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02 novembro 2020

CHUVAS DE OUTUBRO

  Clerisvaldo B. Chagas, 2 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.410

Entramos no início da safra do caju e da manga que se estica até, aproximadamente, fevereiro. Com o litro de castanha vendido a 50,00 reais, as recomendações médicas ao produto viram coisa de rico.

Mês de outubro sempre foi o mês mais seco em nosso sertão alagoano, porém, no dia 27 último, aconteceu muita chuva no Sertão e Alto Sertão do nosso estado. Alegria e riqueza para o sertanejo que, logo no dia seguinte já estava com as ferramentas da roça para o planto de milho, fava, feijão-de-corda, melancia, abóbora e outros cultivares. A chuvarada veio beneficiar a safra da manga e do caju. Além disso, a chuva que veio acompanhada em alguns lugares, com raios e trovões, mostra a antecipação das trovoadas que beneficiam o semiárido com água no prolongamento da primavera/verão. Ajuda ao sertanejo a chegar ao próximo inverno com água nos barreiros e nas barragens, engordando o gado, melhorando a pastagem, duplicando a produção leiteira.

Com certeza teremos o nosso prato típico de volta com força: galinha de capoeira com feijão-de-corda e manteiga de garrafa.

Quando chove assim, de início sobressaem no comércio as casas de material agrícola, mas as outras se retraem com a diminuição da família rural na cidade durante à semana e em feira-livre. A família não pode perder tempo na cidade em troca da lida no campo. Porém, após a safra dos seus produtos, novamente o agropecuarista retorna ao comércio trazendo os familiares. Circula o real em todas as bibocas e as palestras puxam as bocas de orelha a orelha.

Deus pinta uma Natureza dinâmica desde os primeiros pingos de chuva. O boi, alegre cava o chão, o peixe dá lapadas no açude, O quero-quero faz festa pelas manhãs, o carão rodeia a lagoa e os sapos orquestram nos banhados. O chefe da casa corrige a biqueira, a velha da fazenda acende o cachimbo de coco catolé e o azulado da fumaça faz corrupio no oitão.

Quando as abelhas rasgam o espaço em busca das floradas, o escritor se irmana ao sertanejo e diz: “O paraíso voltou”.

CHUVA NO SERTÃO (FOTO: B. CHAGAS)


http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2020/11/chuvas-de-outubro-clerisvaldo-b.html

29 outubro 2020

LUIZ GONZAGA TOCA EM ICHU BAHIA NO ANO DE 1967. UMA PEQUENA CIDADE DO SERTÃO BAIANO, QUE FICA ENTRE OS MUNICIPIOS DE SERRINHA, TANQUINHO E RIACHÃO DO JACUIPE.

A consagração do município de Ichu ao Sagrado coração de Jesus e a apresentação de Luz Gonzaga em Ichu.

Há exatamente 50 anos atrás ...

Em 1967 o PAPA Paulo VI através da revista mensageiro do sagrado coração de Jesus fez um apelo ao mundo para se consagrar ao Sagrado Coração de Jesus. O apostolado das oração de Ichu, obedecendo a igreja, lançou a ideia da qual foi aceita por todos. A senhorita Águeda Oliveira Carneiro secretária do Apostolado, foi a coordenadora do evento.

Com a ajuda do Pe. Lucas de Nuzza iniciaram os trabalhos de preparação. Enviaram um ofício ao prefeito Municipal o senhor Renato Cedraz, solicitando o seu apoio. O mesmo enviou a Câmara Municipal de vereadores e o projeto foi aprovado com muito entusiasmo. Eram vereadores da época, Abelardo Cedraz, Oscar Cedraz, Hamilton Ferreira da Silva, José André de Almeida, Rosalvo João Carneiro, Luiz Júlio Carneiro, Edson Ferreira da Silva e Álvaro trabuco de Lázaro.

Uma equipe foi a Feira de Santana convidar o senhor Bispo Dom Jackson Berenguer Prado, para ser o orador oficial e dar a Sua permissão. O prefeito convidou seus colegas das cidades vizinhas. Todos se envolveram nos preparativos, Pe. Lucas passou o novenário em intensa atividade : missas, terço, bênção do Santíssimo Sacramento, palestras etc...

Eis que chegou o grande dia!

As 4 horas da manhã o serviço de Alto falante do Lony Real circo , fez a Alegre alvorada, dando a entender a todos o início de um dia festivo, juntos ao repique dos sinos e muitos fogos! A cidade neste dia apresentava um aspecto todo especial.

