29 de mai. de 2018

MORDENDO A BATATA

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.911

Quando o dia queria morrer, acenderam uma fogueira. Mesmo sendo verão, começou a chegar um vento frio que se foi tornando cada vez mais gelado e, eu que sou friorento, não mais aguentei a situação e fugi. Fui refugiar-me dentro e no fundo da barraca de lona preta, armada pelos pescadores. Durante o dia havíamos subido com eles de Belo Monte até ali ao sítio Telha. Naquele lugar deslumbrante e terrível, acampamos no leito seco do rio Ipanema, no lado de baixo das temíveis corredeiras. A proposta era passar uma noite pescando pitu, camarão e peixe, coisa que havia sido feita pelo dia. Após a pesca de covos, houve pirão de peixe e bom descanso. Eu, mais dois amigos e cerca de três pescadores do São Francisco, queríamos apenas um aventura farrista.

PITUS. (COZINHA CAIÇARA).

Um garrafão de cachaça de cabeça levada por nós, ao invés de animar, acabou a brincadeira. Os meninos de Belo Monte entraram abaixadinhos no “caldo de cana” a que não estavam acostumados. Eu não conseguia dominar o frio no fundo da barraca e imaginava uma cheia repentina naquele cânion que nem a alma escaparia. De repente os pescadores se desentenderam motivados pela “marvada”, rolou confusão e pega-pega, sendo preciso corajosa intervenção dos amigos para acalmar os ânimos. Quando a poeira baixou, os caboclos ainda continuaram verificando os covos, catando os pitus nas armadilhas, produzindo na fogueira os petiscos para as demais rodadas.
Infelizmente aquela noite não era eterna e deu tempo suficiente para me arrepender da empreitada. Mas como saberia da brusca amplitude térmica do lugar? Acho que não preguei o olho, ansioso pela barra do dia. E quando finalmente a luz solar mostrou a face, fui ver o campo de batalha. Entre mortos e feridos escaparam todos do frio, da arenga e da cachaça de cabeça. Estavam estirados pelo areal e pelas enormes pedras das corredeiras. Mais tarde juntamos tudo e partimos para Belo Monte.
Nunca mais quis saber de aventura noturna que pudesse me trazer prejuízo. Os camaradas da pesca voltaram todos com a cara de burro depois da fuga. Nem sei dizer se os seus dentes estavam sadios após as dentadas na cana, mas, cachaça de cabeça, “véi”, quem quiser que vá comprá-la na casa das “mile peste!”, tenho dito.


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27 de mai. de 2018

RASO DA CATARINA - PRIMO DE GATO

Gravação do cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=4Lw7P2Dlvxs

Publicado em 6 de mar de 2018

Viagem ao Raso da Catarina ano 2000. Nessa viagem encontramos um primo do cangaceiro Gato. Aqui uma pequena parte da excursão.

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24 de mai. de 2018

DA MARANDUBA A JUAZEIRO (UMA INACREDITÁVEL HISTÓRIA CANGACEIRA)

