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31 agosto 2025

O CANGACEIRO ANTONIO SILVINO VIVEU E MORREU EM CAMPINA GRANDE.

 Por ProfessorMário Vinícius Carneiro

 Prof. Mário Vinicius Carneiro ao lado do marco erguido sob o local onde
fora sepultado Antônio Silvino o Cemitério do Monte Santo

Nascido no dia 02 de Setembro de 1875, em Afogados da Ingazeira-PE, filho de Francisco Batista de Morais e Balbina Pereira de Morais, Manoel Batista de Morais, mais conhecido como "Né Batista", era irmão de Higino, Zeferino e Francisco Batista de Morais.

Foi a partir da morte do seu pai, conhecido como "Batistão do Pajeú" que, em companhia do irmão Zeferino, enveredou pelos caminhos do cangaço, no ano de 1896.

Movido pelo sentimento de vingança, mata Desidério, o assassino do seu pai, adota o nome de Antonio Silvino e se torna um dos mais temidos cangaceiros que precederam Lampião, liderando o bando do seu finado tio Silvino Ayres.

No auge da sua vida como bandoleiro, atuou em cidades do Compartimento da Borborema. Agiu em cidades como Fagundes, Esperança, Monteiro, Alagoa Grande e, tendo Campina Grande como centro das suas investidas, haja visto a presença de coiteiros na região e pela amizade que detinha com fazendeiros locais, dentre ele, o Coronel Eufrásio Câmara, adversário do prefeito Cristiano Lauritzen.

No ano de 1907, a sociedade de Campina Grande vivia a expectativa da chegada do trem da Great Western pela primeira vez, em meio a ansiedade gerada com a promessa de Antonio Silvino de tombar o trem no dia da sua inauguração. Silvino já havia arrancado trilhos, prendido funcionários e sequestrado engenheiros da compahia ao longo da implantação do sistema ferroviário no Estado da Paraíba. 

Segundo o 'fac-simile' da reportagem da chegada do trem em Campina Grande, publicado no Diário de Pernambuco em 06 de Outubro de 1907, "[...]No dia da inauguração da estrada de Campina, Antonio Silvino, esteve no Alto Branco, onde soltou diversas girândolas, naturalmente festejando aquelle dia. Nesse logar declarou que o trem de Campina correria sómente três vezes, o numero necessário para as moças da referida cidade conhecerem-no. Ainda esteve no Geraldo e no Areial de Alagoa Nova, a 15 kilometros de Campina Grande, roubando, trucidando, matando animais e comettendo os maiores desatinos. Ante-hontem, à noite, chegou em Campina Grande uma força federal que anda em perseguição do bandido."

(CLIQUE AQUI PARA LER A ÍNTEGRA DO FAC-SIMILE

Na Paraíba teve no Major Joaquim Henriques seu principal perseguidor. Porém, fora preso em Pernambuco no ano de 1914, pelo delegado do município de Taquaritinga, o Alferes Teófanes Ferraz Torres. Nesta época, o governador do vizinho estado era o General Dantas Barreto, ex-Ministro da Guerra do governo Hermes da Fonseca.

Levado para cumprir pena, era o preso 1122, ocupando a cela 35 da antiga Casa de Detenção do Recife.

Dotando-se de comportamento exemplar, após 22 anos de pena, foi libertado em 1937 após receber um indulto do então presidente Getúlio Vargas.

Como homem livre, adota a residência da prima Teodolina Aires Cavalcanti, localizada na esquina da Rua João Pessoa com a Arrojado Lisboa, onde hoje se localiza uma agência de veículos, em frente à Praça Félix Araújo.

Em Campina Grande viveu de 1937 a 1944, quando enterrou sua alcunha, e dividia a vida caseira com a frequência à Igreja Congregacional da Rua 13 de Maio; embaixo do braço, não mais o rifle e, sim, a Bíblia Sagrada. 