As 10 horas da manhã, teve início a missa, que pela primeira vez foi concelebrada no nosso município . Presidiu a celebração Pe. Lucas e concelebrou Pe. Hélio da paróquia de Riachão do Jacuípe e Frei Antônio da paróquia dos Capuchinhos de Feira de Santana.

Após a celebração o prefeito Renato Cedraz ofertou a coroa em nome de todos os Ichuense. Benta a coroa por Pe. Lucas ela foi entregue a dois jovens um representando o papa Paulo VI e o outro o primeiro papa São Pedro. E os mesmos coroaram o Coração de Jesus com estas palavras :

“ Recebeu senhor Jesus, Deus do universo, criador de todas as coisas, a coroa que vossos filhos Ichuense vos oferece. Reinai senhor sobre este município e seus habitantes. Guiai-lhes os governantes para que governem com justiça e paz! Abençoe esta gente que em sua simplicidade, procura fazer a vossa vontade. “

A frase era cortada aos ecos de vozes que acalmava o Cristo Rei.

O show de Luiz Gonzaga

A pequena cidade de Ichu, com apenas 5 anos de Emancipação Política já tinha a honra de receber o Rei do Baião e criador do Forró puro e autêntico Luiz Gonzaga

Seu Antônio de Roque, homem simples e de bom humor é uma das pessoas que sempre conta histórias e guarda ainda na lembrança esses momentos inesquecíveis que estarão sempre presente na memória de todos daqueles "anos dourados da música".

Segundo informações do Sr. Antônio de Roque, Luiz Gonzaga veio se apresentar em um circo chamado Palácio do Riso , tendo como proprietário Supapo e trouxe muita animação para o público cantando e tocando lindas canções que são até hoje imortalizadas na memória dos brasileiros, principalmente dos nordestinos. Este circo muito famoso trouxe como muitas apresentações a exemplo do mágico Ione, a dupla de trapezistas Zezito Lucena e Eva Lúcia e o palhaço Tampinha, e salario mínimo, tudo sem as malícias de hoje, além de atrações musicais, tudo isso conseguia atrair grande público. Seu Antônio aproveita para lembrar ainda de um caso bem engraçado que aconteceu: "a iluminação da cidade ainda era a motor de óleo diesel e eu era o responsável para "abastecer o motor", mas o interessante é que fiquei tão empolgado com a vinda do Rei do Baião que acabei esquecendo de colocar a reserva de óleo na máquina, deixando Gonzaga no escuro, mas felizmente me dei conta do problema a tempo e tudo voltou ao normal"- conta seu Antônio de Roque as gargalhadas. Seu Antônio de Roque julga que a música “ forró no escuro “ foi feita diante de fato.

O senhor Irineu do Barro Vermelho também conta essa história detalhada: "era a Festa da Consagração do Município ao Sagrado Coração de Jesus e desde cedo que o Serviço de Alto Falante já tocava a música Asa Branca, avisando que Gonzaga vinha para Ichu e ao mesmo tempo o locutor convidava o povo para ir para o Show; o interessante é que quando se ouviu a linda música Asa Branca no Serviço de Alto Falante através dos discos de vinil (os famosos bolachões ou Lps) todos mundo dizia: "Olha Luiz Gonzaga já chegou, já chegou vamos lá para ver que ele já está cantando".

Uma moradora do povoado de Casa Nova disse na Semana da Cultura deste ano o seguinte: "Gonzaga era muito humilde e com grande diferença da maioria dos cantores famosos de hoje não tinha orgulho; ainda me lembro que ele passou lá por Casa Nova dirigindo seu carro e me perguntando com toda educação onde era a estrada que ia para Ichu, ele mesmo vinha dirigindo, trazia sua grande sanfona branca no banco do carro também mostrando sua simplicidade, mesmo com sua fama que tinha em todo o Brasil".

Nesta oportunidade sendo festa de Consagração do Município a comunidade ichuense não poderia ter melhor presente artístico como a presença do Rei do Baião Luiz Gonzaga. Gonzagão realizou um grande show no palco do circo e até hoje muitos ichuenses que estiveram na apresentação relembram com saudade.

