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14 fevereiro 2022

ZÉ RUFINO O MAIOR DOS COMANDANTES

   Por Raul Meneleu Mascarenhas

Alcino Alves Costa foi um dos grandes pesquisadores do cangaço e em seu livro "Mentiras e Mistérios de Angico" traz o seu reconhecimento desse bravo pernambucano que combateu o banditismo e através de raciocínios lógicos, nos faz ver que realmente esse grande soldado, combatente de cangaceiros, foi também um excelente estrategista, e exemplo de coragem e inteligência. 


Quando comecei a estudar e pesquisar sobre o cangaço, inicialmente via Zé Rufino com reservas, sua caçada ao cangaceiro Corisco, foi finalizada de uma forma que podemos enxergar como prepotente, pois Corisco estava rendido e sem condições de enfrentar a força da volante comandada por ele. Não me atenho aqui às acusações que fizeram contra ele, em estar em busca de uma pequena fortuna que achava, se encontrar com o cangaceiro. 

Mas sim, a forma em que abateu um homem sem forças, praticamente aleijado, e que não podia sustentar o peso de uma arma. Morreu Corisco por talvez não querer ser preso. Sua mulher, Dadá, mulher de coragem e guerreira, baleada veio a perder uma das pernas, mas que Zé Rufino em respeito não permitiu que seus homens fizessem com ela e com o marido morto, o que comumente faziam, cortar as cabeças.

Sei que alguns ainda odeiam a esse homem corajoso e guerreiro, por sua perseguição a Lampião. Mas devemos entender que os cangaceiros eram bandidos e tinham que ser caçados, presos ou mortos nos combates, pois a sociedade sertaneja já não suportava as investidas muitas vezes bárbaras de tais homens.

Aqui temos uma entrevista concedida pelo famosos Comandante de Volante Policial, Coronel Zé Rufino ao Jornalista Paulo Gil Soares em 1964.

Abaixo, temos então o comentário de Alcino Alves Costa, sobre o célebre José Osório de Farias, o lendário Zé Rufino, que pode ser considerado o maior do comandantes de volante, e perseguidor de cangaceiros.

Zé Rufino o maior dos comandantes 

Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas , Sergipe e Bahia foram os Estados brasileiros que guerrearam anos sem conta os grupos bandoleiros que infestaram todo o chão nordestino. Tropas e mais tropas vagaram pelos ermos das caatingas, na perseguição incessante, expostos e sujeitos a toda espécie de perigos que o rigor da campanha fatigante os fazia enfrentar. 

Luta sangrenta que via varar anos e mais anos, aumentando, cada vez mais, o sofrimento e agonia do homem do campo, assim como os responsáveis pela manutenção da ordem que padeciam sentindo o orgulho ferido, sem poderem nada realizar para impedir a crescente força, cada vez maior, das grandes estrelas do cangaço. Esses mantenedores da lei não possuíam condições e nem meios para exterminar o grande flagelo oriundo do banditismo. Lendários e famosos, respeitados e temidos, receberam de seus superiores a delicada incumbência de comandar forças militares que adentravam as caatingas com o nome temível e violento de "Volante do Governo". 

Homens que, como os maiores do cangaço, se tornaram lendas na odisseia cruenta da guerra cangaceira. Poderíamos citar nomes e mais nomes de bravos chefes de volantes, heróis de envergadura de Clementino José Furtado, alcunhado de "Quelé do Pajeú", que em outros tempos havia sido um famanado cangaceiro lá das bandas de Triunfo, para depois servir ao governo de Pernambuco, comandando uma volante famosa e extraordinária, apelidada de "Pente Fino". 

Ninguém esquece as façanhas dos dois nazarenos: Manoel de Sousa Neto, o falado Mané Neto e Odilon Flor. Ainda: Luís Mariano da Cruz, Teófanes Ferraz Torres, que se celebrizou por ter sido o autor da prisão do luminar Antônio Silvino, o grande Rifle de Ouro do Nordeste; João Bezerra da Silva, célebre matador de Lampião; o baiano Liberato de Carvalho, destemido comandante de forças daquele Estado; José Lucena de Albuquerque Maranhão, afamado chefe das torças alagoanas de repressão ao banditismo e cruel matador de José Ferreira da Silva, pai de Virgulino. 