Manoel Batista de Moraes, ou melhor, Antonio Silvino faleceu por volta das 19:00hs do dia 28 de Julho de 1944, na casinha de taipa que lhe acolheu em Campina Grande, sete anos após sua saída da prisão.

O cangaceiro teve oito filhos gerados com várias mulheres. Sua última esposa lhe deu quatro filhos.

Antônio Silvino (de chapéu), em frente a Casa de Detenção Foto: Antonio Silvino, o cangaceiro o homem o mito/Reproducao

Foi enterrado no Cemitério do Monte Santo, de onde, dois anos e meio depois, seus restos mortais foram transferidos para outro local desconhecido no campo santo, pelo fato de ninguém nunca ter reclamado os ossos do bandoleiro.

Seu local de sepultamento, hoje, possui um marco com uma placa de cimento, erguido pelo historiador João Dantas que junto ao pesquisador Olavo Rodrigues intentam a implantação de uma placa de bronze em referência ao cangaceiro.

"Antonio Silvino é um dos principais cangaceiros, morreu e está enterrado em Campina Grande, mas praticamente não existe referência de sua passagem por essa cidade" (pesquisador Olavo Rodrigues para o Diário da Borborema, em matéria do jornalista Severino Lopes)

Teodulina Cavalcante (Prima) de A. Silvino. - Fonte (*)

Casa de Teodulina Cavalcante, era localizada na Rua Arrojado Lisboa, em Campina Grande - Fonte (*)

Fontes Pesquisadas: Diário daBorborema (http://www.diariodaborborema.com.br/2010/08/01/cotidiano2_0.php)

Diário de Pernambuco (http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/08/01/brasil2_0.asp)
Jornal O Norte (http://www.jornalonorte.com.br/2010/08/01/diaadia5_2.php)
Blog Lampião Aceso (http://lampiaoaceso.blogspot.com/2009/11/um-cangaceiro-na-detencao.html)

Vitrine do Cariri (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Silvino)

Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Silvino)
(*) BARBOSA, Severino. "Antonio Silvino: O Rifle de Ouro - Vidas, Combates, Prisão e Morte do 
Mais Famoso Cangaceiro do Sertão". 2ª Edição - CEPE, Recife. 1979.

Agradecimentos ao professor Mario Vinicius Carneiro Medeiros pela foto do túmulo de Antônio Silvino

https://cgretalhos.blogspot.com/2018/01/o-cangaceiro-antonio-silvino-viveu-e.html

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29 agosto 2025

CANGAÇO - A CRENÇA NAS ORAÇÕES DE PODER.

  Por Nas Pegadas da História

https://www.youtube.com/watch?v=PaWED04UxvU&ab_channel=NASPEGADASDAHIST%C3%93RIA

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19 agosto 2025

BOLO DE MANDIOCA/TIJOLO

  Clerisvaldo B. Chagas, 19 de agosto e 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.289

É uma grata satisfação novamente ir ao experimento de uma iguaria de infância que se vendia nas feiras de Santana, século passado. Trata-se do bolo de mandioca (não de macaxeira), com faixas amarela e branca de forma artesanal. Ainda bem que a indústria aproveitou a ideia e você, atualmente, pode comprar essa delícia em supermercados. O bolo é feito de mandioca, margarina, água e açúcar. Muito bem lembrado e elaborado pelo fabrico em indústria de Bezerros-PE. O único defeito é que você quer comer todo de uma vez, tal a cupidez na gostosura. Também continua nas bancas de feiras o doce “tijolo”, de corte meio duro, feito ou de jaca ou de raiz de imbuzeiro. Este não conseguiu dar um salto para a Indústria como seu colega, bolo de mandioca.