Temos a certeza que Gonzagão nas nossas lembranças permanece dando show de alegria com suas músicas que serão relembradas nas noites de São João e e de todo o Brasil. Fonte: Iradilson Lúcio Carneiro , Antônio Oliveira Carneiro , Irineu Renato Carneiro, Antônio Gomes Carneiro, Lucineia Gordiano. Vemos duas fotos da festa da consagração e atrás da igreja vemos o circo. Texto publicado na página Hô Sertão! De Edcarlos Almeida.Hô Sertão! N*13

A consagração do município de Ichu ao Sagrado coração de Jesus e a apresentação de Luz Gonzaga em Ichu.

Há exatamente 50 anos atrás .....

Em 1967 o PAPA Paulo VI através da revista mensageiro do sagrado coração de Jesus fez um apelo ao mundo para se consagrar ao Sagrado Coração de Jesus. O apostolado das oração de Ichu, obedecendo a igreja, lançou a ideia da qual foi aceita por todos. A senhorita Águeda Oliveira Carneiro secretária do Apostolado, foi a coordenadora do evento.

Com a ajuda do Pe. Lucas de Nuzza iniciaram os trabalhos de preparação. Enviaram um ofício ao prefeito Municipal o senhor Renato Cedraz, solicitando o seu apoio. O mesmo enviou a Câmara Municipal de vereadores e o projeto foi aprovado com muito entusiasmo. Eram vereadores da época, Abelardo Cedraz, Oscar Cedraz, Hamilton Ferreira da Silva, José André de Almeida, Rosalvo João Carneiro, Luiz Júlio Carneiro, Edson Ferreira da Silva e Álvaro trabuco de Lázaro.

Uma equipe foi a Feira de Santana convidar o senhor Bispo Dom Jackson Berenguer Prado, para ser o orador oficial e dar a Sua permissão. O prefeito convidou seus colegas das cidades vizinhas. Todos se envolveram nos preparativos, Pe. Lucas passou o novenário em intensa atividade : missas, terço, bênção do Santíssimo Sacramento, palestras etc...

Eis que chegou o grande dia!

As 4 horas da manhã o serviço de Alto falante do Lony Real circo , fez a Alegre alvorada, dando a entender a todos o início de um dia festivo, juntos ao repique dos sinos e muitos fogos! A cidade neste dia apresentava um aspecto todo especial.

As 10 horas da manhã, teve início a missa, que pela primeira vez foi concelebrada no nosso município . Presidiu a celebração Pe. Lucas e concelebrou Pe. Hélio da paróquia de Riachão do Jacuípe e Frei Antônio da paróquia dos Capuchinhos de Feira de Santana.

Após a celebração o prefeito Renato Cedraz ofertou a coroa em nome de todos os Ichuense. Benta a coroa por Pe. Lucas ela foi entregue a dois jovens um representando o papa Paulo VI e o outro o primeiro papa São Pedro. E os mesmos coroaram o Coração de Jesus com estas palavras :

“ Recebeu senhor Jesus, Deus do universo, criador de todas as coisas, a coroa que vossos filhos Ichuense vos oferece. Reinai senhor sobre este município e seus habitantes. Guiai-lhes os governantes para que governem com justiça e paz! Abençoe esta gente que em sua simplicidade, procura fazer a vossa vontade. “

A frase era cortada aos ecos de vozes que acalmava o Cristo Rei.

O show de Luiz Gonzaga

A pequena cidade de Ichu, com apenas 5 anos de Emancipação Política já tinha a honra de receber o Rei do Baião e criador do Forró puro e autêntico Luiz Gonzaga

Seu Antônio de Roque, homem simples e de bom humor é uma das pessoas que sempre conta histórias e guarda ainda na lembrança esses momentos inesquecíveis que estarão sempre presente na memória de todos daqueles "anos dourados da música".

Segundo informações do Sr. Antônio de Roque, Luiz Gonzaga veio se apresentar em um circo chamado Palácio do Riso , tendo como proprietário Supapo e trouxe muita animação para o público cantando e tocando lindas canções que são até hoje imortalizadas na memória dos brasileiros, principalmente dos nordestinos. Este circo muito famoso trouxe como muitas apresentações a exemplo do mágico Ione, a dupla de trapezistas Zezito Lucena e Eva Lúcia e o palhaço Tampinha, e salario mínimo, tudo sem as malícias de hoje, além de atrações musicais, tudo isso conseguia atrair grande público. Seu Antônio aproveita para lembrar ainda de um caso bem engraçado que aconteceu: "a iluminação da cidade ainda era a motor de óleo diesel e eu era o responsável para "abastecer o motor", mas o interessante é que fiquei tão empolgado com a vinda do Rei do Baião que acabei esquecendo de colocar a reserva de óleo na máquina, deixando Gonzaga no escuro, mas felizmente me dei conta do problema a tempo e tudo voltou ao normal"- conta seu Antônio de Roque as gargalhadas. Seu Antônio de Roque julga que a música “ forró no escuro “ foi feita diante de fato.