Ainda David Jurubeba, Arsênio de Sousa, Optato Gueiros e tantos outros que pelejaram com os facinorosos dos sertões; uns realmente caçando bandidos e muitos outros se espalhando pela imensidão das caatingas, adentrando matas e cerrados, sem pensar em caçar cangaceiro, mas com o intento único de beneficiar-se da caótica situação reinante nos campos pisados pelos bandoleiros, em nome de uma lei que, indignamente, se arvoravam de representantes, espoliavam e maltratavam ao máximo o homem e a vida daquele inculto e desconhecido mundo. 


Pernambuco, meca dos volantes, paraíso das grandes vinditas, é o Estado natal daquele que pode ser considerado o maior do comandantes de volante, o célebre José Osório de Farias, o lendário Zé Rufino. Nascido a 20 de fevereiro de 1906, na cidade de São José de Belmonte, seus pais se chamavam Osório Gomes de Farias e Maria Rufino da Conceição, residentes na fazenda "Vai Querendo". Família egressa da terra bravia do Ceará, vitimada por velhas e perigosas pendengas com os Bezerras, gente forte que os obrigara a abandonar seu solo e procurar vida nova nas regiões sertanejas do grande Estado nordestino. 

Um misterioso "causo" dava conta que Zé Rufino e Lampião vinham do tronco de uma mesma árvore genealógica cearense, ambos, porém, nascidos no sertão pernambucano. Se verdade ou lenda, o que se sabe, com absoluta certeza, é que os dois notáveis caboclos possuíam elos dos mais íntimos. Como se sabe, suas famílias foram egressas do Ceará, sendo que Lampião tinha apenas o pai, filho daquele Estado, uma vez que sua mãe, dona Maria Vieira Lopes, era filha de Manoel Pedro Lopes e dona Maria Jacosa Vieira, todos filhos do Pajeú. 

Possuíam, também, uma aparência física verdadeiramente impressionante: eram iguais na cor, na estatura, no formato, nos modos, na valentia, além de uma inteligência fora dos padrões normais daquela gente. Ainda tocavam fole, faziam perneiras e gibão, sapatos e rolós; ambos extraordinariamente bons no coice do mosquetão. Segundo declarações do próprio Zé Rufino, a Paulo Gil Soares, em seu livro "Vida, Paixão e Morte de Corisco o Diabo Louro", 
página 52, depois de convidado por Lampião para engajar-se no cangaço, recusa. 

Tempos depois recebe uma mensagem do coronel João Novais, que o induz a seguir para o Estado da Bahia, justamente para perseguir e combater o famoso conterrâneo que se bandeara para os sertões sergipano e baiano. E lá se vai o rapaz de São João do Belmonte com mais três parentes para o Estado da Bahia, mais precisamente para a cidade de Jeremoabo, sede, naquele Estado, da campanha de repressão ao banditismo. Vem daí o começo da guerra particular e feroz travada entre os dois pernambucanos, numa medição de forças que durou longos anos, espetacular disputa onde caçado e caçador mostravam toda grandeza de suas proezas e bravuras. 

Em pouco tempo vemos Zé Rufino comandando uma volante, já então iniciado nos caminhos da fama. Usando sua rara inteligência, escolhe vinte homens para com ele trabalhar. Os escolhidos eram destemidos e valentes, portadores mesmo de uma coragem muito acima dos limites da normalidade e da imaginação humana, todos experientes mateiros que, sob o comando seguro e capaz do filho de seu Osório, escreveram páginas repletas de heroísmo e glórias, escritas pelo fogo ardente e mortal expelido pela boca negra de suas temidas armas.
Homens Que Atuaram Nesta Famosa Volante 

Levando-se em conta que nem todos começaram e terminam juntos toda a campanha, de uma forma geral, a maioria sempre esteve junta, formando no mesmo grupo, com apenas uma ou outra mudança que o passar dos anos exigia. Os grandes nomes da volante foram os seguintes: Além do notável comandante, haviam: dois cabos; Artur Figueiredo e Miguel Bezerra, também conhecido como Miguel de Contânça; Gervásio, que era o rastejador, aliás, um dos melhores; os soldados Leonídio, Besouro, Capão, João Doutor, Joao Severiano, Zé Serra Negra, Paulino de Belo (Paulo de Tavinha), Bentivi, Alípio, Zé Monteiro, Jovino Juazeiro, Ercílio Novais, João Fuisso, João Venâncio, Zé Firmino de Matos, Valdemar e João Redondo. 