Entretanto, outras guloseimas não resistiram em Santana e, algumas delas vamos encontrá-las no povoado Pé-leve, região da grande Arapiraca e na Massagueira, entre Maceió e Marechal Deodoro. Entretanto nem aqui e nem em outros lugares vimos mais: quebra-queixo com castanha, quebra-queixo com amendoim, pé de moleque na folha da bananeira e nem broa macia de massa puba, coisas que sustentavam tranquilamente e com galhardia o café da manhã. Ano passado estive com um doceiro que mudara de ramo após a sua fama na região. Fazia bolo de tudo que você imaginasse. Pulou para o ramo de ferro velho. Ah, meu Deus! Perdemos um doceiro de mão cheia. O diabo é quem quer saber de comer ferro velho.

Quem possui essas habilidades em fazer doce, só passa fome se quiser. Pode trabalhar por conta própria e abastecer bodegas, feiras mercadinhos e supermercados. Ora! O povo compra sem qualidade imagine um produto bem-feito!  Estamos nos referindo aos doces das  receitas antigas e seculares que vêm de avós e bisavós sempre agradando no sabor todas as gerações.  Admiramos também os grandes profissionais que lidam com os chamados produtos salgados. Entretanto, falando especificamente de bolos, bolo é bom e bolo é ruim. É bom quando bolo é de se comer, é péssimo quando ainda lembra os bolos na mão da palmatória, é diabólico quando alguém “dá” o bolo, isto é, engana, ludibria, rouba, causa prejuízo.

Mãos e mente  o amor, para o bolo do bem.

https://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2025/08/bolo-de-mandiocatijolo-clerisvaldo-b.html


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REVELAÇÃO: VALDEMAR COSTA NETO ELOGIA LULA E EXCLUI BOLSONARO | "LULA É UM FENÔMENO"

 Por TV Afiada


https://www.youtube.com/watch?v=nHxsCZj_9lY&ab_channel=TVAfiada

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18 agosto 2025

LAMPIÃO: Um tiro no pé (dos historiadores).

 Por Raul Menelu Mascarenhas.

Em São José do Belmonte, existe um platô na serra do Catolé, com um conjunto de cavernas em que Virgulino Lampião, rei dos cangaceiros, recorreu como esconderijo natural para se recuperar do balaço que levou no pé, precisamente no calcanhar, que discute-se até hoje, se foi o direito ou o esquerdo. Isso se dera no ano 1924 em refrega com soldados. A história é implacável com quem escreve sobre ela. Nesse episódio temos algumas versões, isso só para mostrar o quanto é confuso diversos casos envolvendo Lampião.

Irei citar aqui nesse artiguete algumas que li em livros de historiadores. Iniciando com "SERROTE PRETO, LAMPIÃO  seus sequazes" escrito por Rodrigues de Carvalho,  onde na página 224 da segunda edição diz textualmente:

"...estava a quadrilha encafuada havia mais ou menos um mês. Esconderam-se a fim de tratar do ferimento que Lampião recebera no pé esquerdo, em tiroteio travado com elementos da familia Gomes Jurubeba. Ou mais precisamente com Odilon Flor, o seu inimigo mais acirrado dentre os membros da aguerrida familía." 

Este episódio, vem sendo descrito pelo autor, a respeito do cerco feito pelo famoso Sargento Quelé, sob as ordens do comandante da volante, o tenente Chico de Oliveira. Mais detalhes os amigos poderão consultar a partir da página 222 da referida edição. Um relato bem contado, pois o informante tinha sido o famigerado e perverso cangaceiro do bando de Lampião chamado Marcos Passarinho. Marcos esclareceu detalhes muito importantes em que o próprio Clementino ignorava completamente. Como por exemplo o fato de Lampião esteve na iminência de ser preso por se entregar ao sargento.

O tenente Oliveira era homem destemido, porém sem nenhuma experiência do que eram os  cangaceiros e sua periculosidade. E além desse desconhecimento de causa, a impetuosidade e a imprudência nele apontava para um desastre à vista, o que reclamou o sargento Quelé quando de retorno à cidade de Princesa, quando ao caudilho José Pereira, prefeito e organizador da campanha de repressão ao banditismo, pediu-lhe que não o designasse mais para servir em uma volante com o tenente impetuoso e suicida, em diligências daquela natureza. O relato vai até a página 232.