O senhor Irineu do Barro Vermelho também conta essa história detalhada: "era a Festa da Consagração do Município ao Sagrado Coração de Jesus e desde cedo que o Serviço de Alto Falante já tocava a música Asa Branca, avisando que Gonzaga vinha para Ichu e ao mesmo tempo o locutor convidava o povo para ir para o Show; o interessante é que quando se ouviu a linda música Asa Branca no Serviço de Alto Falante através dos discos de vinil (os famosos bolachões ou Lps) todos mundo dizia: "Olha Luiz Gonzaga já chegou, já chegou vamos lá para ver que ele já está cantando".

Uma moradora do povoado de Casa Nova disse na Semana da Cultura deste ano o seguinte: "Gonzaga era muito humilde e com grande diferença da maioria dos cantores famosos de hoje não tinha orgulho; ainda me lembro que ele passou lá por Casa Nova dirigindo seu carro e me perguntando com toda educação onde era a estrada que ia para Ichu, ele mesmo vinha dirigindo, trazia sua grande sanfona branca no banco do carro também mostrando sua simplicidade, mesmo com sua fama que tinha em todo o Brasil".

Nesta oportunidade sendo festa de Consagração do Município a comunidade ichuense não poderia ter melhor presente artístico como a presença do Rei do Baião Luiz Gonzaga. Gonzagão realizou um grande show no palco do circo e até hoje muitos ichuenses que estiveram na apresentação relembram com saudade.

Temos a certeza que Gonzagão nas nossas lembranças permanece dando show de alegria com suas músicas que serão relembradas nas noites de São João e e de todo o Brasil. Fonte: Iradilson Lúcio Carneiro , Antônio Oliveira Carneiro , Irineu Renato Carneiro, Antônio Gomes Carneiro, Lucineia Gordiano. Vemos uma foto da festa da consagração e outra do rei do baião, atrás da igreja vemos o circo. Texto publicado na página Hô Sertão! De Edcarlos Almeida.

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Do acervo do pesquisador Guilherme Machado.

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NOS TEMPOS DO AÇÚCAR BRUTO

 Por Zozimo LIMA*

Recordo com saudade, outubro, início da botada dos engenhos de açúcar bruto. De usina, no meu tempo de menino, só se conhecia a do Topo e a Várzea Grande do Dr. Tomás. O resto, cerca de 60, era movido a vapor, cavalos e força hidráulica.

Eu ficava trepado na almanjarra, rodada a cavalo, do engenho Muquem, de seu Norberto, pai de Zé Ferreira, advogado em Aracaju.

Também fazia o mesmo no engenho Cotia do meu tio Ioiô Barbosa. O açúcar bruto era gostoso e eu o tirava da caixaria onde ficava exposto ao sol.

O cabaú era uma delícia. Às vezes, quando eu tirava, com os moleques, do tanque, encontrava um rato morto. Mas menino não estava ligando a essas porcarias.

Foto ilustrativa

O melado, fervendo, nas seis tachas, tinha cheiro especial. O mestre de açúcar, conhecedor do “ponto”, trazia-o para nosso apetite, cozinhado com pedaços de abóbora ou batata doce. A cana no “picadeiro” era empurrada nas moendas, por mulheres, para trituramento. Saía o bagaço do lado oposto.

E o caldo azedo, em cabaça, arrolhada com capuco de milho, era um regalo para o paladar e um veneno para o fígado de quem o tinha avariado.

O senhor de engenho de chapelão meio desabado, sapato roló, de couro de bode mal curtido, chicote curto à destra, fiscalizava o peso da cana na balança, indo, depois, auxiliar a marcação dos sacos com o nome do engenho e do proprietário. Fui pesador de cana no engenho Campinhos do finado Zé Ferreira, meu padrinho de crisma, quando por Sergipe, andou, em visita, o arcebispo D. Thomé.

Ficava ao lado do engenho o alambique, muito frequentado pelos amantes da “teimosa” e pelos comboieiros portadores de ancoretas camufladas para iludir a fiscalização. Havia comboieiros que vinham comprar mel para o fabrico da cachaça. Traziam borrachas de couro para condução do cabaú.