Nessa volante trabalhou também Badu Feitosa que poderia ter sido um dos mais famosos, mas foi expulso da volante (ver capítulo sobre o mesmo) 

Zé Rufino e seus comandados eram aquartelados no então povoado Serra Negra, no Estado da Bahia, nas divisas com o Estado de Sergipe, berço do clã dos Carvalhos, descendência familiar completamente diversa dos lendários Carvalhos de Pernambuco, que sustentaram a tenebrosa guerra com os Pereiras comandados pelos famosos Padre Pereira, Luís Padre, Sinhô Pereira, Né Dadu e tantos outros bravos. 

Os Carvalhos de Serra Negra eram senhores de cutelo e baraço, e o tenente João Maria era o grande chefe do clã, do povoado e das redondezas. Nesse povoado, Zé Rufino fez o seu ponto de partida para as ferozes batalhas contra os grupos de bandoleiros que infestavam os sertões da Bahia e de Sergipe. 

Zé Rufino e seus homens foram um dos grandes pontos de referência que ajudavam a alimentar as rezas, as crendices e o misticismo da gente sertaneja. Toda a sertanejada achava e ainda acha que os componentes dessa volante viviam protegidos pelas mandingas e rezas fortes da negra velha da serra, famosa pelas suas orações e patuás, razão pela qual os dessa volante jamais saíam feridos dos combates. 

Contam-se verdadeiros milagres acontecidos durante perigosos tiroteios, quando somente uma proteção superior ajudava os valentes de Zé Rufino a se livrarem das mortíferas balas dos medonhos inimigos. O massacre dessa volante era o grande sonho, não só de Lampião, mas de toda cangaceirada. 

O que se sabe, dentro do critério da mais pura verdade, se pelas rezas e crendices, ou ainda por qualquer outro mistério, é que os membros daquela lendária volante, homens que destemidamente enfrentavam, na guerra medonha dos sertões, os valentões do cangaço, vivendo quase sempre expostos aos enormes perigos dos mortais recontros, milagrosamente, nenhum deles foi morto ou sequer baleado. 

Portanto, não se compreende qual a força ou o poder dessa volante que tanto brigou, tanto guerreou, tantos bandidos matou ou feriu, sem sofrer qualquer baixa. Que estranho poder envolvia e amparava Zé Rufino e os seus? Por que as balas inimigas não atingiam o comandante e nem os seus comandados? 

Este foi caso único em toda história da guerra cangaceira. Para o povo tudo não passava das rezas daquela negra protetora da volante ou, talvez, a mão divina auxiliando e guiando Os bravos componentes da volante. Mas é claro, se deve reconhecer, dentro de toda essa sorte ou proteção maior, via-se a apurada técnica e maestria do genial comandante, que sabia, como poucos, enfrentar os mais duros combates, usando perfeitas táticas e magistrais manobras. 

Zé Rufino quase sempre conduzia a sorte para o lado de sua volante. Ao contrário de tantos outros comandantes, Zé Rufino procurava sempre se esmerar e se fazer respeitar não só pelos bandoleiros, mas por todos que nos sertões viviam e, mais ainda, pelos seus subordinados e superiores. 

Zé Rufino é um daqueles que fazem parte da gloriosa dinastia dos bravos guerreiros da história sangrenta, daqueles que de um lado ou de outro se enfrentaram na guerra sertaneja. É um dos lendários titãs cujos bacamartes faziam todo o sertão apequenar debaixo de suas duras ameaças. 

As grandes estrelas da valentia nordestina foram: Alexandre da Silva Mourão, o famanado dos Mourões; José de Barros Melo, apelidado de Cascavel, uma das feras dos irmãos Meios; o inimigo capital dos Mourões, parente muito próximo do famoso André Vidal de Negreiros, que foi um dos baluartes da luta contra os holandeses, o famoso bailarino e tocador de viola, Vicente Lopes Vidal de Negreiros, lendariamente conhecido como Vicente da Caminhadeira. 