*Rangel Alves da Costa

Naqueles idos de 32, ano do famoso Fogo da Maranduba, em cujo mês de janeiro as volantes comandadas pelo baiano tenente Liberato de Carvalho e pelo pernambucano Manoel Neto, arremeteram contra o bando de Lampião acoitado nos arredores da Fazenda Maranduba, sendo aquelas derrotadas pela astúcia estratégica do Capitão, o até agora pouco conhecido aconteceu. E com consequências realmente inacreditáveis.
Pois bem. Rumbora. Àquela época as terras da Fazenda Maranduba, na povoação sergipana e sertaneja de Poço Redondo (então distrito de Porto da Folha), pertenciam à família Soares, tendo sua matriarca Dona Maria da Invenção Soares o seu comando, ainda que sua residência familiar fosse situada em Curralinho, nas beiradas do Rio São Francisco. Sua residência ficava numa das esquinas da Rua da Frente, defronte ao rio, nas proximidades da capelinha de Santo Antônio.
Era, na verdade, uma vida dividida entre Curralinho e Maranduba, passando temporadas num ou noutro lugar. Mas seus filhos homens, dentre os quais Lé Soares, Pedro Soares, Josias Soares e Antônio Soares, nomes ainda hoje afamados pelo tino vaqueiro e pelas proezas na lida da terra e do gado, geralmente permaneciam mais tempo na propriedade familiar, na Maranduba. Não se sabe muito bem se já eram conhecidos de Lampião e seu bando, mas a verdade é que no dia do famoso fogo, a 9 de janeiro, um dos filhos de Dona Invenção estava no lugar errado e na hora errada. Seu nome: Antônio Soares.
Quando Lampião chegou às terras da Maranduba o sol já estava alto. Depois de pernoitar nos arredores da Fazenda Queimada Grande (sem saber que a volante de Liberato de Carvalho estava por perto, pois o comandante baiano havia passado a noite na casa da fazenda, de propriedade de seu irmão Piduca da Serra Negra), o bando seguiu em direção às terras de Dona Invenção, certamente apenas como passagem rumo aos limites baianos. A parada foi para o descanso e o preparo do regabofe. Os cangaceiros sequer imaginavam que em tão pouco tempo seriam surpreendidos não por uma tropa volante, mas por duas.
Estrategicamente precavidos, espalhados debaixo de umbuzeiros, encobertos por tufos de matos e arvoredos sertanejos, mesmo assim foram surpreendidos com os assombros que começaram a surgir nas sombras distantes: os homens das volantes. Corre e corre, toma posição defensiva e de ataque, protege-se, espera-se um momento ideal para atacar. Só havia um problema: Antônio Soares estava ali. O filho de Dona Invenção estava reunido com um dos grupos cangaceiros debaixo de um umbuzeiro quando as volantes chegaram. Foi quando Maria Bonita gritou: “Corre Tonho Soares!”.
O grito de Maria Bonita e o eco do nome Tonho Soares tiveram consequências devastadoras. Aquele nome seria cobrado muito caro pelas volantes, principalmente pelo ódio escorraçado e derrotado do comandante Liberato de Carvalho. E assim porque, não conseguindo superar e vencer as forças cangaceiras, o comandante baiano prontamente lançou seu ódio sobre a família Soares, dona da Maranduba. Acreditava-se que a presença de Antônio Soares junto ao bando era a comprovação de que a família dava apoio e guarida ao bando do Lampião.
Com efeito, assim que Liberato de Carvalho chegou a Curralinho transportando em redes os feridos da batalha, a primeira providência tomada foi mandar que seus comandados prendessem todos os filhos de Dona Invenção. Mas queria um troféu chamado Antônio Soares. Este, porém, não estava. Fugindo da batalha foi parar nas terras de Canindé. Os irmãos Soares então foram levados presos em canoas até Canindé, mas forçosamente liberados após não terem encontrando a caça maior. Aqueles não interessavam, apenas Antônio, aquele mesmo avisado por Maria Bonita: “Corre Tonho Soares!”.
E daí em diante entra o inacreditável da história. Avisado do ocorrido, Antônio Soares permaneceu escondido na mata por mais de ano. Todo rasgado, faminto, barbudo e cabeludo, parecendo um bicho. Comia do que encontrava no mato e do bicho que conseguia matar. Calçava chinelo feito de couro de boi morto na caatinga e adormecia nos escondidos. Até que um dia recebeu uma inesperada visita. Avistou um pássaro estranho pairando no alto e sentiu algo como uma revelação. Teria que ir urgentemente a Juazeiro do Norte, pois Padre Cícero lhe esperava.
E foi. Andando pelo meio do mato, mas chegou à sagrada terra nordestina já muito entrado o ano de 33. Sem se importar com a aparência que causava espanto às pessoas, postou-se numa praça e ali ficou imaginando o que fazer. De repente viu um padre de batina escura se aproximar e logo percebeu que era o Padre Cícero. As primeiras palavras do padre: “Você é Antônio Soares, não é?”. Espantado com aquele reconhecimento, só tomou prumo de si quando Padre Cícero colocou dinheiro em sua mão e pediu para que providenciasse logo a mudança naquela aparência, comprando roupa, fazendo o cabelo e a barba e se alimentando.
Depois disso, já no encontro marcado para o dia seguinte, ouviu do padre: “Tome aqui esse dinheiro e agora já pode retornar. Tem dinheiro suficiente para que dê esmola a quem precisar até a chegada ao seu destino. Mas não vá para outro lugar. Volte para as terras de onde veio, para a casa de sua família”. Então Antônio Soares retornou a Maranduba e nela viveu sem ser mais incomodado por ninguém.

