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A VIDA DEPOIS DO CANGAÇO - PARTE I


O que faz dois homens não esqueceram suas rixas depois de três décadas do último encontro bélico entre eles? O soldado Adriano e o cangaceiro Zé Sereno, nos contam nesse histórico e eletrizante encontro ocorrido há 48 anos em um restaurante em São Paulo, promovido pela jornalista, historiadora e pesquisadora do cangaço, Cristina Mata Machado, no ano de 1968, 30 anos depois da morte de Lampião no ataque das volantes a seu esconderijo/coito da Grota do Angico. Vamos à leitura!


Trinta anos depois do cerco de Angico, Alagoas, onde Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram mortos e decapitados, reencontraram-se em um restaurante de São Paulo cinco participantes do combate na Grota do Angico. Eram quatro ex-integrantes do bando do "Rei do Cangaço" e um antigo membro da "volante", tão temido quanto os cangaceiros.

Depois da madrugada de 28 de julho de 1938, eles tomaram rumos diferentes. Deixaram o sertão, construíram uma existência sem aventura, tiveram filhos, tornaram-se cidadãos comuns. Todo aquele passado voltou, num relance dramático, quando o grupo começou a ser apresentado ao antigo "volante", o ex-soldado Adriano.

Adriano pareceu receber um choque ao ouvir o nome de Zé Sereno, o ex-bandido que ele perseguiu todo esse tempo, para vingar-se, e que hoje é um pacato zelador de um colégio. Adriano Ferreira de Andrade andou caçando Zé Sereno durante muitos anos. Em verdade, entrou na polícia, ficou três anos e meio na "volante" pervagando o alto sertão, unicamente para vingar-se de Zé Sereno.


Tinha umas contas a acertar com o cangaceiro desde um dia qualquer de 1936. 

- Pensei em dar uns conselhos pra ele, bem devagar, para não sofrer muito. 

Adriano cultivava seu ódio de morte por Zé Sereno. Jamais se esqueceu da provação que o cangaceiro lhe impôs em Jeremoabo, na Bahia, quando se avistaram pela primeira vez. Adriano trabalhava na fazenda do Coronel João Dantas e, um dia, viajava com a boiada quando passou por uma fazenda. Um coiteiro, sujeito que se especializara em homiziar cangaceiros, advertiu-o de que devia mudar o caminho, porque a estrada era ruim. 

- Fui parar noutra fazenda. Quando menos esperava, estava cercado por cinco cangaceiros. Eles disseram que eu era delator, me amarraram e me deixaram preso durante três dias. Fui até obrigado a ir numa festa com eles e me mandaram dançar. Imagine se uma pessoa que vai morrer tem vontade de dançar. O dono da fazenda que me conhecia, falou com os cangaceiros e pediu para não me matar. Foi assim que eu me salvei de morrer mesmo. Quando eles me soltaram. disseram assim: - "Agora pode andar sossegado". Mas eu disse pra mim mesmo: "Sossegado, hein?"

Em vez de sossegar, Adriano entrou para a "volante" e fez uma jura: — Enquanto existir cangaceiro, eu não saio da polícia. Só saio quando não tiver mais nenhum vivo. 

A vingança, quase



Por duas vezes a vingança de Adriano esteve por se consumar. A primeira foi no cerco do Angico, comandado pelo Tenente João Bezerra, que reunira várias "volantes para liquidar Lampião. Não se tratava de pegá-lo vivo ou morto, mas eliminá-lo sumariamente. O Tenente soube por intermédio de coiteiros que Lampião e diversos cabras se encontravam na Fazenda Angico. Foi para lá, obrigou outro coiteiro, que sempre fora amigo de Lampião, a dar notícias dos cangaceiros. Apresentou um ultimato: — Ou você me põe no lugar onde se encontram os bandidos ou então vai morrer. O "coiteiro" preferiu viver.