Bravos como ele foram: Simplício Pereira da Silva, um dos ferozes homens dos Pereiras, apelidado de "Peinha de Mão"; Né Dadu, que formou com seu irmão Sinhô Pereira, as maiores bandeiras dos Pereiras; Os destemidos e heroicos defensores dos Carvalhos, inimigos mortais dos Pereiras, João Lucas das Piranhas, Jacinto Alves de Carvalho, o Celebrado Cindário; José e Antônio, das Umburanas; Cirilo do Lagamar, Luís Nunes de Souza, o famanado Luís do Triângulo; João e Manoel Marcelino, que eram, respectivamente, os cangaceiros Vinte e Dois e Bom de Vera; José Bernardo, que é o José Piutá ou ainda Casa Velha; Jesuíno Brilhante, que na vida comum se chamava Jesuíno Alves de Melo Calado, um dos maiores e mais afamados cangaceiros de Afogados da Ingazeira; o grande Rifle de Ouro dos Sertões, António Silvino, sem se falar na maior e mais luminosa estrela, o grande rei, Virgulino Ferreira da Silva. 

Portanto, não seria exagero juntar-se a essa plêiade de titãs, homens como o próprio Zé Rufino, Miguel e Artur, os dois cabos de sua perigosa volante; Mané Véio ou Antônio Jacó — a fera de Santa Brígida, Os nazarenos Mané Neto e Odilon Flor, os baianos Besouro e Leonídio e tantos outros que formaram nesta constelação que iluminou o universo cruento das terríveis lutas, pendengas e batalhas, que estão escritas no livro rubro da história sertaneja. 

http://meneleu.blogspot.com/2016/02/ze-rufino-o-maior-dos-comandantes.html

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13 fevereiro 2022

IRMÃOS FERREIRA TRANSPORTAVAM MALACACHETA

  Por Aderbal Nogueira

Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCG8-... As intrigas, a sobrevivência, o trabalho dos irmãos Ferreira.

https://www.youtube.com/watch?v=GVr1rehESq0&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Para ajudar na reconstrução da casa do Poço do Negro faça sua doação pelo Pix (87)981201786 Identifique sua contribuição com o nome "Poço do Negro". Link desse vídeo: https://youtu.be/GVr1rehESq0

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11 fevereiro 2022

TERIA LAMPIÃO DEIXADO RIQUEZA NO RASO DA CATARINA?

  Por Francisco Carlos Jorge de Oliveira


Segundo há relato dos mais antigos povos nordestinos que amargaram a vivencia de uma época sangrenta forjada a chumbo e aço das balas e punhais dos mais cruéis cangaceiros; que em alguma caverna escusa no âmago de um dos inúmeros labirintos que existem na imensidão rochosa do Raso da Catarina, encontra-se oculto e bem protegido pelos espinhos das inóspitas caatingas uma grande riqueza, ”o tesouro de Lampião”, imensas fortunas em moedas de ouro, jóias e pedras preciosas, além de armas e objetos de valores inestimáveis, obtidos através de saques, assaltos, furtos, sequestros e outros meios violento e dolorosos...





https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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10 fevereiro 2022

ANGICO - DO LIVRO DE MELCHIADES ROCHA.

 Por Rubens Antonio

Imagens do livro de Melchiades Rocha. "Bandoleiros das caatingas".

Barraca de Lampião e Maria Bonita

Policiais, em Angico, contemplando morto.

Mostrando a localização de Lampeão, quando foi decapitado.

http://cangaconabahia.blogspot.com/2017/11/angico-do-livro-de-melchiades-rocha.html

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09 fevereiro 2022

NOVA ORDEM DO CANGAÇO

  Por Raul Meneleu Mascarenhas


A partir do ano de 1929, passou a acontecer uma das mudanças mais radicais no modo do famoso cangaceiro portar-se perante seus inimigos, vindo a tornar-se muito mais perigoso ainda. Mulheres passaram a integrar seu bando e ele passou a dividi-lo em grupos e subgrupos. Que estratégia incrível para os padrões ‘cangaceirísticos’ daquela sua época. Ninguém ainda tinha feito isso. Eram uma espécie de clãs familiares e autônomos sob a direção de homens de sua inteira confiança. Era a Nova Ordem do Cangaço que se apresentava. Chamava menos atenção e seus inimigos não tinham a menor ideia onde ele se encontrava, pois o bando dividido, a população os via em muitos lugares e as autoridades ficavam sem saber onde centrar fogo, com números maiores de contingente.