Era uma festa o início da moagem. Na casa-grande as matronas e sinhazinhas auxiliadas pelas cozinheiras, antigas escravas ou filhas destas, preparavam saborosos doces de todos os feitios para os visitantes, que eram muitos.

Se na casa havia moças bonitas, em idade de casar, os filhos dos vizinhos, senhores de engenho, apareciam constantemente, sempre bem vestidos, montando cavalos arreiados com apuro, de botas russianas, estribos, bridas e esporas de prata.

Era o namoro sem agarramento, à distância, na presença dos pais, tios e primos. A moça, de rosa nos cabelos, olhar magoado das heroínas dos romances de Feuilet, e o rapaz, bem-falante, desembaraçado, pernóstico, com verbos no plural e o sujeito no singular, contava histórias de trocas de cavalo, lobisomens, apojadura de bezerros de vacas leiteiras e projetos de aumentar os partidos de cana.

Bons tempos aqueles em que Sergipe tinha engenhos a cavalo, a vapor e à roda d’água. Nunca mais comi doce de coco, de leite, sequilhos, olhos de sogra e bom bocado fabricados por aquelas delicadas sinhazinhas dos engenhos que precederam a instalação das usinas devastadoras e absorventes.

Gazeta de Sergipe – 22.08.1973

*Jornalista e escritor

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Do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

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28 outubro 2020

NESTA SEXTA NOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO!

  Por Manoel Severo

Seu “Antonio da Piçarra", proprietário e principal personagem desta verdadeira saga que coloca a Fazenda Piçarra dentre os principais cenários da historiografia cangaceira do ciclo lampiônico teve uma vida toda marcada pelo paradoxo de "ser ou não ser" ligado aos cangaceiros, seu Antonio , passou alguns anos de sua vida mantendo fortes ligações com cangaceiros; preponderantemente Lampião; em sua "Piçarra" o capitão era acolhido em segurança e por lá passaram algum tempo, Ezequiel e Virgínio; respectivamente, irmão mais novo e cunhado e Lampião; e antes deles os primos da família Paulo até que em Março de 1928, o destino reservaria uma encruzilhada fatal para Antônio da Piçarra.







SEXTA, DIA 30/10 AS 20HORAS...SENSACIONAL

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27 outubro 2020

A NOITE

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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS

  Por José Mendes Pereira

Foto cleide Mylaide 

Adquira logo o seu para não ficar sem ele. 

franpelima@bol.com.br

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26 outubro 2020

ANGICO E SUAS VERSÕES

  Por João de Sousa Costa

A morte de Virgulino Ferreira da Silva, em Angico, ao amanhecer do dia 28 de julho de 1938, talvez seja o episódio mais pesquisado dos acontecimentos históricos do século XX. Copidescando relatos de personagens aqui e ali, o que se consegue ter é um mosaico de personagens vira-casacas e versões – corroboradas por muitos, contestadas por outros tantos. Vejamos algumas.

Como pode o massacre de Angico ter ocorrido, mesmo depois que o estado-maior de Lampião (chefes de subgrupos) integrado por Zé Sereno, Corisco e Candeeiro ter alertado para os riscos que lugar representava?

- Excesso de confiança que o capitão tinha em Pedro de Cândido, disse certa vez Zé Sereno.

Naquela manhã, a tropa comandada pelo tenente João Bezerra era composta pela formação de 3 volantes, 45 membros entre soldados e coiteiros delatores - os irmãos Cândido.

Sobre essa tropa, destaquemos o soldado Sebastião Vieira Sandes (chamado na tropa de soldado Santo), era sobrinho da baronesa de Água Branca, aprendeu a atirar de fuzil com o próprio Virgulino, foi seu ex-coiteiro e espécie de afilhado tratado na intimidade como “galeguinho”, também perito em artefato de couro e mensageiro preferido do Rei do Cangaço.

Ao historiador Frederico Pernambucano de Melo, mais de 50 anos após os acontecimentos de Angico, Sebastião Vieira Sandes, revelou coisas curiosas puxando para si a autoria da morte de Lampião.

Disse que disparou de cima do barranco para baixo e matou Lampião a “menos de oito metros de distância” com um tiro de ponto, e depois outro. E que Virgulino ao ser morto estava “em pé, inteiramente equipado e bebendo café da manhã”.