Escritor
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21 de mai. de 2018

O “BICHÃO” DE PORTO DA FOLHA

Por Rangel Alves da Costa

Uma verdadeira lenda rural (e não urbana, logicamente) vem se espalhando nos últimos dias no município vizinho de Porto da Folha. Relatos dão conta que um “bichão” vem atacando e assombrando pessoas nas terras buraqueiras. Tendo cuidado com os exageros, prefiro acreditar nas palavras do sertanejo, no homem da roça. O primeiro relato surgido dava conta de um ser monstruoso, meio humano e meio bicho, de porte alto, “fedorento que só o raio da silibrina”, que de repente surgiu para atacar um homem que seguia, já na noite, por uma estrada de chão em direção à sua residência. 


O bicho apareceu e não houve jeito de espantá-lo através da foice que o trabalhador carregava. O monstruoso somente correu quando um automóvel apareceu ao longe e iluminou naquela direção. Amedrontado, esbaforido, cansado da luta para se defender, mal o homem alcançou lugar para se proteger e o “bichão” apareceu novamente. Nova luta inglória, pois o bicho raivoso e fedorento atacava ainda com mais fúria, até que o farol de uma motocicleta novamente salvou o sertanejo. Como visto, o “bichão” só tem medo de luz, de iluminação, de farol, bem próprio das coisas da escuridão. Com o novo sumiço, o homem juntou as forças que tinha e correu em disparada, aos gritos e berros, até chegar à residência de um conhecido, logo adiante. Chegou aos prantos, tremendo feito vara verde, sem poder sequer falar sobre a sua lastimosa situação. Dizem que até hoje o homem não se recuperou do apavorante encontro com o “bichão”. E agora surgem informações sobre o aparecimento de outro ser assombroso, todo enegrecido, com ponta na testa e outras aberrações, também imenso e malcheiroso. Dessa vez o encontro se deu por uma mãe e sua filhinha. E novamente foram salvas por um farol de veículo. Mas nos exageros do povo, ou no poder de invencionice popular, já se dá conta de outros aparecimentos do “bichão”. Um desses relatos diz que o ser monstruoso tudo faz para passar entre as pernas da pessoa que está sendo atacada, pois assim a vítima também será possuída pelas forças do mal. Como disse, exageros e mentiras à parte, não se pode desacreditar totalmente em tais aparições aterrorizantes. O mundo está revirado e onde quase já não há lugar para o bem, logo o mal começa a atacar. De todo jeito, é melhor ter cuidado com a noite, com as estradas e seus labirintos. É preciso ter cuidado também com o homem, pois o lado “meio homem” do bicho pode ser qualquer um que continuamente carregue o mal no coração. Contudo, muito ainda virá por aí e essas histórias todas redundarão em verdades que ninguém - mas ninguém mesmo - vai querer acreditar. Quem viver verá!

Rangel Alves da Costa

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18 de mai. de 2018

NOTA DE FALECIMENTO!


É com muita tristeza que os Familiares comunicam falecimento de José de Arimatéia Soares, professor aposentado de história do Abel Coelho e do Ginasio Municipal de Mossoró.

O corpo será velado no centro de velório Sempre, em frente ao Tiro de Guerra.

O sepultamento será as 17 horas no cemitério São Sebastião.

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17 de mai. de 2018

HOMENAGEM


UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE-UERN FACULDADE DE ENFERMAGEM DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO 

DRA. TANIAMÁ VIEIRA DA SILVA BARRETO 

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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15 de mai. de 2018

A ESCRITORA SHIRLEY CAVALCANTE VEIO PARA FICAR.


Uma das maiores divulgadoras de livros e escritores atualmente na internet, a bela Shirley Cavalcante vem acumulando elogios de vários escritores famosos que não dispensam em exaltar o seu impecável trabalho em divulga-los.

Coordenadora na empresa Portal Literário Divulga Escritor.
Assessora de imprensa online na empresa SMC Comunicação Humana.
Mora em João Pessoa.

Solteira.