Esse meu primeiro relato, deixo bem registrado, fala da recuperação do tiro levado no calcanhar e que tal tiro fora desferido por Odilon Flor, em outra ocasião, tratado como autor genérico.

VAMOS AGORA ao segundo relato encontrado. Este refere-se ao tiro no calcanhar de Lampião. Lembre-se que no primeiro relato, o tiro foi desferido por Odilon ou um dos nazarenos e na serra do Catolé, Lampião estava se recuperando do tiro e quando fugiu do ataque do sargento Quelé, na fuga, não suportou e a ferida veio abrir-se com o esforço:

Nos relata o livro RAPOSA DAS CAATINGAS, do Confrade José Bezerra Lima Irmão, na página 144 sob o título "Lampião é ferido na lagoa do Vieira e escapa por pouco na serra das panelas" que o mesmo se encontra com quatro membros que estavam desgarrados da volante de Teophanes Ferraz, que fizera um chamamento geral para todas as volantes perseguidoras de Lampião fossem lhe dar apoio, pois este se encontrava na região. O relato do livro diz:

"O major Teófanes Ferraz Torres, que vinha no rastro do bando, desconfiou que Lampião estivesse acoitado por ali, Despachou mensageiros para Vila Bela e outras cidades, solicitando reforços. Logo acorreram as volantes dos tenentes Alencar e Ibraim e do sargento Clementino Quelé.

No dia 23 de março de 1924, enquanto aguardava a volta de Livino, Lampião, acompanhado dos cabras Moitinha e Juriti, foi pegar uns mantimentos encomendados a um coiteiro nas proximidades da Lagoa do Vieira, no lado paraibano, ao leste da Pedra do Reino. No caminho, por volta das 10 horas, toparam com quatro integrantes da volante de Teófanes Torres que tinham se desgarrado da tropa - o anspeçada Manoel Amaro de Sousa e os soldados Manoel Gomes de Sá (Sinhozinho), Antônio Brás do Nascimento (Antônio Pequeno) e João Demétrio Soares. Na troca de tiros, uma bala acertou a cabeça do burro em que Lampião estava montado e o animal ao cair prendeu a perna direita de Lampião sob o seu corpo. O anspeçada Manoel Amaro foi atingido por um tiro no rosto. Os outros, vendo que Lampião estava com uma pema presa sob o cavalo, rodearam pelo mato a fim de matá-lo. Percebendo a manobra, Juriti mandou que Moitinha ficasse atirando para lhe dar cobertura e foi correndo socorrer Lampião. Moitinha, atirando de ponto, feriu gravemente dois soldados, pondo os três para correr. Juriti chegou sem perigo aonde Lampião se encontrava, pegou o burro pelo pescoço e virou-o para o outro lado.

Quando os outros cangaceiros escutaram os tiros, vieram em socorro e, tomando todas as precauções para não deixar pistas, levaram Lampião para um esconderijo à distância de uma légua, num trecho da Serra das Panelas, ao lado do Barro, no lado pernambucano, município de Vila Bela. O local foi escolhido pelo cangaceiro Cicero Costa, que era daquela região, assegurando que ali não havia risco de serem descobertos. O coito ficava num lugar onde há vários "caldeirões" de pedras acompanhando uma grota que separa a Serra das Panelas da Serra do Caldeirão.

Como Lampiảo não podia correr, pois a perna estava ferida, Juriti saiu arrastando-o... O lugar é conhecido como Grota do Caldeirão.

Cicero Costa de Lacerda tinha prática na aplicação de primeiros socorros, sendo considerado o "médico" do bando - sabia até extrair bala e costurar ferimentos. Com uma faca, rasgou a calça de Lampião, para descobrir a perna ferida, e fez uma avaliação preliminar.