Esta versão de Sandes, contestada por muitos, parece merecedora de crédito porque, por parte da Polícia, apenas três de todos os militares conheciam pessoalmente Lampião: Sebastião Sandes e o tenente João Bezerra. Além de Pedro de Cândido, que fora obrigado a delatar, denunciado por outro coiteiro, Joca Bernardo.

Santo foi integrante do grupo avançado do aspirante Francisco Ferreira de Melo e, segundo revelação do escritor Frederico Pernambucano de Mello, conduzia em seu bornal, munição nova de qualidade, que o próprio Lampião lhe dera de presente um ano e meio antes quando “Galeguinho” era coiteiro e que ele fez uso dela para matar o ex-padrinho.

Mas o que temos é o fato de cada integrante da tropa liderada pelo Tenente João Bezerra ter apresentado uma versão para os fatos ocorridos em Angico.

Difícil para o leitor é distinguir as bravatas ditas depois pelos soldados da volante e os fatos, relatos verossímeis dos fantasiosos.

Há a tese de envenenamento que é tentadora, mas pouco confiável.

Tem a versão “fantasiosa” de Antônio Honorato da Silva (Noratinho), que jurou ter sido ele quem atirou na cabeça de Lampião; o aspirante Francisco Ferreira disse que Lampião tombou após ele ter disparado uma rajada de metralhadora e tem a versão do cabo Antônio Bertoldo, que jurava também ter sido ele o homem que matou Lampião.

Há uma versão para todos os gostos.

Tenente João Bezerra da Silva

E mais: tem a narrativa de que tudo não passou de uma farsa montada por Lampião, tenente João Bezerra e Pedro de Cândido, um ardil que possibilitou a Lampião e Maria Bonita fugirem para Goiás ou Minas Gerais. Qual das versões merece crédito?

Para os cangaceiros não importa quem atirou, interessa mais quem escapou e como. Foi o caso do jovem adolescente José Ferreira dos Santos, sobrinho legítimo de Lampião, filho de sua irmã Virtuosa, que chegara ao acampamento de Angico dois dias antes do combate para se alistar no bando. Confiram o que ele relatou ao jornal A Tarde, de Salvador, edição de 2/03/1939.

“No dia seguinte, de manhãzinha, eu tinha acabado de lavar o rosto e fui apanhar um cigarro que eu deixara em cima de uma pedra, quando ouvi um tiro. Depois, outro. O pessoal todo pegando em armas. Todo mundo correndo. Eu, morto de medo, larguei o rifle que meu tio tinha e dado e caí no mato”.

Já o cangaceiro Vila Nova, afilhado de Lampião e vizinho de barraca, narrou o seguinte ao Jornal de Alagoas, em 25 de outubro de 1938.

“Às cinco horas da manhã quando começou o combate, Lampião já havia ido ao mato. Ao romper dos primeiros tiros, o chefe estava quase equipado, faltando apenas abotoar as correias dos bornais, quando foi atingido pelos dois primeiros projéteis. Imediatamente depois dos tiros, houve um pequeno intervalo, e os cangaceiros que estavam perto de lampião foram acossados por fortes rajadas que partiam da mesma direção. Logo caíram, mortalmente feridos, Quinta-Feira, Mergulhão, Colchete, Maria Bonita e Marcela”.

É pouco provável que Angico tenha sido uma conspiração armada entre Lampião, coiteiros, coronéis e a polícia. O fato é que pôs fim ao cangaço, e que ainda desperta a atenção e estudo por parte de muitos. Escolha a sua versão; eu fico com a história de Sebastião Vieira Sandes.

Fotos. 1. Sebastião Vieira Sandes. 2. Tenente João Bezerra. 3. Massacre de Angico, poucos dias depois. Alguns volantes presentes.

João Costa. Blogdojoaocosta.com.br

Fonte. “Apagando Lampião – Vida e Morte do Rei do Cangaço”, de Frederico Pernambucano de Melo”.

“Lampião – a Raposa das Caatingas”, de José Bezerra Lima Irmão.

https://www.facebook.com/groups/471177556686759

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NOSSOS LEITORES E LEITORAS... COMUNICO PARA OS AMIGOS E AMIGAS NÃO ABANDONAREM O NOSSO BLOG.

  Por José Mendes Pereira Até sábado próximo vindouro eu irei parar uns dias as postagens, mas não pensem que eu estou desistindo do cangaço...