Gerencia Portal Literário Divulga Escritor, Tito Laraya e outras 7 Páginas no Facebook.

A escritora Shirley apesar de muito trabalho e dedicação aos escritores que a procura para divulgarem seus livros, ela arranja sempre tempo para dar uma palavra de conforto aos novos autores que vem surgindo no mundo literário. Com a sua gentileza, ela vem conquistando o mundo dos escritores.
Shirley M. Cavalcante é ativista cultural, administradora do projeto Divulga Escritor, Editora da Revista Acadêmica Online, Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia, jornalista, radialista. Graduada em Comunicação Social pela UFPB, especialista em gestão empresarial e de pessoas, assessora e consultora de Comunicação e Marketing, Consultora Editorial, e diretora executiva da SMC Comunicação Humana.  Em seu trabalho, ela utiliza a Comunicação como ferramenta estratégica para a solução dos conflitos existentes nas Relações Humanas.
Acadêmica Correspondente da Academia de Artes Ciências e Letras de Iguaba Grande – RJ, da ARTPOP - Academia de Artes de Cabo Frio.
Membro efetivo do CONINTER – Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Arte, ocupando a cadeira de N. 17 – Patronesse Cecília Meireles, Comendadora, tendo recebido do CONINTER a comenda da Ordem do Mérito Histórico – Literário Castro Alves, por relevantes serviços prestados ao desenvolvimento da literatura Lusófona. 
Em 2014 recebe, do CONINTER, prêmio “Cecília Meireles” de Literatura, Poesia, Jornalismo e Ativismo Cultural.

Em 2015, recebeu do Movimento da União Cultural - Clube dos 21 irmãos-Amigos de Taubaté o título de Construtor da Brasilidade e o Prêmio do Grande Mérito Literário-2015.

Em 2016 é nomeada pelo CONINTER Senadora Cultural Acadêmica para o Estado da Paraíba, representando oficialmente o Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Arte em reuniões e eventos culturais e acadêmicos.

Em 2017 ingressa como Acadêmica Correspondente da ACLA – Academia Caçadorense de Letras e Artes.

É autora do livro: Manual Estratégico de Comunicação Empresarial/Organizacional.
   
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12 de mai. de 2018

A NOITE EM QUE A POLÍCIA E O POVO TODO DE POÇO REDONDO CORRERAM COM MEDO DE UM BURRO


Por Manoel Belarmino

Eu já postei diversos textos de minha autoria aqui no face sobre lendas, sobre política, sobre religião, sobre tudo. Poesia, ficção e fatos reais. E este que agora escrevo não é lenda, é mais um texto sobre um fato real. O fato realmente aconteceu no ano de 1937. Nessa época, nessa quadra (como dizem os mais antigos), Lampião estava no auge da fama. Naqueles dias, a volante havia matado o cangaceiro Pau Ferro no Riacho das Quiribas, perto das Areias. E Lampião havia decidido e anunciado que vingaria a morte do cangaceiro, matando todos os soldados do quartel do Poço Redondo. E naqueles dias, também por vingança da morte de Pau Ferro, os cangaceiros já tinham matado, no caminho de Curralinho, os soldados Tonho Vicente e Sisi. Depois da morte dos soldados, Lampião mandou um recado para o quartel dizendo que não estava satisfeito só com as mortes dos dois soldados e que, em breve, invadiria o povoado para destruir o quartel, matando todos os soldados. A população de Poço Redondo tremia de medo. E com mais medo ainda estavam os soldados no quartel.

A noite chegou. E não tinha lua. Tudo estava escuro e em silencio. Os soldados no quartel, tremendo de medo, estavam calados e com as lamparinas apagadas. Todos os moradores já estavam, desde que a noite chegou, com os candeeiros apagados, trancados em casa. Mas o medo não deixava ninguém dormir. O silêncio tomou conta da cidade. Ouvia-se apenas alguns poucos barulhos de chocalhos de cabras, latidos de alguns cachorros e as corujas rasga-mortalha. E mais nada. As poucas casas do povoado parecia que já tinham, de medo, adormecido antes dos seus moradores.