Às 5 da manhã, Lampião estava sitiado. As demais 'volantes' já haviam tomado posições diferentes cercando o refúgio do 'Governador do Sertão' quando o Tenente chegou à área que lhe cabia. O embate durou 20 minutos, talvez menos. O grupo do Tenente travara vários choques com cangaceiros, que corriam para tomar posição ou fugir ao cerco. O oficial já estava baleado. Ao chegar à barraca de Lampião, casa e trincheira ao mesmo tempo, viu muitos cangaceiros mortos. Um soldado gritou:

— Lampião morreu, Seu Tenente!

Entre a fugitivos estavam Zé Sereno, Sila sua mulher, Marinheiro e Criança. Adriano chegara um pouco tarde. Entre as onze cabeças decepadas na mesma hora, para mostrar ao povo do sertão que Lampião "mostrar ao povo que Lampião morrera mesmo", não estava a de Zé Sereno.

Na segunda vez, Adriano empreendeu sozinho à caça a Zé Sereno. Foi dois anos depois, em 1940. Ele soube em Jeremoabo que o cangaceiro estava lá. Havia festa na cidade, os cabras fatalmente iriam. Adriano preparou o fuzil, procurou um rapaz que estivera preso com ele na fazenda, convidou-o para a vingança, dava-lhe até outro fuzil. O rapaz não quis. Aquilo já passou. Adriano foi sozinho.

— Armei uma tocaia pro Zé Sereno. Só que ele não passou. Se passasse eu torava ele.


Mas Zé Sereno não foi à festa. Adriano gravou bem o bando dos cangaceiros que o prenderam e humilharam. Além de Zé Sereno, do grupo, fazia parte: Diferente, Zabelê, Meia Noite, Manuel, Moreno. O chefe era Zé Sereno. por isso Adriano pensava em se vingar nele. O antigo volante não sabia que no almoço, tantos anos depois, estariam Zé Sereno, sua mulher e mais dois ex-cangaceiros. Ele reaviva o velho ódio ao relembrar o seu passado na "volante", na qual ficou até a morte de Corisco, o Diabo Louro. 

Corisco, lugar-tenente do Lampião, vingou a morte do chefe, matando toda a família do coiteiro que o denunciou. (Nota: O coiteiro que Corisco matou, não o tinha traído, veja detalhes no artigo "O COITEIRO QUE TRAIU LAMPIÃO") Matou ¡inclusive duas mulheres pura "vingar Maria Bonita e Enedina", também mortas e decapitadas no cerco de Angico.

Com a morte de Corisco, desaparecia o último cangaceiro. Adriano cumprira sua jura, podia deixar a "volante". Foi o que fez. Trocou a profissão de soldado pela de comerciante, ficou em Jeremoabo até 1947, negociando com gado, viajando muito. Numa dessas viagens parou em São Paulo, tornou-se laminador. Exerce o ofício até hoje numa fábrica perto de casa. Antes de ser oficial, fez um aprendizado lento, como auxiliar.

Aos sessenta anos Adriano conseguiu o que queria. Criou os dois filhos. Maria, casada e mãe de cinco filhos, e João, oficial de uma costura. O rapaz tem clientes famosos: Chico Buarque de Holanda, Wilson Simonal, Edu Lobo. Adriano só não conseguiu achar Zé Sereno. "- Dizem que ele mora aqui em São Paulo. Mas não sei não. Se eu encontrasse ele hoje... Não quero nem saber..."

Um dia de Surpresas

Também os antigos cangaceiros não sabem como será esse encontro no restaurante. Só Sila sabe, e está impaciente.

— Cadê o pessoal?

Zé Sereno é o primeiro a chegar. Não estranha a presença da companheira. Agora vem Marinheiro, irmão de Sila, cunhado de Zé Sereno. Depois chega Criança. Os abraços são apertados, de longa saudade. Risos, lágrimas. Criança é o que estivera mais tempo afastado dos outros nestes trinta anos. Sila se dirige a ele com carinho, sorrindo:

— Como o senhor está forte, compadre!

Numa briga Criança era uma cobra

Criança mal consegue sorrir, a emoção o sufoca. Custa a responder:

— Comadre Silas, também está forte e cheia de saúde.