- Esse horrô de sangue na perma não é nada, foi só um arranhão O qui me preocupa mermo é o firimento no carcanhá. Isso foi bala de fuzi. E eu acho qui o pé tá turcido..."

CONCLUSÃO: Alguns historiadores afirmam que o tiro teria sido dado peio sargento Quelé ou pelo major Teófanes Torres. Porém a participação de Quelé foi no tiroteio, alguns dias depois, na Serra das Panelas, onde Lampião se recuperava de ferimento recebido na Lagoa do Vieira (Lampião não foi ferido na Serra das Panelas - nesta apenas houve agravamento do referido ferimento. Quanto ao major Teófanes Torres, este sequer se encontrava na área por ocasião dos dois tiroteios - chegou depois.

Escrever sobre o cangaço é um desafio. Quando cruzamos informações dos diversos livros, vemos nesse caldo de informações, imprecisões. Recentemente em pesquisas comparatórias* dos escritos, verificamos inconsistências gritantes que são repetidas por diversos autores, levando sem maldade, ao erro, estudantes da história do cangaço.

* Vejam meu ebook 

LAMPIÃO NA JARAMATAIA E BORDA DA MATA, que pode ser copiado gratuitamente no Grupo Ebook Cangaço e Nordeste
https://www.facebook.com/groups/443128926284815/
Eis um "ebook brochura" com poucas páginas, sobre as famosas fotos de Eronides de Carvalho onde exploro nos intrincados labirintos da história do cangaço, com cruzamento de informações que temos à nossa disposição. Desta vez, além de argumentações básicas, procurei usar uma das ferramentas mais poderosas da história, a cronologia. Para isso usei os documentos oficiais, livros e blogs, conforme bibliografia no final da brochura virtual, que pode ser lida em 20 minutos.

https://meneleu.blogspot.com/2019/12/lampiao-um-tiro-no-pe-dos-historiadores.html

http://blogdomendesemendes.blogspót.com

17 agosto 2025

O EX-CANGACEIRO "BALÃO" FALOU À REVISTA REALIDADE EM NOVEMBRO DE 1973.

  

(...)

Entrei para o cangaço em 1929 e fiquei até ver Lampião com uma bala na testa, em 1938. Eu Morava em Paulo Afonso, na Bahia. Uma tarde passou pela minha casa uma força do sargento Inocêncio, de Alagoas.

Meu pai e meu irmão foram mortos e eu fugi com meu primo, o Azulão, que já estava no cangaço. Minha vida de cangaceiro começou num tiroteio, em Aroeira, contra a volante de Mané Neto. Eu tinha 19 anos. Lampião havia me dado 615 balas e, quando a luta terminou, perguntou-me: 

- E as balas?

- Só tenho cinco, respondi. 

- E as outras? 

- Por aí, capitão, voando atrás dos macacos.

 Ele riu e me admitiu.

Vivi de fogo em fogo durante 9 anos. A gente aprende a brigar. Soldado morria porque vinha de peito aberto. Cangaceiro não dá o peito nem as costas, briga de quina. Um homem de quina é uma faca. Também não brigávamos sem preparo. Só atraíamos a volante depois de construir a trincheira. E lá ficávamos, ajoelhados ou em pé, escorando firme o coice da espingarda.

Se matei muitos não sei. Quem mata é o mosquetão, e o Capitão Lampião é quem ordena. A gente obedece, vai atirando. Se o tiro pega, ouve-se o grito: "Ai, Nossa Senhora! Valei minha mãe". Vi uns filmes de cangaceiros. Tudo falso. Todo mundo bonito, a cavalo, como mocinhos. Nós andávamos quase sempre a pé, calçando alpercatas.

(...)

Clique neste link e leia toda entrevista que cedeu o cangaceiro Balão à Revista Realidade. 