Essa estratégia, ou por querer ou por necessidade e imposição do destino, fez que Lampião, perseguido sem descanso pelas Forças Volantes de Pernambuco, tivesse que fugir e refugiar-se na Bahia com cinco companheiros que lhe restavam e maltrapilhos e famintos ali chegaram para a recomposição mais espetacular de sua vida. Era o ‘Fênix’ que retornava mais forte e das cinzas ressurgia sua têmpera de ‘cabra macho’ que não temia ninguém .
Arte de Mário Cravo Júnior

Lampião veio a entender por conta da situação em que seus inimigos contavam com armas melhores e poderosas, que deveria mudar de estratégia. Em sua mente de guerreiro privilegiado e líder, compreendeu que já não tinha condições de dirigir um número considerável de cangaceiros. Além disso o  sertão ficava aos poucos modernizado, com estradas, vias férreas e pipocava o progresso. Sua vida e de seus cabras agora dependiam mais da ‘inteligence’ que de seus músculos, coragem e pontaria pois deixava aos poucos de ser um território virgem e impenetrável. O Governo estava agora em toda a parte com suas construções de progresso e sua ‘gana’ de exterminar o banditismo naquela região.

Élise Grunspan Jasmin em seu livro ‘Lampião, Senhor do Sertão’, veio a tecer um comentário de pé de página onde o chama de ‘O Guerreiro Sedentário’ justamente por substituir seus ataques violentos, embora vez em quando o fizesse, por essa nova ordem familiar tornando-se menos nômades. Em suas notas, Élise Grunspan Jasmin aponta para António Silvino que tentara “resistir a construção da estrada de ferro pela companhia Great Western no sertão da Paraíba. Em 1906, ele perseguia os engenheiros ingleses encarregados de executar os trabalhos, ameaçava os operários, cortava os fios telegráficos, deteriorava as vias já instaladas e extorquia os passageiros do trem. Constatando a ineficácia de sua empresa, enviou uma carta aos diretores da Great Western por meio de Francisco de Sá, um de seus empregados, dizendo que permitiria a construção da estrada de ferro mediante uma indenização de 30 contos de réis. Ver, a esse respeito.
Virgulino Lampião
Sempre que tinha oportunidade. Lampião ameaçava ou assassinava os operários que trabalhavam nos canteiros. Em 1929. fez interromper a construção de uma estrada que devia ir de Juazeiro a Santana da Glória, CE, e que devia passar por seu refúgio predileto, o Raso da Catarina. Em outubro desse mesmo ano, constatando que sua ameaça não tinha sido levada em consideração, matou um dos operários. Em 1930, perto de Patamuté. BA. atacou um grupo de operários e matou um deles. Em 1932. no sitio Carro Quebrado, entre Chorrochó e Barro Vermelho, na Bahia. Lampião executou nove operários.

No Estado de Sergipe. em fevereiro de 1934, atacou operários e paralisou a construção da estrada. As autoridades governamentais nunca levaram em conta as ameaças de Lampião, e a partir de 1930 intensificaram os projetos de abertura do sertão ao "progresso". No dia 9 de junho de 1935, por ocasião de uma reunião organizada em Águas Vermelhas, na fronteira de Pernambuco. Carlos de Lima Cavalcanti, governador desse Estado, e Osman Loureiro, governador de Alagoas propuseram um plano de construção de estradas e vias férreas nas zonas do sertão afetadas pelo cangaço. 