Zé Sereno olha com admiração para Criança. Ainda o trata de "menino". Criança contempla o companheiro, cinquentão como ele, e traz o mesmo respeito de outrora, quando Zé Sereno era o seu comandante. Zé Sereno fala. Criança se envaidece, mas baixa a cabeça, modesto, ao ouvir um elogio:

— Esse menino aqui era muito valente. Sempre calmo. Numa brigada, ele ela uma cobra.

Zé Sereno é o mais desembaraçado de todos; entre os demais, preserva ar de comando, vestígio do antigo chefe de grupo do bando de Lampião. Marinheiro o respeita como cunhado e como antigo líder. Tem razões para isso.

— Zé Sereno — lembra — encarou duas vezes o Capitão Virgulino.

A conversa agora é entre amigos íntimos. Casos e histórias são repassados. Um fala, outro completa a narrativa, corrige ou acrescenta um pormenor.

Ao grupo se junta agora um estranho, que é posto frente a frente com Zé Sereno. Adriano. O antigo volante. Os dois se olham. Zé Sereno cumprimenta o recém chegado mais por cortesia, sem saber ao certo de quem se trata. Adriano reconhece logo o antigo inimigo: sua imagem jamais abandonou a sua memória. Zé Sereno franze a testa, morde os lábios e volta rápido ao passado sem saber quem é aquele que chegou:

—Zé Sereno, este é Adriano, ex-volante e seu ex-inimigo.

Zé Sereno não esqueceu as mínimas coisas de sua vida de cangaceiro. Há nove anos trabalha como zelador num colégio, mas antes disso fez muitas coisas. Trabalhou como ambulante, vendendo peixe, foi operador de fábrica, depois esteve num frigorífico. Em São Paulo criou os filhos, todos "bem encaminhados". O mais velho, Ivo. é dono de uma imobiliária: o caçula Wilson pediu engajamento na Aeronáutica, é cabo; Gilaene trabalha numa grande empresa.

Zé Sereno nunca revelou a ninguém que pertenceu ao bando de Lampião. Antes por segurança do que por vergonha de sua outra vida. Temia que algum inimigo lá de Alagoas, onde o desejo de vindita é transmitido como herança de família, tentasse vingar algum fato do passado. Vergonha não tinha nem havia porque. Foi anistiado por decreto do Presidente Vargas, no fim da ditadura do Estado Novo; não tinha contas a prestar. Além disso, lá no Sertão, não tinha escolha:

— Naquele tempo tinha que ser cangaceiro mesmo ou entrar na volante.  tanto um como outro passava maus bocados - comenta Zé Sereno.

Dois tios e dois primos de Zé Sereno, Antonio de Engrácia, o velho Cirilo, Zé Baiano e Antonio Honório — eram cangaceiros, sem querer, acabaram por empurrá-lo para o mesmo destino.

— Houve uma briga e dois soldados foram mortos pelos meus tios. O pai de um dos soldados, de nome Lau, resolveu se vingar em mim. Disse que ia me matar. Como não sou cabrito pra morrer dependurado numa corda, resolvi sair pro mato. Me lembro bem, isso foi em 1930, eu tinha dezessete anos.

Zé Sereno foi ao encontro de Lampião. O Capitão Virgulino, como era chamado, estranhou a presença do quase garoto e foi logo perguntando:

— O que é que faz esse macaquinho aqui?

Zé Baiano, primo de Zé Sereno, respondeu:

— Na minha família só tem gente valente. Esse menino não vai negar a raça.

Lampião quis a prova, e a teve. Arrumaram uma briga de Zé Sereno com Volta Seca, também muito jovem, os dois se digladiaram durante muito tempo. Lampião deu um basta e ditou a sorte de Zé Sereno

— Esse menino é valente mesmo. Vai longe.

CONTINUA...

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LAMPIÃO HUMILHA A VOLANTE POLICIAL - 1 POLICIAL MORTO E 2 FERIDOS NA FAZENDA FAVELA.

   Por No Rastro do Cangaço https://www.youtube.com/watch?v=vWu-y8Y-rHc Na calada do sertão, com o sol rachando o chão e o sangue esquentand...