ADENDO:

Sou um admirador do cangaceiro Balão, mas achei muito exagero em dizer que o capitão Lampião entregou a ele 615 balas. 615 balas, em média, pesam 44 quilos. É muito peso para um cangaceiro correr em um ataque mortal das volantes. Mas cada um contando as suas histórias.

José Mendes Pereira.

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2009/08/cangaceiro-balao-sensacional-entrevista.html

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES.

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. 
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância.

Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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15 agosto 2025

1921 OS PRIMÓRDIOS DA SAGA DE LAMPIÃO.

  Por Rostand Medeiros


AINDA VIVE O HOME M QUE EM 1921 SEPULTOU O PAI DE LAMPIÃO
Diário de Pernambuco , 29 de março de 1973, Terceiro Caderno, Página 3.
Pesquisa – Tadeu Rocha / Fotos José Valdério
Diário de Pernambuco, 29 de março de 1973, 
Terceiro Caderno, Página 3.
Num velho casarão alpendrado de uma fazenda sertaneja, em plena caatinga pernambucana do Município de Itaíba reside o ancião Maurício Vieira de Barros, que em maio de 1921 sepultou o pai de Lampião, morto por uma força volante da Policia alagoana. Nos seus bem vividos e muito sofridos 86 anos de idade, ele viu e também fez muita coisa, por esse Nordeste das caatingas e das secas, dos beatos e dos cangaceiros, dos soldados de verdade e dos coronéis da extinta Guarda Nacional.
O Sr. Maurício Vieira de Barros nasceu em 2 de abril de 1886, Na casa dos seus 30 anos, foi Subcomissário de Polícia no Estado de Alagoas e, na dos 40, chegou ao posto de Sargento na Polícia Militar de Pernambuco. Depois, respondeu a dois júris por excesso de autoridade e, desde 1955, está vivendo uma velhice descansada no Sítio dos Meios, em companhia de sua filha Dona Jocelina Cavalcanti de Barros Freire.

Se não fossem as ouças, que já estão fracas, o velho Maurício não aparentaria os seus quase 87 anos, pois ainda caminha com passo firme e guarda boa lembrança dos fatos de sua mocidade e maturidade. 

Ele é, agora, a derradeira testemunha viva do início de uma tragédia sertaneja: a transformação do cangaceiro manso Virgulino Ferreira em bandido profissional que convulsionaria os sertões nordestinos durante 17 anos.
Casa do Sítio do Meio em 1973.
UM ATOR NO PROSCÊNIO

A primeira indicação do Sr. Maurício Vieira de Barros como a autoridade policial que sepultou o pai de Lampião nos foi dada, há mais de 20 anos, pelo Major Optato Gueiros, no segundo capítulo do seu livro sobre Virgulino Ferreira. 

O autor das “Memórias de um oficial ex-comandante de forças volantes” ouviu o relato da morte de José Ferreira da boca do próprio Virgulino, nos começos da década de 1920, quando Lampião ainda era um simples cabra de Sinhô Pereira. 

Optato Gueiros também informa que, anos mais tarde, Lampião poupou a vida de Maurício, no povoado de Mariana, em gratidão pelo sepultamento de seu pai.
Maurício Vieira de Barros sendo entrevistado pelo professor e escritor Tadeu Rocha e acompanhado de Bruno Rocha.
Nos meados de dezembro do ano passado, após concluirmos que não foi feito, absolutamente, o registro dos óbitos de Sinhô Fragoso e do pai de Lampião (mortos na primeira “diligência” da volante do Tenente Lucena), julgamos necessário ouvir o Sr. Maurício Vieira de Barros, que nos constou ainda estar vivo e residir para os lados das cidades de Águas Belas ou Buíque. Somente o antigo policial que sepultou os dois cadáveres poderia revelar-nos a data precisa da morte de José Ferreira.