Elas deviam cortar sistematicamente em diversos eixos as regiões mais freqüentadas por Lampião e facilitar o transporte das Forças Volantes por caminhão, enquanto os cangaceiros se deslocavam quase sempre a pé. Os canais e as vias fluviais também deveriam ser controlados, pois permitiam o envio de armas aos cangaceiros. Lampião sabia que as conquistas tecnológicas com as quais as Forças Volantes tinham sido municiadas e a penetração das vias de comunicação através do sertão poderiam anunciar seu fim próximo e pôr em perigo sua autoridade na região (Informações extraídas das obras de Frederico Pernambucano de Mello, op. rir., 1985, e Quengo: !Amplio?, 1993).

Raul Meneleu Mascarenhas
Blog Caiçara do Rio dos Ventos

http://cariricangaco.blogspot.com/2014/11/nova-ordem-do-cangaco-por-raul-meneleu.html

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08 fevereiro 2022

MUTTI SE TORNA CUNHADO DE MARIA BONITA.

  Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=Ne7dgFtwFD0&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Poucas pessoas sabem, mas o ex-comandante volante baiano, Mutti, teve um relacionamento com Antônia Gomes de Oliveira, irmão de Maria Bonita e dessa relação tiveram um filho que seguiu a carreira militar, assim como o pai e se tornou aviador.

Nessa parte do seu depoimento ele conta como conheceu a jovem Antônia Gomes, irmã de Maria Bonita e toda a trama envolvendo o relacionamento do casal.

Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e publicações. Forte abraço! Atenciosamente:

Geraldo Antônio de S. Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia, Cangaçologia Shorts e Arquivo Nordeste. Seja membro deste canal e ganhe benefícios:


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07 fevereiro 2022

MARIA BONITA: ESPECULAÇÕES QUANTO À DATA DO SEU NASCIMENTO

 Por José Bezerra Lima Irmão

Maria Bonita nasceu no dia 8 de março de 1911 – assim afirmam Antônio Amaury Corrêa de Araújo, Alcino Alves Costa, João de Sousa Lima e Frederico Pernambucano de Mello, informação aceita por todos os estudiosos do cangaço na atualidade. Essa data serviu de referência para as comemorações do centenário do nascimento de Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, ocasião em que o mestre Amaury publicou o seu Maria Bonita – a Mulher de Lampião, sob os auspícios da Assembleia Legislativa da Bahia. Na folha de rosto, o autor assinalou os termos inicial e final da vida da personagem objeto de sua obra: “* 08/03/1911 † 28/07/1938”.

Essa data foi informada a Antônio Amaury por uma irmã de Maria Bonita chamada Antônia, que, sendo apenas três anos mais nova, tendo portanto praticamente a mesma idade, muito contribuiu para esclarecer várias minúcias sobre a vida de sua irmã.

O problema é que ninguém conseguiu localizar qualquer documento de Maria Bonita para confirmar a informação de Antônia. Foram vãs as buscas nos cartórios e paróquias de Jeremoabo, Glória (antiga Santo Antônio da Glória, em cujo município se situava a fazenda Malhada da Caiçara) e até de Senhor do Bonfim e Juazeiro.

Oleone Coelho chegou a considerar que se nem o doutor Amaury conseguiu achar certidão de identidade da cangaceira de Santa Brígida isso é sinal de que ninguém mais o fará, pois ninguém para ter como ele paciência e perseverança para rastejar esses pormenores no chão da história.

Mas Amaury fez escola. A busca foi retomada por seu discípulo João de Sousa Lima, sem dúvida um dos mais abnegados pesquisadores dos assuntos do cangaço, especialmente na região de Paulo Afonso, e nesse aspecto ninguém o supera. João de Sousa Lima dedicou-se anos a fio à pesquisa da vida de Maria Bonita, coligindo dados, entrevistando parentes e antigos moradores da Malhada da Caiçara, Sítio do Tará, Rio do Sal, Riacho e Arrastapé. O resultado desse esforço veio a lume em seu livro A Trajetória Guerreira de Maria Bonita, revelando tudo o que importa sobre a vida e a família da famosa cangaceira. Faltava, porém, uma prova que atestasse a data do seu nascimento, já que a data aceita – 8 de março de 1911 – era baseada apenas na memória de sua irmã Antônia.