De repente, inesperadamente, um grande barulho como se fosse de cavalos acontece na praça da igreja, no centro do povoado Poço Redondo, ali onde hoje é a Praça da Matriz. Os soldados e o povo todo se assustam. Pelos fundos das casas, assustados, tremendo de medo, todos correm para o mato. Correm homens, mulheres, meninos. Os soldados também correm, abandonam o quartel, e se escondem, amoitados, na parede do Tanque Velho. Alguns soldados esquecem até de levar as armas.

Aí o barulho parou. Tudo fica em silêncio naquela noite escura, sem lua e parcialmente nublada. Nem latido de cachorros. Nem um disparo. Nem um tiro. Somente alguns rasgos de corujas rasga-mortalha angorando algumas mortes que viriam acontecer na região. Nem um grito de alvoroço. Nada...

Depois de alguns minutos, meia hora aproximadamente em silêncio, alguns moradores, aos poucos, vão retornando para as suas casas. Depois todos os moradores retornam. Por último, os soldados retornam para o quartel. Não era nada. Não era um ataque dos cangaceiros. Era um burro (equus mulus mulus) cabriolando no centro da Praça de Poço Redondo.

Os soldados ficaram envergonhados. As pessoas, apesar de assustadas e morrendo de medo, ainda riam. Riam da carreira deles e da carreira dos soldados do quartel.

Essa foi a noite em que um burro cabriolador botou toda a polícia e todo o povo de Poço Redondo para correr.

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9 de mai. de 2018

VOLTA SECA

https://www.youtube.com/watch?v=NSMqgHHw2tk

Publicado em 3 de mai de 2015

Breve historia do Cangaceiro menino que fez parte do bando de Lampião e se entregou-se a policia, cumprindo 20 anos de prisão em salvador. As musicas desse vídeo são de volta seca colhida do seu vinil do ano de 1957.

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"Sabino e Lampeão" por Volta Sêca ( • )

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7 de mai. de 2018

RÁDIO EMISSORA RURAL-WWW.AM730.COM.BR PROGRAMA NAS ASAS DA ASA BRANCA-VIVA LUIZ GONZAGA. TODO DOMINGO 7HS DA MANHÃ-JORNALISMO E IDENTIDADE CULTURAL.

Facebook na página do poeta, escritor pesquisador do cangaço e gonzaguiano Kydelmir Dantas



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4 de mai. de 2018

PRÓXIMO À FAZENDA SERROTE PRETO

Por Geziel Moura

Sertão de Alagoas..., próximo de uma fazenda chamada Serrote Preto, em que o bando de Lampião combateu 3 volantes, em 1925, sendo que despachou muito policiais.

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2 de mai. de 2018

VOLANTE MANÉ VÉIO, UM HOMEM SEM ESCRÚPULOS


No tempo do cangaço, havia em todo e qualquer recanto da vasta região do sertão nordestino a ‘matéria prima’ para os bandos de cangaceiros. Em primeiro lugar estava o vaqueiro. Homem destemido, valente e que foi forjado na própria dureza da região. Em segundo, seria qualquer catingueiro vítima de maus tratos sofridos pelos jagunços dos ‘coronéis’ ou pelos próprios homens metidos por dentro de uma farda que representava a “Lei” da região.

Não havia condições para os magistrados exercerem suas funções devido o poder central dominante estar centralizado nas mãos dos políticos governantes. Aquele que começa a tentar impor a lei era, automaticamente, transferido para um lugar distante a pedido de algum ‘Manda-Chuva’ local. Os poderes eram centralizados em um só, no governante e seus correligionários. “Mandava quem tinha poder e obedecia quem tinha juízo”, porém, de quando em vez aparecia malucos que não baixavam a cabeça para as determinações dos poderosos.

Com o alastramento do banditismo rural, muitos daqueles que eram bandidos, bandoleiros ou mesmo procurados pela justiça poderiam se alistar como contratados do governo para darem combate aos bandos. Dessa forma, sem ter como fazer uma triagem nos homens que apareciam para serem contratados pelo governo, através dos vários comandos de volantes que tinham seus Quartéis Generais improvisados em várias cidades estratégicas, diariamente. João Gomes de Lira, saudoso volante nazareno em entrevista relatou que não tinham sequer instruções para conhecerem a arma que seria sua ‘ferramenta de trabalho’ daquele momento em diante, aliás, referiu que não havia instrução alguma. Entregavam-se a vestimenta, a arma e a munição e lá estava um novo combatente das Forças Públicas estaduais.