NO RASTO DA TESTEMUNHA

Após consultarmos inúmeras pessoas sobre o paradeiro do ancião Maurício de Barros, afinal soubemos do Sr. Audálio Tenório de Albuquerque que esse seu compadre estava morando na fazenda Sítio dos Meios, no Município de Itaíba. Rumando para Águas Belas, entramos em contato com os nossos parentes do clã dos Cardosos, entre os quais fomos encontrar o jovem veterinário Ricardo Gueiros Cavalcanti, neto do velho Maurício, por parte de pai.
Notícia do ataque dos cangaceiro ao lugar Pariconha em 1921, 
hoje município alagoano distante 354 km de Maceió.
Na tarde quente do dia 17 de janeiro, em companhia do veterinário Ricardo Gueiros Cavalcanti, do fotógrafo José Valdério e do jovem estudante Bruno Rocha, deixamos a cidade de Águas Belas pela rodovia PE—300, na direção de Itaíba. Após cruzarmos o rio Ipanema e o riacho Craíbas. Pegamos uma estrada vicinal, por onde atingimos, dificilmente, o Sítio dos Meios, a uns 2.5 km de Águas Belas, a outros tantos de Itaíba e a 9 da cidade alagoana de Ouro Branco.

Fomos encontrar o velho Maurício no alpendre do casarão da fazenda de sua filha, jovialmente vestido de blusão de mangas compridas c calçado com sandálias havaianas. A presença do seu neto Ricardo e a delicadeza de sua filha Dona Jocelina permitiram-nos conversar longamente com o Sr. Maurício Vieira de Barros. O fotógrafo Jose Valdério documentou a nossa visita e o estudante Bruno Rocha gravou a nossa conversa.
Lampião nos primeiros anos.
SUBCOMISSÁRIO SEPULTA DOIS MORTOS

O Sr. Maurício Vieira de Barros  já exercia o cargo de Subcomissário de Polícia da cidade de Mata Grande, em maio de 1921, quando o Bacharel Augusto Galvão, Secretário do Interior e Justiça de Alagoas na segunda administração do Governador Fernandes Lima, enviou ao sertão uma força volante da Polícia, sob o comando do 2º Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão, a fim de dar combate ao banditismo. Antes que essa força chegasse ao sertão, os cangaceiros saquearam o povoado de Pariconha, na tarde de 9 de maio. Logo que a volante do Tenente Lucena atingiu seu destino, cuidou de prender os participantes desse saque, entre os quais estavam os irmãos Fragoso e os irmãos Ferreira, residentes no lugar Engenho Velho. A volante cercou a casa dos Fragoso e do tiroteio resultou a morte de José Ferreira e Sinhô Fragoso, ficando baleado Zeca Fragoso e saindo ileso Luís Fragoso.

Avisado em Mata Grande das mortes ocorridas no Engenho Velho, o Subcomissário Maurício de Barros dirigiu-se a esse lugar e fez transportar, em redes, os dois cadáveres para a povoação de Santa Cruz do Deserto, em cujo o cemitério os sepultou. O fato de José Ferreira e Sinhô Fragoso terem sidos deixados mortos por uma “diligência” da Polícia Militar de Alagoas levou o Subcomissário de Mata Grande a enterrá-los no cemitério mais próximo.
DATA DA MORTE DO PAI DE LAMPIÃO

Na breve história de 17 anos, qual foi a do cangaceiro Virgulino Ferreira (que se fez bandido profissional em 1921 e foi eliminado em 1938), existem erros de datas de mais de um ano, como no caso da morte de seu pai pela volante do Tenente Lucena. Tem-se escrito que esse fato aconteceu em abril de 1920, o que não corresponde, em absoluto, à verdade histórica.