Luiz Ruben de Alcântara, outro incansável estudioso, depois de quase duas décadas de pesquisas sobre o cangaço, vasculhando documentos oficiais, jornais e boletins policiais, nas bibliotecas, arquivos públicos e institutos históricos de vários estados, dá conta de sua perplexidade ante as informações sobre Maria Bonita. Luiz Ruben reuniu com o tempo um universo de elementos sobre o cangaço, e, polido e prestimoso, de forma louvável, põe à disposição dos amigos todo esse cabedal. Tudo o que se quiser, é só pedir a ele. Não conseguiu, porém, obter a certidão de batismo ou do registro civil da famosa sertaneja.

Outro grande pesquisador, Frederico Pernambucano de Mello, detentor de considerável acervo sobre o cangaço, reunido e catalogado de forma criteriosa e metódica, também não logrou êxito no tocante às certidões da Musa do Cangaço.

Com o tempo, alguns livros de registros cartorários e paroquiais se deterioraram(por incêndios, goteiras, mofo, cupins, ratos, baratas, traças) ou se extraviaram.

Há ainda a questão da dificuldade de acesso a esses livros. Não se pode ir a um cartório ou arquivo paroquial e dizer que quer ver este ou aquele livro, e de pronto verificar livremente folha por folha o que nele consta. Não é assim. O interessado precisa saber mais ou menos o que quer, em especial o nome da pessoa a ser pesquisada, o período do fato e outros dados, e então a pessoa competente do próprio cartório ou paróquia faz a busca. Muitas vezes é preciso fazer o pagamento antecipado da taxa do serviço. Quase sempre é marcada data para fornecimento do resultado positivo ou negativo da pesquisa. A busca pelo próprio interessado somente é possível à base do “jeitinho” – por amizade, confiança ou outro recurso.

O padre Celso Anunciação, notável teólogo, comunicador social, clérigo erudito, à época em que foi vigário da Paróquia de São Francisco de Assis, em Paulo Afonso, empenhou-se na busca da certidão de nascimento ou de casamento daquela Maria que tinha o mesmo nome da Menina da Galileia, sendo ele também um estudioso daquela Maria sertaneja, como a Judite que não suportava Holofernes – conforme ele mesmo justificaria a motivação da sua busca, tendo inclusive realizado em Paulo Afonso a mostra cultural intitulada “Maria Bonita em Nós”. Valendo-se da facilidade de acesso aos arquivos paroquiais, o padre Celso empreendeu várias viagens para abrir velhos livros de registros de batismos e casamentos em Senhor do Bonfim, Glória e Jeremoabo.

O pesquisador Voldi de Moura Ribeiro, em companhia do padre Celso Anunciação, achou a certidão de batismo de uma Maria (somente Maria, sem sobrenome), nascida a 17 de janeiro de 1910, filha de Maria Joaquina da Conceição.

Em virtude do nome “Maria”, e tendo esta como mãe Maria Joaquina da Conceição, havia sobejas razões para se supor que aquele seria o registro do nascimento de Maria Bonita.

Ocorre que o próprio Voldi, tendo entrevistado duas sobrinhas de Maria Bonita–Adailde Gomes de Oliveira (filha de Zé de Déia, irmão de Maria Bonita) e Maria Geuza Oliveira dos Santos (filha de Antônia Maria de Oliveira, irmã de Maria Bonita) –, assegura que “ambas foram enfáticas em afirmar que todas as irmãs de Maria Bonita tinham o nome MARIA” (Voldi de Moura Ribeiro, Lampião e o Nascimento de Maria Bonita, p. 84).

Em sua pesquisa, Voldi constatou que de fato tanto Maria Bonita como suas sete irmãs tinham todas elas “Maria” no nome, sendo na família distinguidas como Benedita Maria (Benedita), Maria Gomes (Maria de Déia), Antônia Maria (Deusinha), Amália Maria (Dondom), Francisca Maria (Chiquinha), Joana Maria (Nanã) e Olindina Maria (Dorzina).

A certidão atribuída a Maria Bonita é na verdade a certidão de Benedita Maria, a primogênita, que foi batizada simplesmente como “Maria”, identificando-se na vida adulta como Benedita Maria de Oliveira, Benedita Gomes de Oliveira ou Benedita Maria da Conceição (este foi o nome declarado ao se casar com Antônio José de Oliveira).