No primeiro meado de 1912 nasceu um cidadão chamado Manoel Marques da Silva, na pequena Santa Brígida, BA. Ele era filho do casal Jacó Marques da Silva e dona Jovina Maria da Silva. Casal pobre que vivia na labuta diária.

Na família desse baiano brotou vários combatentes de sangue no olho. Homens corajosos que não temiam a morte. Um de seus tios, “Elias Marques”, combateu cangaceiros até ser abatido na batalha da Maranduba, município de Poço Redondo, SE, em 1932, pelo bando de Lampião. Morreu nos braços do próprio filho “Procidônio”, que também era volante.

Desde sua tenra idade que Manoel Marques da Silva ganhou a alcunha de Mané Véio. Desde cedo que demonstrou ser um cabra valente que não temia a nada. O escritor Alcino Alves Costa, em seu “Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistério de Angico”, 3ª edição, 2011, referindo sobre a infância dele, nos revela: “O baianinho, desde criancinha, era chamado pelo carinhoso apelido de Mané Véio. Era magricela, esguio, alto, de boa presença e com uma conversa fluente; porém genioso e malcriado ao extremo.”

Em 1927, mais taludinho, pois já tinha seus 17 anos de idade, o jovem de Santa Brígida resolve entrar para a Força Pública baiana para dar combate aos cangaceiros que estavam aterrorizando aquela região. Para os jovens daquela época, em determinados anos de seca, só havia dois caminhos para eles seguirem na tentativa de sobreviverem: o cangaço ou a volante. Mané Véio ingressou na Força Pública sob o comando do tenente Francisco Moutinho Dourado, por todos conhecido como tenente ‘Douradinho’. Depois dessa ‘escola’ com o tenente Douradinho, Mané Véio passa a prestar seus serviços ao comandante de volante sargento Adolfo e, por fim, passa a exercer sua função comandada pelo conhecido tenente Liberato de Carvalho. Tendo feito sua ‘escola’ militar sob o comando desses grandes comandante, e conseguido sobreviver, Mané Véio estava pronto para tudo que viesse encará-lo.


Manoel Marques se casa com a jovem Cidália. Cidália era da mesma Santa Brígida. O casal gerou um filho e lhe deram o nome de Abílio Marques. Mané Véio era, segundo pesquisadores, bastante mulherengo, não podia ver um rabo de saia. Esse era o grande motivo que, depois de certo tempo, as brigas tornaram-se rotina na moradia do casal. Uma das ‘namoradas’ de Manoel Marques, a jovem Pureza, fez a sua cabeça virar totalmente, tanto que logo ocorreu a separação entre ele e Cidália. Mesmo estando separado, Manoel Marques não deixou de fornecer o que mãe e filho precisavam. Quando tinha que sair em alguma missão, não sabendo quando seria seu retorno, Mané deixava incumbido um de seus parentes, João Silva, encarregado de prestar toda e qualquer assistência que eles precisassem. E sempre que retornava acertava as contas com João, seu parente.

Cidália era uma baiana cor de canela, faceira, de corpo exuberante. Devido a isso tudo, começa a aparecer no volante de Liberato de Carvalho a desconfiança. Após ver cair um bilhete do bolso de seu parente, João Silva, Manoel Marques coloca na cabeça que era um bilhete de Cidália. Ele agora achava que seu parente tinha algum chamego com ela. Sem dar noção de seu pensamento desconfiado, Mané Véio se despede do parente e vai até sua morada, pegou seu mosquetão e saiu à procura da mãe de seu filho.

Naquele tempo, as vizinhas se juntavam e iam todas para beira de um regato, açude, cacimba ou caldeirão com a roupa que tinham que lavar. Naquele dia, Cidália e algumas mulheres, suas vizinhas e uma irmã chamada Zafira, estavam na fazenda Cajueiro justamente lavando as roupas. Manoel Marques logo é notado pelas lavadeiras seguindo em direção as mesmas. Apesar de estar com sua arma nas mãos, nada desconfiam as mulheres, pois ele era um militar e sempre andava armado. Cidália também o vê e nada desconfia. Quando nota o que estava para acontecer, já era tarde...