Ao que apuramos no Arquivo Público e Instituto Histórico de Alagoas, 2º Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão foi nomeado Comissário de Polícia da cidade alagoana de Viçosa em 10 de abril de 1920, assumiu o exercício do cargo logo no dia 15 e permaneceu nessa comissão até princípios de maio do ano seguinte. Ele ainda assinou ofício na qualidade de Comissário de Viçosa em 28 de abril de 1921. No dia 4 de maio esteve no Palácio do Governo, em Maceió. E no dia 10 desse mês, deixava Palmeira dos índios “com destino ao sertão”, estando “acompanhado de um contingente de 24 praças”, conforme registrou o seminário palmeirense O Índio, de 15 de maio, em seu número 16, página 3.
Nota sobre a volante do Tenente Lucena no seminário palmeirense O Índio, de 15 de maio, em seu número 16, página 3.
Viajando a pé, a volante do Tenente Lucena só alcançou o sertão ocidental de Alagoas uma semana mais tarde. Por isso mesmo, sua “diligência” no Engenho Velho somente pode ter ocorrido nos começos da segunda quinzena de maio de 1921. O Sr. Mauricio de Barros não se recorda mais da data do sepultamento dos mortos pela “diligência” no Engenho Velho. Lembra-se, porém, que foi numa quinta-feira. Ora, a primeira quinta-feira da segunda quinzena de maio de 1921 caiu no dia 19, o que permitiu ao Correio da Tarde, de Maceió, publicar no fim desse mês uma carta de Mata Grande, sobre os acontecimentos do Engenho Velho. A esse tempo, os estafetas do Correi levavam, a cavalo, três dias entre as cidades de Mata Grande e Quebrangulo, de onde as malas postais seguiam de trem para Maceió.  
Detalhe da carta enviada de Mata Grande e publicada no final do mês de maio de 1921 pelo jornal Correio da Tarde, de Maceió, sobre os acontecimentos do Engenho Velho.   
EPISÓDIO MUITO CONTROVERTIDO

Sempre foram muito controvertidas as circunstâncias da morte do pai de Lampião. Na primeira entrevista que concedeu a um jornal (o recifense Diário da Noite, de 3 de agosto de 1953), o Sr. João Ferreira, irmão de Virgulino, declarou o seguinte sobre a morte de seu pai: “Findo o tiroteio, seguido pelo abandono do local pela tropa, eu o fui encontrar sem vida, caído sobre um cesto, tendo às mãos uma espiga de milho, que estava debulhando, ao morrer”.

Por seu turno, parentes e amigos do Cel. José Lucena de Albuquerque Maranhão costumam dizer que o velho José Ferreira resistiu à Polícia, atirando de dentro da casa dos Fragoso. Parece-nos que há engano em ambas as versões, pois o Sr. Maurício Vieira de Barros nos disse que encontrou o cadáver do pai de Lampião no terreiro da casa dos Fragosos.
O Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão, 
comandante da desastrada volante que matou o pai de Lampião.
Este depoimento se harmoniza com o informe que nos deu o Sargento reformado Euclides Calu, residente em Mata Grande, e a história que contava o velho Manoel Paulo dos Santos, Inspetor de Quarteirão no Engenho Velho, ao tempo da morte do pai de Lampião. História que nos foi transmitida por seu filho Gabriel Paulo dos Santos e pelo magistrado alagoano Dr. Dumouriez Monteiro Amaral.
O informe do velho Calu e a história contada pelo velho Manoel Paulo referem que José Ferreira foi morto durante o tiroteio do Engenho Velho, quando ia tirar leite em um curral. De fato, o cerco da casa da casa dos Fragosos foi feito ao amanhecer do dia 19 de maio de 1921. E o tiroteio que se seguiu e vitimou José Ferreira ocorreu “antes do café da manhã de um dia muito chuvoso”, como declarou, textualmente, João Ferreira, na citada entrevista a um jornal recifense. E não há dúvida que o Inspetor de Quarteirão Manoel Paulo dos Santos foi a testemunha mais isenta de paixões no episódio da morte do pai de Lampião.

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