Voldi é um pesquisador dedicado e perspicaz. Ele obteve e publicou em seu livro a certidão de “Maria”, ou seja, de Benedita Maria (ob. cit., p. 83).

O próprio Voldi observa que Benedita ora era chamada Benedita Maria de Oliveira (conforme legenda da foto à p. 69), ora Benedita Maria da Conceição (conforme texto em negrito à p. 97). A “Maria” em apreço, ao se casar com Antônio José de Oliveira, declarou o nome de Benedita Maria da Conceição (p. 97-98).

Voldi encontrou na mesma ocasião o assentamento do matrimônio de Joanna Maria d’Oliveira (Nanã, Nanzinha, p. 96-97) e o registro de “Antônia” (sem sobrenome), que é justamente Antônia Maria da Conceição (Deusinha, p. 98-99), o que corrobora a informação de que todas as irmãs tinham “Maria” no nome, se não no batistério, mas no convívio social.

Era comum na época constar nos batistérios apenas o “nome” da criança, sem sobrenome. Lampião foi batizado simplesmente como “Virgolino”, e mesmo no registro civil foi assim que foi feito o assentamento oficial – apenas Virgolino, sem sobrenome.

Voldi Ribeiro obteve também a certidão do registro de nascimento de Maria Joaquina da Conceição (Dona Déia, mãe de Maria Bonita), e ao comentar esse achado ele deixa patente ter percebido que a “Maria” que consta na certidão atribuída a Maria Bonita é na verdade Benedita Maria. Diz Voldi:

“a. O primeiro aspecto que nos chamou à atenção foi o Registro de Nascimento, além de identificar uma coincidência com o nome exato da Mãe de Maria Bonita, tem o fato dela mesmo ter nascido no ano de 1894 e a data e o ano do seu falecimento ter sido em 16 de junho de 1964, então com 70 anos, o que nos indica que no ano do nascimento de Benedita, a primogênita provavelmente em 1909 ou 1911, a mesma estaria então com 15 anos de idade, no costume do Sertão Nordestino da época, era bastante comum uma mulher ter os primeiros filhos em torno desta idade” (sic – p. 99-100).

Ou seja, quando Maria Joaquina da Conceição (Dona Déia) deu à luz sua primogênita, em 1909 ou 1911, tinha mais ou menos 15 anos, e a primogênita foi Benedita, conforme reconhece Voldi Ribeiro.

Ora, Benedita nasceu em 1910 (portanto entre 1909 e 1911). Os autores dão realmente 1910 como o ano do nascimento de Benedita. Conforme assinalou o mestre Antônio Amaury, “... em 1910 veio ao mundo uma menina que recebeu o nome de Benedita e tornou-se a irmã mais velha da menina que nasceu no ano seguinte e que é a nossa focalizada” (ob. cit., p. 46).

Sabe-se agora, graças à descoberta de Voldi Ribeiro, que Benedita Maria nasceu no dia 17 de janeiro de 1910.

Em suma, 17 de janeiro de 1910 é a data do nascimento de Benedita Maria de Oliveira ou Benedita Maria da Conceição, nomes adotados por ela na vida adulta, e não a data do nascimento da outra Maria, Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita.

Ao analisar essa certidão, João de Sousa Lima, embora a considere “prova plausível”, deixou patente seu ceticismo, ponderando que poderia se manifestar de modo mais aprofundado nessa questão “se outra documentação for encontrada trazendo referências mais palpáveis sobre a data de nascimento de Maria Gomes de Oliveira” (Revista Contexto – Educação, ano 3, nº 5, out/nov 2012, da Secretaria de Educação de Petrolina, PE).

É louvável o empenho do abnegado Voldi Ribeiro, que com essa pesquisa lançou novas luzes sobre aspectos importantes da família da primeira-dama do cangaço, especialmente ao descobrir o nome da avó materna de Maria Bonita – Francelina Maria da Silva (ob. cit., p. 99/101). Esta descoberta vem em boa hora, pois antes se supunha que sua avó materna se chamava Ana Maria da Conceição, e agora se fica sabendo ser esta a avó paterna, conforme já havia assinalado Antônio Amaury em seu consagrado Maria Bonita – a Mulher de Lampião (p. 45).

Enviado pelo autor em 2020.

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