Mané Véio nada disse as mulheres, tão pouco falou alguma coisa para sua ex-mulher. Apenas parou um pouco para manobrar seu fuzil. Nessa altura dos acontecimentos Cidália, conhecendo como era violente e determinado aquele homem, sabia o que ele iria fazer. Não pestanejou e, levantando-se rapidamente, correu e tentou esconder-se usando o corpo da sua irmã como proteção. Infelizmente, os corpos se protegiam, porém, o rosto de Cidália ficou a mostra. O volante, já com a bala na agulha, levou a coronha da arma ao ombro, fez mira e disparou. Um tirou certeiro transformou o rosto da jovem num amontoado de carne e ossos disformes. E seu corpo vai de encontro ao chão, já sem vida.

Segundo autores, aquele crime abalou sertão baiano já tão acostumado com tantas vidas ceifadas violentamente. A população do interior baiano queria que as autoridades tomassem providências, mesmo porque Cídália pagou por uma conta, crime de traição, que não fez. Ela jamais havia ficado com outro homem, mesmo depois da separação. Porém, como tudo se arruma nessa vida, a própria corporação a quem pertencia tratou de dar um jeito para livrar Manoel Marques da Silva, o Mané Véio, da prisão.

Mané Véio dana-se dentro do mato e vai se esconder num pé de serra chamado “Serrote do Galeão”, e, numa gruta nas pedras dessa serra, uma caverna, passa vários meses escondido. “Embrenha-se na mataria e fica um ano escondido no Serrote do Galeão, enfurnado numa gruta que hoje é conhecida como “A toca de Mané Véio”.” (AA. Pg 335, 2011).

Seus comandantes conseguem fazer a sua ‘transferência’ para outro Estado. Conseguem fazer com que ele migre para o Alagoas, vá até Santana do Ipanema e seja admitido na Força alagoana no II Batalhão comandado pelo tenente José Lucena, o qual o envia direto para servir na volante comandada pelo pernambucano tenente João Bezerra da Silva aquartelada em Piranhas, AL.

A coisa foi muito bem arquitetada pelos militares. Ele troca de nome e passa a ser conhecido em Piranhas e região como Antônio Jacó. Com a sequência dos embates, torna-se admirado pelo comandante e seus companheiros, ganhando o respeito de ambos. Coragem e valentia nunca lhe faltaram.


Segundo o pesquisador/historiador Alcino Alves Costa, o saudoso "vaqueiro" de Poço Redondo, SE, foi Antônio Jacó quem matou o famoso cangaceiro Luiz Pedro de Siqueira, conhecido por Luiz Pedro Cordeiro, devido 'Cordeiro' ser o nome do sítio em que nascera, propriedade de seus parentes no Estado de Pernambuco e o cangaceiro 'Mergulhão", Antonio Juvenal da Silva, na grota do Riacho Angico, na fazenda Forquilha, município de Poço Redondo, SE, na manhã do dia 28 de julho de 1938, ficando com os espólios de ambos.

“(,,,)Chegou a hora. O dedo aciona o gatilho. O estampido da arma estronda. A bala atinge o coração do cangaceiro. Algo inesperado está acontecendo. Contra toda expectativa o bandido continua caminhando, dando a impressão que não foi atingido e, ainda mais assustador, o facínora faz menção de puxar uma arma do coldre. Neste instante os dois valentões já estão frente a frente. 

Mané Véio é rápido. Dar o segundo tiro. Dessa vez bem em cima do umbigo. O assecla cai de lado. Não faz movimento algum. Parece até que caiu morto. Sem perder tempo o matador corre e inicia o saque. O morto era Luiz Pedro (...). Talvez o último remanescente das grandes estrelas dos tempos de Pernambuco.

O homem de Santa Brígida está abismado com o luxo e a riqueza do bandido. Além dos anéis e alianças que abarrotam e enfeitam seus dedos, carrega em seu corpo um número vultoso de lenços e jabiracas, tudo da mais refinada qualidade.

Apressado e sem querer que os outros companheiros cheguem, o baiano corta as munhecas do facinoroso, arrancando os lenços e as jabiracas, colocando tudo dentro de seu bornal. Revira os bolsos e bornais do assecla e encontra uma quantidade muito grande de dinheiro e uma lata cheia de ouro. Ao ver tanta fartura, tanto dinheiro, tanto ouro, dá gritos de alegria e felicidades (...). Soldado não caçava cangaceiro para proteger a sociedade, a caça tinha um único objetivo, os pertences dos bandoleiros (...).” (AA.pg 336 a 337, 2011).


Na sequência dos acontecimentos, o comandante João Bezerra ordena que todos os soldados coloquem o que encontraram com os cangaceiros mortos na grota do Riacho Angico em determinado local. Manoel marques nega-se a colocar e duvida que alguém venha e retire o espólio que conseguiu. Logicamente que aquela falta de obediência do baiano teria resposta nada agradável. Então, sabedor do que poderia lhe acontecer, junta tudo que é seu e ‘pica a mula’ em direção a novas terras, indo se esconder em território goiano. Depois de algum tempo, tendo se casado novamente com uma jovem goiana chamada Maria Bosco, resolve seguir para São Paulo capital.

Já na capital Bandeirante, Manoel Marques da Silva, o Mané Véio, ou ainda o Antônio Jacó, torna a mudar de nome, passando a chamar-se de Euclides Marques da Silva. Esse nome ele tirou de um irmão que já havia morrido, passando a residirem no famoso bairro da Liberdade. Isso tudo à custa dos espólios dos cangaceiros.

Dessa nova união nasceu um casal de filhos, Jacob e Jovina. O tempo passa, mas o gênio violento e enciumado do baiano da Santa Brígida não mudou. Começa, novamente, a desconfiança com a fidelidade da nova esposa. Então começam as brigas dentro de casa onde o ex-volante começa a maltratar a esposa. Não suportando mais, Maria Bosco separa-se dele e pede o desquite. Solução mais que cabível, porém, para ela, naquele momento foi a mais errada a ser tomada.Em vez de pensar no que tinha feito para que seu casamento fosse por ‘água abaixo’, ele bitolou com a ideia de traição e que aquela mulher deveria morrer.

Antônio Marques da Silva, agora Euclides Marques, tinha um irmão que morava em são Paulo chamado Josafá Marques da Silva. Entrando em contato com ele, o ‘contrata’ para que mate Maria Bosco. Acertam preço e fecham o acordo. 

“Tudo aconteceu naquele dia em que Maria Bosco da silva e sua filha Jovina Marques da Silva, de 16 anos de idade, retornavam de um açougue onde haviam comprado carne para o almoço. Mãe e filha vinham pela Rua Pirapitingui, no bairro da Liberdade, em São Paulo. De repente foram brutalmente atacadas por Josafá que disparou três tiros, dois em dona Maria Bosco e um em sua filha Jovina. Maria Bosco morreu no local e sua filha Jovina no hospital. A tragédia foi total. Jovina foi também mortalmente ferida. Mãe e filha foram ceifadas desse mundo em virtude de uma decisão monstruosa de um louco.” (AA.pg 33, 2011)

Euclides Marques da Silva, o Manoel Marques da Silva, ou Antônio Jacó, ou ainda Mané Véio faleceu em 09 de janeiro de 2003, com 92 anos de idade, na cidade goiana de Pires do Rio na companhia da sua terceira esposa, também goiana, dona Nori Alves Marques da Silva. (Lampiãoaceso.com).

Alguns escritores, pesquisadores e historiadores têm Manoel Marques da Silva, o Antônio Jacó, ou Mané Véio, ou ainda Euclides Marques, como um verdadeiro herói pela sua valentia demonstrada contra os cangaceiros. Nós não conseguimos seguir esses estudiosos nessa concepção. Pelo contrário, o que o volante fez caçando e abatendo bandoleiros nas brenhas sertanejas, quando ele era um soldado militar da Força Pública baiano ou mesmo alagoana cumprindo seu dever, não lhe dava o direito de agir tão atrozmente contra mulheres indefesas e, por consequente, contribuir para o assassinato da própria filha... Em nenhum lugar do mundo.

Fonte Ob. Ct.
Foto Lampiãoaceso.com
Cangaçonabahia.com
"Derrocada do Cangaço", de Felippe de Castro
“Piranhas no tempo do Cangaço”, de Gilmar Teixeira

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